[SPOILERS] Bem, por este andar corro seriamente o risco de esgotar, de forma precoce, a adjectivação para elogiar “Friday Night Lights”. A sério. Dou por mim, findo cada episódio, a escalpelizar a razão para que “FNL” continue afastada da ribalta, da aclamação das massas. Mas, fará isso alguma diferença? Para mim, não. Nenhuma. Limito-me a recostar no sofá e a gozar cada segundo de cada novo episódio. E sinto-me um privilegiado.
Em East Dillon, os Lions começam a ver a luz no fundo do túnel. Um pequeno brilho, iluminando o que parecia ser uma temporada tenebrosa. Um raio de esperança, quando a parceria entre Luke (Matt Lauria) e Vince (Michael B.Jordan) começa a frutificar, com o talento de ambos a prometer, para um futuro não muito distante, uma vitória. Mas, mais do que o futebol, o que estava previsivelmente em jogo, neste episódio, era o luto. E a forma de lidar com o mesmo.
Matt (Zach Gilford), a viver um período de angústia e frustração, pela encruzilhada no seu futuro profissional e pela relação, sempre agreste, com Julie (Aimee Teegarden), tinha levado um soco no estômago. Não fisicamente, mas através de uma notícia capaz de tirar o fôlego ao mais insensível dos homens. “O teu pai morreu”. Foi assim que o episódio anterior tinha encerrado, deixando o jovem imerso num mundo de aflição. E é sobre a maneira de lidar com um evento destes que o foco do episódio incide. Todos nós sabemos quem é Matt. Figura conhecida – e grata – da maioria dos espectadores, aprendemos a conhecer o jovem quarterback, de personalidade plácida exteriormente, coração generoso e devotado a um amor incondicional a quem o realmente criou: a avó. Na espiral de agonia do jovem, existem várias sequências imperdíveis, com o jovem como protagonista:
- O aparecimento do clã McCoy, oferecendo as condolências, em nome dos “investidores”, forçando à reacção intempestiva do jovem, que lhes fecha a porta literalmente na cara;
- O apoio dos amigos Landry (Jesse Plemons) e Tim (Taylor Kitsch), levando-o para o bem conhecido relvado, palco de tantas glórias passadas, onde Matt finalmente abre o seu coração, explodindo os sentimentos antagónicos que sente em relação à figura patriarcal. Toda a raiva, todo o ódio, guardado anos a fio debaixo daquele ar circunspecto, regressam à tona, retratando o pai de forma crua. Uma cena de enorme impacto.
- A melhor cena do episódio. Matt combatendo o seu demónio interior. De pé, perante o caixão aberto do pai – morto em combate, ao pisar uma mina – olhando o homem que, para ele, se tornou um perfeito desconhecido. Sem diálogos. Mas o olhar de Matt, pleno de intensidade, define bem a grandeza de FNL, na abordagem aos pequenos dramas do quotidiano.
- Finalmente, o desabamento emotivo do jovem, na casa da namorada, revelando igualmente os sentimentos ambíguos que o assolam, naquela altura, finalizando depois com mais uma sequência de arrebatar o fôlego, com Matt sozinho, no pós funeral, cobrindo o caixão o terra. Tocante.
Mas nem só de Matt viveu o episódio. Vince continua a namorar, numa espécie de dicotomia, com o Bem e o Mal. Feitas as pazes – ou pelos menos, as tréguas – com Luke, o jovem vê o seu talento e empenho serem devidamente reconhecidos, ao ser eleito um dos jogadores da semana. Se isso – e a necessária integração social, com o aparecimento numa acção de solidariedade – o fazem trilhar o lado correcto e cívico da sua vida, o problemático ambiente familiar levam-no a mergulhar no mundo do crime. Outra vez. Com a recaída da mãe, a total ausência de meios de subsistência no lar – sem água, luz ou comida – o rapaz envereda pelo roubo de carros. As consequências, ainda não conhecidas, não deixarão de ser nefastas, aposto.
O Melhor: Era fácil, com o argumento para este episódio a explorar a morte do progenitor de Matt, cair na lamechice pura, puxando as emoções para o lado mais fácil: o do lacrimejar acessível. Felizmente, existe bom senso a rodos em FNL. O tom pungente com que lidaram com a questão do desaparecimento foi notável. Dilacerante, a espaços, num tom seco e doloroso, mas fazendo com que as entranhas de cada um, sem qualquer pejo, se contraíssem de emoção e dor. Gostei, particularmente, do singelo gesto, no final do jogo dos Lions, com os jogadores todos, a pedido de Eric, ajoelhados, rezando uma prece. Simples, mas profundamente comovedor.
O Pior: Lyla (Minka Kelly) apareceu. Mas pouco. O que é uma pena, para quem é fã da rapariga (e eu incluo-me nesse lote). Uma pequena intervenção, no funeral do pai de Matt, é manifestamente pouco para matar saudades.
PS: Outro regresso – apesar de não vermos a personagem – foi o de Smash Williams. Enquanto Eric (Kyle Chandler) brinca com o novo rebento, o jogo transmitido pela TV mostra Smash, nas suas habituais correrias. A menção do nome do jogador não acrescentou nada de novo à história, é certo, mas foi um pormenor delicioso.
PS2: Aguardo, ansiosamente, pelo embate entre as duas equipas de Dillon. E, caramba, espero que os Lions vençam. Julgo que uma série atinge o seu estágio de maturação quando sentimos, vibramos ou sofremos com as vitórias e/ou reveses dos personagens. Sendo assim, a fanfarronice, arrogância e desplante do jovem McCoy (Jeremy Sumpter) têm que ter uma lição. Dada dentro do campo. E já sei quem vai ser a némesis. Luke, agora transformado em inimigo figadal do imberbe McCoy.





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Para mim, um dos melhores episódios da série. Um dos melhores episódios do ano. É este que é o âmago de FNL. O quão dura ou doce, conforme o momento vivido, pode ser a realidade. O futebol americano é um cenário, um catalisador para as emoções dos seus intervenientes.
Um trabalho do Zach Gilford cinco estrelas e só é pena que os plots secundários não tenham acompanhado o passo. Bem, do mal o menos, foram desenvolvidos…
A cena do sangue no final é que era desnecessária. Para quem como eu já passou bastante tempo de enxada na mão, sabe perfeitamente que aquilo é um exagero. Mesmo que as mãos fiquem todas f*didas, nunca o ficam ao ponto de sangrarem daquela forma. Sim, eu sei que o sangue neste caso serve apenas como simbolismo, mas só com a expressão do Zach Gilford já chegávamos à ideia que queriam transmitir. Não era preciso mais nada.
:5:
E a Minka Kelly com botas de cowgirl? Ai, ai… :babar:
Não há muito a dizer. Se não foi perfeito (e não vejo o breve aparecimento da Minka Kelly como algo negativo, mas sim como um bónus), esteve lá perto.
BTW, quão bem a Lyla conhecia o Matt? Pareciam amigos no funeral.
Zach Gilford em grande. Este é dos tais que merecia uma série só para ele.
Não costumo dar notas porque me obrigam a pensar um bocado, mas esta é fácil…
:5:
Realmente muito bom o episódio. Bom. A série tem regularmente episódios muito bons e este foi mais um que consegue atingir um patamar superior.
ENORME prestação do Zach!!!
Como o zb disse, o sangue era desnecessário. Foi uma redundância.
(…) a escalpelizar a razão para que “FNL” continue afastada da ribalta, da aclamação das massas. Mas, fará isso alguma diferença? Para mim, não.
Para mim também não. É-me indiferente. Prefiro um grande produto a ser elogiado por uma minoria do que a histeria das massas em redor de algo que é simplesmente médio ou fraco.
Com a temporada a decorrer como está, a série já tem o seu lugar na história das séries assegurado. Isso já ninguém lhe tira.
:4meio:
Com a temporada a decorrer como está, a série já tem o seu lugar na história das séries assegurado. Isso já ninguém lhe tira.
E o que sofreu para conseguir contar a sua história, sempre com a corda no pescoço. Valeu a Directv.
Devo dizer, tal como o fiz previamente, que não me importava se a série tivesse terminado na temporada passada. Acho que seria um belo final para uma bela série. E estava relutante como é que a mesma se iria aguentar sem a Tyra, a Lyla e o Matt. Mas este método que os produtores da série arranjaram de os trazerem um a um e deixá-los concluir as suas histórias tem sido bastante eficaz, e a temporada, apesar dos novos personagens ainda me serem algo “estranhos”, tem conseguido manter a bitola. O pior vai ser quando o Matt bazar e o Riggins se ausentar. Mas… Vamos esperar para ver.
Já agora, o episódio foi por inteiro do Zach Gilford, mas ele foi muitíssimo bem acompanhado pelos restantes membros do elenco com quem partilhou as suas cenas. A do jantar então, as expressões do Kyle Chandler e, sobretudo, da Connie Britton foram o perfeito exemplo de como este elenco encaixa na perfeição.
:5: Outra vez!
A do jantar então, as expressões do Kyle Chandler e, sobretudo, da Connie Britton foram o perfeito exemplo de como este elenco encaixa na perfeição.
Esse é O casal actual da TV. Impressionante a ligação deles.
A pergunta que se coloca é a mesma que muita gente se deverá estar a questionar…
Será que não merecia um 100?
:5:
Episódio excelente, a cena do jantar foi :wow: .
Era escusado a Lyla ter aparecido, para aparecer durante uns segundos, mais valia não ter aparecido.
:5:
Bem, nada a dizer. Desde o primeiro episódio desta temporada que tenho adorado e este último episódio foi um espanto. E quem não gosta da Lyla? lol
Cumps
:5:
Fantástico episódio, provavelmente o melhor drama a passar actualmente na América. Há poucas séries que conseguem ter tamanho nível de qualidade e de forma tão regular. Enorme prestação do Zach Gilford, este rapaz merecia ser nomeado ao Emmy, aquela prestação foi qualquer coisa de arrebatadora.
:4meio:
E a Lyla é para aparecer para proximamente? Que raio ela acha das atitudes do Tim?
Eu continuo a achar é que o do atadinho JD da temporada passada que não podia sair de casa para o garganeiro que tem sido nesta temporada uma inconsistência só para dar jeito à história lá com o Luke.
dos melhores episódios de FNL que já vi, acho que nunca me “custou” tanto ver um espisódio de uma série, a cena do Matt a enterrar o pai, para mim foi das minhas preferidas
Porque raio demorei eu tanto tempo a pegar nesta quarta temporada??
Enfim… episódio fantástico. Bem emocionante. Que grande interpretação do Zach Gilford, concordo! A série só tem a perder com a saída do Saracen.
:5:
Muito boa review, Paulo.