[SPOILERS] É tempo de regressar a Nova Iorque. Não fisicamente, claro, mas pelo menos no mundo virtual, de forma a acompanharmos de perto as aventuras – interrompidas pelas festividades do final de 2009 – de Castle, Beckett e Cª.
De Castle (Nathan Fillion) podemos esperar tudo. Literalmente. Aquela imaginação delirante e hiperactiva permite-lhe criar imensos cenários de fantasia. Não será, por isso, muito estranho se o encontrarmos a fazer pesquisa. Não sentado numa vulgar cadeira, dedilhando o mundo da Internet, onde as respostas estão à distancia de um clique. Bem, sentado numa cadeira, ele até está, mas amarrado com fita isoladora, a forma aparentemente mais fácil de resolver um intrincado mistério: como desenvencilhar a sua personagem favorita – Nikki Heat – de situação similar, no seu novo romance?
Enquanto ele se debate com questões tão profundas, um casamento, prestes a realizar-se, é abalado pela descoberta de um cadáver da dama de honor. Se os ditados populares dizem que dá azar ver o vestido de noiva antes do altar, o que dirão em ver uma participante no casamento com a garganta esmagada por um estrangulamento brutal?
Tornando ainda mais surreal um dia que se pretende de suprema felicidade, Castle conhece a noiva, Kyra Blane (Alyssa Milano). E conhece-a da forma mais íntima, dado que foi seu parceiro romântico, num passado não muito distante, tendo inclusive dedicado-lhe um dos seus livros de sucesso.
Como o casamento se realizava num hotel, temos um cenário digno de qualquer livro policial, tão do agrado de Agatha Christie. Um ambiente fechado, perfeitamente controlado, com o potencial assassino a ter que ser, obrigatoriamente, um dos presentes na festa.
Para baralhar um bocado mais as pistas, a equipa de detectives descobre que Sophie – a dama de honor estrangulada – tinha requisitado os préstimos de um traficante, com um pedido, no mínimo, singular: rohypnol, a droga predilecta dos violadores. Terá a mesma alguma coisa a ver com a morte violenta da jovem?
A história é algo sórdida. O noivo tinha mantido, igualmente, uma relação de carácter sexual com Sophie, que esta procurou ressuscitar, escolhendo uma data emblemática. O propósito é, obviamente, descoberto no final. Teddy (Graham Beckel), tio do noivo, e seu testamenteiro, regia o fundo fiduciário deixado pelos avós deste, até à data do casamento. O problema é que Teddy tinha esbanjado, anos a fio, a descomunal fortuna. A única forma de não ser descoberto era impedir a realização do casamento. Quando o plano não resulta, o assassinato surge como solução de improviso.
O Melhor: A sequência referida no primeiro parágrafo, com Castle obsessivamente a recriar a situação em que colocou a sua personagem, procurando que a mesma resulte autentica ao leitor. Os malabarismos, a perícia, o grau imaginativo, tudo misturado num excelente momento de humor, casando na perfeição com as características da personagem encarnada por Nathan Fillion. Como ele diz, ao justificar o seu atraso na chegada à cena do crime, “fiquei amarrado no trabalho”. Mais palavras para quê?
O genuíno afecto que existe, na interacção entre Castle e Kyra. Mais do que palavras, o brilho nos olhares, as expressões de comprometimento, denotam que ali residiu um grande amor [e uma fotografia de ambos, guardada sigilosamente num livro, ajuda a comprovar isso mesmo]. E esta, pese já estar enterrada no passado, ainda consegue tirar o discernimento a Castle, refreando o seu habitual tom jocoso. Finalmente, a capa com que Rick Castle tapa a sua verdadeira personalidade, tornando-a um playboy frívolo e bon vivant, sofre aqui uma brecha, que deixa antever o seu interior. Um homem comum, capaz de amar perdidamente. E, quando o casamento se realiza, dias depois, é Beckett (Stana Katic) que apanha o bouquet lançado pela noiva. Premonitório…
O Pior: O mesmo de sempre, já por aqui dissecado. A fórmula rotineira do caso da semana colocou a série numa espécie de viagem em piloto automático, sem grandes rasgos de criatividade. Tudo é previsível, furtando uma maior emoção ao espectador. Poderia existir uma trama central – a demanda pelo assassino em série, que vitimou a mãe de Beckett – mas a mesma parece, depois de aventada no final da primeira temporada, ter-se eclipsado da mente do argumentista. Utilizando uma linguagem futebolística, Castle poderia ser um jogador imprevisível, de que se aguarda sempre um golpe de magia, uma estrela com predicados acima da média. Mas assim, é apenas um operário, sem nada que o distinga. Joga, cumpre, mas sem qualquer ponta de brilhantismo. Um nome que nunca entra no léxico dos amantes do desporto-rei.

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Fiquei surpreendida (pela positiva) com a química entre Castle e a noiva. Serviu, como referes, para lhe dar uma faceta diferente do habitual. Gostei!
Gostei bastante deste episódio, principalmente com a química entre Castle e Krya e também como Beckett se sentia ciumenta.
Mesmo muito bom!