[SPOILERS] Como é que é possível não gostar de Castle (Nathan Fillion)? Eu sei, perguntei isso mesmo uns dias atrás. Mas é gratificante ver uma série e sentirmos uma empatia tremenda com a personagem principal. Eu era capaz, se um qualquer acaso da tecnologia transformasse a figura numa pessoa real, de me tornar amigo dum tipo assim. Porreiraço. Aquela sequência de abertura, com Castle a pilotar um helicóptero telecomandado, perdido num mundo de fantasia, fez-me sentir uma onda de compreensão para com ele.
A série, ultimamente, constitui apenas uma sequência de investigações policiais, na procura do assassino (a). Este episódio não foi diferente. Um morto, encontrado no depósito de lixo residencial, vai motivar a atenção de Beckett (Stana Katic) e Cª. Sam Parker, habitante dos subúrbios, com esposa e dois filhos. E com um pormenor acessório. Com uma noiva atrelada. Nesta vida dupla que levava, com direito a identidades distintas, percebe-se que o móbil do crime poderá ter sido o ciúme. Ou não. Os nomes que podem enquadrar um cabeçalho policial com a palavra “suspeito” impressa nele são:
- Charles Depetro (Alex Skuby), cunhado e autor da ameaça encontrada num dos telemóveis da vitima, a quem Sam devia uma quantidade apreciável de dinheiro;
- Helen Parker (Perrey Reeves), esposa efectiva do morto, que aparentemente tinha já descoberto – ou pelo menos desconfiado – da vida dupla do marido;
- Sarah Reed (Abigail Spencer), inicialmente colega de trabalho no escritório da empresa de consultadoria ambiental, depois promovida a noiva, com direito a um anel com o diamante da praxe.
No entanto, basta escavar um pouco para a verdade ser desvendada. Primeiro, de forma parcial, como um puzzle a que se vão adicionando as peças requeridas. Sam tornou-se numa espécie de espião corporativo, estando a trabalhar numa nova empresa, concorrente e rival do empregador anterior, como forma de descobrir os segredos que lhe pudesse conferir vantagem num mercado concorrencial. Ironicamente, Sam foi usado, desde o inicio, com Sarah a urdir, juntamente com Lance (D.B.Woodside), o dono da empresa, uma estratégia que visava passar informações falsas. E acabou assassinado, quando descobriu que o invento revolucionário não passava de um logro. Lance, o culpado, passa de CEO a proprietário de uma cela, numa penitenciária estadual, num curto espaço de tempo.
O Melhor: A ironia cortante que é desferida praticamente em cada fala de Nathan Fillion. O seu personagem, Castle, domina a nobre arte do sarcasmo, com diálogos sempre dinâmicos.
O Pior: “Castle” é uma série inócua e descartável. E isso tem algo de mal, poderão pensar alguns? Nem por isso. Não sendo um defeito, faz com que a série se arraste, indefinidamente, no mesmo estilo linear, com os casos policiais – rapidamente esquecidos – a sucederem-se uns aos outros, sem uma qualquer ligação entre eles de forma a permitir a exaltação de outra qualquer qualidade. Para além disso, a dinamização das personagens não existe, sendo que as secundárias permanecem num limbo que as torna caricaturais. Tome-se, como exemplo, o duo de detectives que acompanham Beckett. Ryan (Seamus Dever) e Esposito (John Huertas). O que sabemos deles, ao fim de duas temporadas? Pergunta retórica, respondida com um rotundo NADA. Permanecem vazias, sem densidade, vegetando nas cenas sempre com o mesmo sorriso insosso. Não sabemos do que gostam. Quem amam. Que passatempos os levam a descontrair de uma vida profissional exigente. Excepção feita a Castle e ao seu pequeno séquito familiar, tudo o resto vive na esteira do seu brilho. Sem luz própria.





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Concordo plenamente contigo no “pior”. Quanto ao episódio gostei.
Adorei a história que mais parecia saída de um programa da Oprah transformar-se num caso de “espionagem industrial” =P
Adoro o Castle mas a Alexis também é amorosa.
Como disse anteriormente, Castle é uma série que me coloca sempre um sorriso nos lábios e que gosto dela assim, tal como ela é. Não preciso de mais!