[SPOILERS] “Work wife”. Foi assim que Castle (Nathan Fillion) se referiu, com alguma piada, a Kate Beckett (Stana Katic). No já tradicional ping-pong entre os dois, com a ironia a pontuar as respostas afiadas de cada um, o escritor referiu-se à sua musa de forma pouco convencional, revelando no entanto a maneira intima como os dois funcionam…profissionalmente. No trabalho, o casamento entre ambos os opostos parece ter funcionado na perfeição, se substituirmos a harmonia conjugal pelo sucesso na resolução de casos. É, sem dúvida, um enlace profícuo.
E, já que se fala de trabalho, o deles consiste na solução de assassinatos, desvendando os autores dos crimes. O caso desta semana envolve um negociante de arte, morto na sua galeria. O surpreendente da questão é o desaparecimento de uma bala. A quinta. 5 cartuchos disparados. Dois encontrando o seu alvo, enterrando-se na carne. Outros dois, revelando por ventura uma pontaria desafinada, anicharam-se no estuque das paredes. E a última? Sem 2ª vítima, por onde andará a 5ª bala, aparentemente peça-chave no imbróglio?
Descontando as hipóteses fantasiosas aventadas por Castle, com a sua imaginação delirante e criativa a fornecer supostas explicações para o desaparecimento do projéctil (a explicação de que o mesmo seria feita de gelo é hilariante), pressente-se que a hipótese correcta lançará luz sobre a morte.
Entretanto, como sempre, a investigação passa por seguir as pistas que surgem e, claro, por interrogar os potenciais candidatos a mandantes do crime:
- Mrs. Fink (Marisa Ramirez), esposa devotada, de tal forma que aumentou consideravelmente o tamanho dos seios, como forma de agradar o esposo. Nessa relação de alguma subserviência, existiria ódio camuflado?
- Rocco Jones (Rider Strong), nome artístico mais parecido a um qualquer actor de filmes para adultos, mas que trabalhava no mais ecléctico mundo da arte. Antigo assistente de Fink, despedido por este, facto que não aceitou de bom grado. Rocco era uma espécie de plagiador de obras famosas, falsificando-as, com o beneplácito de Fink, para posterior venda;
- Bahir Harun (Carlos Rota), membro da embaixada do Bahrein, beneficiando de imunidade diplomática. Comprador compulsivo de arte, participava e conhecia o esquema montado por Fink, para ludibriado clientes.
Num golpe de sorte, a quinta bala aparece na esquadra. Não pelo próprio pé, dado que essa seria uma situação impossível, mas num caso de agressão com amnésia na vítima. Ryan (Seamus Dever), o detective encarregue do caso, descobre-a, presa numa edição de bolso do “Crime e Castigo”. Ficam assim com uma potencial testemunha em mãos…que de pouco lhes serve, pelo facto de o mesmo não se recordar sequer do próprio nome. Amnésia episódica. É novamente Castle, num dos seus habituais momentos de iluminação, que descobre a identidade do indivíduo. Fazendo a ligação entre a sequência inicial (vemos Castle, aguardando a chegada de Beckett à cena do crime, brincando com uma cadela que se encontra atrelada do lado de fora do edifício) e à presença de Jay (assim nomeado, enquanto não descobrem a verdadeira identidade) lá dentro, o escritor-arvorado-em-detective inicia a sucessão de eventos para o desenlace. E então quem é Jay?
Jeremy Preswick (Marc Blucas). Um génio em matemática, divorciado [vemos a sua vida ser devassada precisamente pela ex-esposa], sem um relacionamento estável…e dono da arma que cometeu o crime. Encontrada no seu apartamento. Jeremy passa, num ápice, de testemunha importante a principal suspeito. Mesmo que falte apurar a motivação do crime. E é esse pormenor que força os detectives a voltarem ao terreno. Para que tudo faça sentido. Num crime ligado ao mundo artístico, teria que ser um quadro a desvendar o criminoso. Que, na habitual reviravolta, é o actual assistente de Frisk. Falsificador por excelência, usando os seus dotes para um enriquecimento ilícito, acaba os seus dias na prisão. Fazendo igualmente de Cupido, dado que o assassinato cometido por si ajudou, paradoxalmente, à união de Jay com a ex-esposa. Castle continua com uns finais melosos, integralmente pintados de cor-de-rosa.
O Melhor: “Que bom que ele lê”, diz Kate, ao saber que a bala para matar a testemunha ficou entalhada no livro. “Que bom que ele lê literatura russa”, contrapõe Ryan. “Se lesse Nicholas Spark, estaria morto”, aludindo à volumosa edição de Dostoiesvky. Apenas um exemplo, entre vários, de que os diálogos inteligentes, repletos de humor, continuam de ao saúde. E recomendam-se…
O Pior: Existe uma notória tentativa de inovar, nos casos apresentados. A série, tendo que obrigatoriamente que seguir os trâmites duma investigação policial, encontra-se impossibilitada de inventar. Por isso, o esforço efectuado na criação de casos sempre diferentes, com histórias bem engendradas, constitui a única tentativa de evitar o aborrecimento de se instalar. Infelizmente, parece-me que isso não funciona. Vejo actualmente Castle por dois motivos: o obrigatório, que decorre da necessidade de escrever o artigo, e Nathan Fillion. É pouco.





Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






Que caramba! Quando estava prontinho para descartar a série, ela dá-nos o melhor episódio da temporada. Estão a melhorar os casos! Agora podiam era fazer um enredo para a temporada toda, desenvolver as personagens, tornar a série um bocadinho mais dark e estamos a andar. Está a ficar melhor embora não seja tão boa como Bones ou The Mentalist e esteja a milhas de The Good Wife.
E sim, se não fosse o Nathan, eu já nem estaria a ver esta série, mas que hei-de fazer? Ele é um excelente actor e eu sou um fã de Firefly inveterado!
Aquilo que dizes no pior é exactamente aquilo que sinto. Tenho-me aborrecido muitas vezes e só desperto quando existem aquelas cenas com mais comédia.
Só não gostei muito foi do final. Achei-o muito feliz! Mas de resto, foi bom e as tiradas de Castle são o máximo.