[SPOILERS] Se pudéssemos ter uma vista aérea de Dillon, provavelmente apareceria uma povoação banhada pela luz solar, esplendorosa. Uma pequena urbe, aparentemente idílica, com o centro urbano a coexistir com a imensidão de verde, dos campos adjacentes. Um cenário bucólico, propício a uma vida sossegada. Mas isso, repito, se arranhássemos apenas a superfície. Porque a pequena povoação é dilacerada por pequenos dramas, entremeados com algumas alegrias.
Luke (Matt Lauria) é confrontado com a dura realidade da vida. Um embate entre o trabalho árduo na fazenda do pai versus a escola/futebol. A falta de dinheiro no agregado familiar obriga o jovem a faltar às aulas [e consequentemente aos treinos] para ajudar o pai nas tarefas do campo. A solução encontrada não é a ideal. Trabalhar de noite, na fazenda, e frequentar normalmente a escola, tem óbvias repercussões físicas no jovem. Mas é também aqui, neste pequeno drama, que se verifica a enorme extensão do trabalho de Eric (Kyle Chandler) a construir a equipa. E é um desses fundamentos básicos implementados pelo treinador (a amizade, o esforço corporativo] que aparece, como tábua de salvação.
Julie (Aimee Teegarden) vive igualmente a crua realidade, sem os rendilhados românticos. A vivência pós-partida de Matt (Zach Gilford) é dura, obrigando a jovem a refazer, como pode, o seu dia-a-dia, nem que para isso se tenha que se inscrever em todos os clubes existentes na escola. De um momento para o outro, ao lado de Landry (Jesse Plemons) [voluntariado à “força”] e Jess (Jurnee Smollett), Julie entra na competição inter-escolas num concurso com similaridades ao “Sabichão”. Julie continua a estar num patamar de excelência, notável na composição de uma namorada magoada, melindrada, em que cada acção, cada situação, a fazem recordar de Matt. Brilhante a cena na competição, quando cabe à jovem responder a uma pergunta sobre literatura, em que as respostas, soluçadas, vincam bem a importância de Matt na sua vida.
No braço de ferro que parece existir, neste episódio, entre as distintas realidades profissional e pessoal, Tami (Connie Britton) atinge o cume do êxito, na vida académica, conseguindo um prémio de excelência para o liceu de Dillon. E a comemoração, a preceito, acontece num karaoke, mostrando outra faceta de Tami. Alegre, desinibida, longe da esposa tensa e preocupada das últimas aparições. E o inevitável acontece. Glenn (Steven Walters), professor na escola, tenta a sorte na afeição da esposa de Eric. Nada a que ela não se saiba furtar, com a elegância habitual…
Vince (Michael B.Jordan) continua um namoro periclitante com a lei, vivendo no fio da navalha. A equipa de East Dillon recebe uma visita inesperada, na altura em que o jogador tem uma prenda de Natal antecipada: ser o quarterback da equipa, posto de enorme responsabilidade e de grande visibilidade. A visita falada atrás fica por conta da polícia, que revista o cacifo de Vince à procura de uma arma, depois de uma denúncia. De quem? Pois, aí reside o mistério, mas seria interessante que a trama viesse a adensar os futuros episódios. Terá sido Luke, desgostoso com o recente protagonismo de Vince? (hipótese que me parece remota, dado a amizade criada em condições difíceis). Ou terá sido uma partida dos McCoy? (algo que apimentaria ainda mais o jogo entre as escolas de Dillon, no futuro próximo). Felizmente, a busca policial nada encontra mas o ar de apreensão no olhar de Eric mostra bem o quão fácil é para todos acreditar que Vince poderá ter uma recaída, a qualquer momento. No final, para já, prevalece o bom senso. A confiança, construída a custo, entre jogador e técnico, tem o seu epicentro na entrega da arma, por parte de Vince, àquele que comanda os destinos da equipa.
Os irmãos Riggins sempre sentiram na pele as agruras financeiras, algo que se veio a adensar com a gravidez da esposa de Billy (Derek Phillips). E, quando as contracções surgem prematuras, está lançado um dos temas quentes da sociedade americana: o dos cuidados de saúde privatizados, cujos serviços, mesmo básicos, só estão ao alcance de quem possui um plano de saúde caro. Claro que a solução, pouco ortodoxa, é a “cara” dos Riggins: um chá para o bebé, como forma de angariar dinheiro, com as amigas strippers a exibirem as suas habilidades. Engenhoso! Pena as prenunciadoras nuvens negras no horizonte próximo, caso a cobiça [e necessidade] de Billy o levem a aceitar o convite do amigo mais próximo de Vince [e que cheira a sarilhos à distancia].
O outro irmão Riggins, Tim (Taylor Kitsch), continua a alternar momentos sensíveis com outros onde a notória falta de tacto o tornam um imbecil andante. Explico melhor: Becky recebe a visita do pai, um camionista que, pelo que se percebe, adora a rapariga. Mas o progenitor mantém, conforme explica numa confidência a Tim, outra família e outra filha. Apesar dos apelos para que o ex-jogador nada conte a Becky (Madison Burge), não é que o “bronco” lhe atira o facto à cara? Compreende-se a génese de tal acto, pela semelhança com a sua própria infância, com o pai ausente, mas daí até à falta de sensatez pela revelação, vai um grande passo. À boa maneira de Dillon, tudo se resolve à força de punhos.
O Melhor: A cena entre Regina (Angela Rawna), mãe de Vince, e Eric. Notável, bem dentro do estilo a que “FNL” nos habituou. Uma mãe que, pese os enormes problemas em que vive, adicta de vícios que a vão desgastando, ama o seu filho. E demonstra-o ao treinador, num agradecimento singelo e tocante.
Outra sequência, igualmente excelente, envolveu Tinker (Lamarcus Tinker), um dos Lions. A ajuda altruísta a Luke e o discurso subsequente, ao renitente pai do novo recruta da escola, são um dos momentos altos do episódio.
Landry, claro, tinha que ter direito a constar na tabela dos melhores momentos. A sua cena, falando para o voice-mail de Tyra, aguardando pacientemente por ela é, como sempre, deliciosa, alternando entre o humor [a tirada sobre os guardas do palácio de Buckingham] e o drama.
O Pior: Continua a saga, bizarra, de Matt, contrariando tudo o que a personagem era. A partida abrupta era, por si só, inexplicável. Sim, poderíamos sempre justificá-la pela perda do pai, que emocionalmente exigiu bastante dele. Mas, mesmo assim, sentíamos que algo não batia certo. Matt não é assim. Não bastava isso, e durante este episódio ficamos a saber mais. Que o jovem, aparentemente, se instalou algures, comunicando o facto à avó. E Julie, como fica nesta equação? Caramba, este pormenor irritou-me solenemente. Não sei se estava prevista a partida de Matt. Se sim, bem que se poderia ter encontrado outro rumo para a ele, que não desvirtuasse três anos inteiros em que a personagem foi laboriosamente construída.





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Este episódio foi para a Aimee Teegarden, muito bem!
Eventualmente o Matt irá entrar em contacto com a Julie espero eu, se não entrar é mesmo desvirtuar a personagem. Compreendo perfeitamente porque teve que “sossegar” logo a avó, antes da Julie. Dava um traque à avó se não fosse “sossegada”.
Mais um episódio bem montado à FNL.
:4meio:
Inteiramente de acordo quanto à performance de Aimee Teegarden. Para além da carinha laroca, a miúda tem talento.