[SPOILERS] Descomprimir: Acto de diminuir ou suprimir a compressão de. Foi isto que os argumentistas de “Friday Night Lights” devem ter equacionado, depois do poderoso e sublime episódio anterior. Uma história seguinte que, mantendo o rumo da narrativa, ajudasse o espectador a recuperar dos inúmeros momentos dramáticos que se tinham produzido, em Dillon.
Os Lions, ainda à procura da primeira vitória, enfrentam um adversário temível, ainda invicto, num jogo com direito a transmissão televisiva. Se Eric (Kyle Chandler), fazendo uso da sua enorme experiência, deseja apenas minimizar os efeitos traumáticos de uma humilhação para os jovens que dirige, com o País inteiro a ver, o entusiasmo incontinente do seu adjunto levam-no a colocar uma pressão extra sobre os ombros dos jogadores, ao prometer a vitória. No entanto, provando que a empatia, recém-criada no grupo, começa a funcionar, os Lions perdem. Mas fazem-no de forma guerreira. Lutando bravamente. E prometendo uma alegria para breve, aos seus adeptos.
Transversal à história, existem duas situações similares. Julie (Aimee Teegarden) e Matt (Zach Gilford). Tim (Taylor Kitsch) e Lyla (Minka Kelly). No último caso, parece ser mais aquilo que separa ambos, do que o que os une. Mas a atracção física, a réstia de amor, fala sempre mais alto. Mesmo que Tim tenha deitado fora, numa das suas crises existenciais, a bolsa de estudos. Ou que, como medida de preservação da própria Lyla, tenha deixado a relação cair no esquecimento. Tim sempre foi assim. Imaturo, na maioria das situações, mas generoso nos afectos. Logicamente que todas as quezílias que poderiam existir (relembro o esforço denodado de Lyla, na terceira temporada, para que Tim acabasse o curso e conseguisse o tão almejado passaporte para fora de Dillon) se dissipam no meio dos lençóis, com os corpos mitigando as saudades. É uma Lyla mais solta, mais alegre e desinibida, aquela que regressa da Universidade. Como se tivesse aceitado o facto, finalmente, de que Tim Riggins é assim, imutável, apesar dos esforços. Conseguimos, com enorme facilidade, torcer pela felicidade do casal, sabendo no entanto, lá no fundo, que ela nunca acontecerá. O ideal de vida de Tim, de uma assustadora simplicidade [trabalhar na oficina do irmão enquanto Lyla se torna a contabilista do negócio] esbarra na personalidade mais ambiciosa da namorada.
Julie sempre manteve uma relação algo tensa com a mãe. E a conexão sofre nova crispação quando Julie resolve, a meio da semana de aulas, ir a um concerto, com Matt, durante dois dias. A jovem, tal como Landry (ver mais à frente) procura confortar o namorado, tentando evitar uma possível depressão do jovem. É também uma tentativa de imunizar a relação entre os dois, que tem sofrido alguns abalos recentes. E se, no caso de Tim e Lyla o “adeus” final de ambos, na paragem de autocarro, é prenuncio do fim da relação, o concerto em Austin, para Julie e Matt, funciona como uma descarga emocional, uma catarse, que purificará a afinidade entre ambos O medo de perder Matt, leva Julie a abrir a alma, aliando o “stay” ao “I love you”.
Landry (Jesse Plemons) teve, neste episódio, algum protagonismo. É outra personagem que aprecio bastante. Sincero, íntegro, fazendo do termo amizade uma palavra cheia de sentido, procura ser, de forma algo desajeitada, o ombro amigo de Matt, no pós-luto. É também autor de uma declaração amorosa, que roça entre o hilariante e o patético. Mostrando que, dentro dele, ainda continua a ligação utópica a Tyra, pressente-se que Landry poderá ter uma relação frutuosa com Jess (Jurnee Smollett). Pese a bofetada que leva, no final da referida ode amorosa…
Não seria um episódio de FNL se não aparecesse o vilão de serviço. O jovem McCoy (Jeremy Sumpter) passou, num ápice, de um rapaz imberbe, sufocado numa educação severa, para um fanfarrão, inchado de arrogância, como se a liberdade alcançada [algo inexplicável, diga-se, pois o pai vive obcecado em transformar o filho num prodígio do futebol americano] o tivesse intoxicado. Foi uma cena breve, mas que serviu para realçar a nova lealdade: Vince (Michael B.Jordan) e Luke (Matt Lauria) formam agora uma parelha, dentro e fora do campo. A primeira – e mais importante vitória de Eric, unindo duas personalidades distintas.
O Melhor: a)As pequenas entrevistas, feitas pela equipa de TV, aos jogadores dos Lions, antes do jogo. Uma das melhores cenas!
b) A sequência entre Lyla e Becky, como se esta fosse uma passagem de testemunho, no que respeita a Tim.
c) Se no episódio anterior Matt brilhou, Julie prosseguiu as notáveis interpretações, desempenhando bem o papel de uma namorada perdida num turbilhão de emoções. Notável o desempenho.
O Pior: a) A cena final, com Matt a partir. Sinceramente, depois de tudo, não esperava vê-lo partir, sem destino, ao som de Bob Dylan. Como diz a música “So long honey, babe Where I’m bound, I can’t tell…”
b) JD McCoy está transformado numa mera caricatura. As breves aparições do jovem servem apenas o propósito de criar um antagonismo forçado com Luke. Depois de tudo o que ele passou, na terceira temporada, merecia algo mais o membro mais novo do clã McCoy, do que ser o desprezível de serviço…







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Bem, isto é Friday Night Lights e esta série não faz episódios maus, mesmo naquela estranha segunda temporada os episódios eram bem acima da maioria da tv americana. Dito isto, fiquei muito desiludido com a despedida do Matt. Podiam ter feito muito melhor.
Quanto ao JD, esta personalidade que ele está a mostrar agora foi aquela que eu sempre vi nele. Nunca gostei dele e fiquei contente que ele tivesse sido renegado para segundo plano. Quanto à inconsistência, não concordo. Passou muito tempo desde a ultima vez que o vimos e as pessoas mudam. A falsa importância que tem subiu-lhe à cabeça e está cada vez mais parecido com o pai.
Para finalizar: a Lyla é toda boa. Mesmo.
Ricardo, quando falo da inconsistência do JD McCoy, é apenas no sentido familiar. Ele era uma espécie de prisioneiro, vivendo numa redoma, mantido pelo pai, naquele estilo férreo…
Só estranho que, de um momento para o outro [e tendo em conta o passar do tempo, de uma temporada para outra] o jovem tenha agora uma liberdade extrema, como se o futebol tivesse sido relegado para segundo plano. Vemo-lo a sair à noite, a entrar em diatribes com os amigos. Acho algo forçado, dado que não é coerente com o conhecíamos anteriormente.
E claro, a Lyla é boa. E de que maneira :wink1:
Nisso tens razão. A explicação mais provável é que com o lugar de quarterback garantido, o pai tenha parado de o pressionar tanto.
O jovem McCoy passou, num ápice, de um rapaz imberbe, sufocado numa educação severa, para um fanfarrão, inchado de arrogância, como se a liberdade alcançada [algo inexplicável, diga-se, pois o pai vive obcecado em transformar o filho num prodígio do futebol americano] o tivesse intoxicado
Eu não podia concordar mais. Entre temporadas passam-se sempre cenas estranhas nesta série. Não percebo a mudança aqui desta personagem, não sendo ela tematizada ou debatida. Passa-se de um gajo que até bateu no pai (mas há dúvidas que o pai nunca mudaria de comportamento perante o filho? Ele até a mulher ostraciza!!) para alguém que vive a fazer o que quer. Até a festas vai e embebeda-se. A série falha nesta contextualização. E já vem de temporadas passadas (personagens desapareceram e nada se disse sobre elas).
LOL Aquele tipo que estava na custódia do Buddy que desapareceu de repente? A namorada do Smash? Pois. Comparado com isso a mudança do pai do JD e a razão para ficar do Matt parecem pequenas.
Exacto. Estes erros de algibeira irritam-me. Não tiram o brilhantismo à série, mas são aspectos negativos a apontar.