[SPOILERS] A vida é feita de altos e baixos. E “Nip/Tuck”, apesar de se auto-intitular como “uma série dramática perturbadoramente perfeita” não é imune a estas oscilações. A semana passada foi para esquecer. Esta semana passámos, não do 8, mas do 28 para o 80. E ainda bem!
Christian (Julian McMahon) vê-se em sarilhos quando uma sexy fiscal das finanças vem cobrar o amontoado de dívidas que ele acumulou com as suas luxuosas e desmedidas despesas. 457 000 dólares, para sermos mais precisos. Christian pede a Sean (Dylan Walsh) um empréstimo de 150 000 e ele diz-lhe que sim… até surgir alguém mais necessitado de ajuda do que Christian.
Parece que Sean tem um irmão mais novo, há muito desaparecido, que todos julgavam morto, que reaparece em Beverly Hills e lhe pede ajuda. Brendan (Neil Hopkins), assim se chama este rapaz, andou mergulhado no submundo da criminalidade e das drogas, que lhe destruíram a cara, os dentes e a vida. Sean disponibiliza-se a operá-lo, anulando os efeitos nefastos das metanfetaminas, deixa-o ficar no seu apartamento, e tenciona ajudá-lo investindo o dinheiro – que estava destinado a Christian – num pequeno negócio para os trabalhos artesanais dele.
Christian, que sente ameaçada a forte e duradoura irmandade com Sean, começa a mexer os cordelinhos. Mal Brendan se muda para o apartamento, começa a dizer que o seu relógio, botões de punho e outros objectos de luxo têm desaparecido, dando a entender que o irmão de Sean é o responsável pelos pertences sumidos.
Sean opera um amigo de Brendan, também a recuperar do consumo de drogas, que praticamente não tinha nariz: espectacular caracterização! Aquele nariz esburacado era assustadoramente real! Nada se viu, mas penso que podemos depreender que Christian vai à sala de recuperação, dá cocaína ao rapaz e pede-lhe para dizer que tinha sido Brendan a trazê-la quando Sean o apanhasse a snifar. O plano corre na perfeição, e Sean fica convencido que Brendan trouxe a droga para dar ao amigo, logo após a operação… e fica extremamente revoltado. Christian faz um excelente trabalho a “minar” a cabeça de Sean e ele acaba por expulsar Brendan do apartamento e da sua vida. Linda aquela breve imagem das mãos esculpidas em madeira quebradas no meio do chão.
Mais tarde vemos Christian vender os seus pertences e receber dinheiro por eles, para poder pagar as dívidas. Ele falsifica ainda a assinatura de Sean, para poder retirar do capital da clínica o dinheiro que lhe falta.
Ao longo do episódio, além deste lado mais maquiavélico e mesquinho, também podemos ver um lado mais emotivo e humano de Christian quando ele fica a saber o verdadeiro motivo por detrás do pedido de um rapaz para se parecer mais com o seu pai adoptivo.
Benny Nilsson (Luke McClure) é sexualmente abusado pelo próprio pai, um banqueiro que viaja por todo o mundo e que “entretém” os seus colegas de negócios com festas eróticas durante as quais faz sexo com o filho. Ao que parece estas sessões, além de mórbidas, são extremamente lucrativas… mas poderão ser ainda mais se todos pensarem que Benny é, de facto, filho biológico do seu pérfido pai. Por mais doentio e bizarro que isto possa parecer… a verdade é que este tipo de monstruosidade não acontece só nos círculos mais desfavorecidos da sociedade. Foi muito bom ver a ligação afectiva que Christian estabeleceu com este rapaz. Ele, que na sua infância também foi abusado pelo seu pai adoptivo, vê em Benny aquilo que poderia ter sido a sua adolescência… à mercê de um pai… que não é pai.
Ele exige a Mr. Nilsson 400 000 dólares, e em vez de os usar para pagar as suas dívidas, dá a quantia a Benny… que parte para uma nova vida, livre do pai.
Este foi um daqueles episódios que se enquadra perfeitamente naquilo que é a série, no seu Universo. Tivemos momentos de muita garra (como quando Christian agrediu o pai de Benny no átrio da McNamara/Troy) , muita tensão (o conflito Sean-Brendan-Christian), momentos chocantes (a revelação de Benny, as caras destruídas de Brendan e do seu amigo) e de revolta (as mentiras de Christian e a impotência de Brendan).
Voltámos ao caminho certo!
O Melhor: Christian, pela ambiguidade de sentimentos que desperta no espectador, que tão depressa sente uma empatia com ele, como o detesta.
O Pior: A rapidez com que o irmão de Sean chegou e partiu.





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“Voltámos ao caminho certo!”
Veremos por quanto tempo, esta série anda a desiludir-me muito!
E já agora, óptima critica como é habitual.
Obrigado Rita!
Sim, de vez em quando a série “presenteia-nos” com momentos que não são nada dignos da excelente bagagem que traz das primeiras temporadas.
Felizmente o episódio 6×10 – Wesley Clovis não desiludiu. Foi muito, muito bom!
É um episódio ao nível normal do Nip/Tuck que conhecíamos.
:4:
Ainda bem que vão já começar a dar os episódios finais, a ver se ainda salvam alguma honra do período negro chamado 5ª temporada.
É uma pena que a série vá acabar. :awwman:
Vai me custar não ter mais “Nip/Tuck” para ver e despedir-me destas personagens e das suas vidas alucinadas… mas estou ansioso por devorar os últimos 9 episódios!