[SPOILERS] Cá estou a apresentar-me ao serviço. Obrigado ZB pela oportunidade e voto de confiança. Como começarei as fazer as críticas à terceira temporada de “Damages”, penso que será oportuno um breve resumo da minha opinião sobre a série.
A primeira temporada é, do meu ponto de vista, notável a vários níveis, não só pela qualidade das interpretações e ritmo frenético imposto mas porque, ao nível de argumento, revolucionou a fórmula “um caso por semana” que tão acostumados estávamos a este tipo de série. Prendendo o telespectador numa teia inteligente e bem construída, fomos brindados com alguns dos melhores episódios de televisão dos últimos tempos. Se a primeira temporada foi intocável a segunda, apesar dos méritos, que os tem, foi mais inconstante. Foram demasiadas as linhas narrativas a explorar e, com isso, a série perdeu alguma consistência. Apesar de um season final muito bom ficaram, como o ZB disse, e bem, na altura, algumas pontas soltas. E esta era a dúvida para a terceira temporada da série. Iriam os argumentistas pegar nas histórias por fechar da segunda temporada ou abraçariam novos caminhos narrativos?
E entramos assim na crítica à season premiere de “Damages”. O início é “a la 24”. Usando uma técnica popularizada pela serie protagonizada por Kiefer Sunderland, ecrã repartido em acções paralelas, a série faz um resumo do que foi as temporadas anteriores. O que me suscitou reacções distintas. Se, por um lado, foi bom e oportuno para mergulharmos de novo na essência de “Damages”, por outro, sublinhou aquilo que deixaram mal resolvido para trás: Wes, Purcell, Kate etc. Assim sendo, os argumentistas lançam as regras do jogo: esqueçam o que ficou mal resolvido para trás e mergulhem nesta terceira temporada.
Dividamos então a análise ao episódio.
Caso da Temporada: À primeira vista este caso parece-me algo mais simples, pertinente e até mais interessante que o caso da temporada passada, mas estas conclusões só o futuro validará (ou não). No centro está Louis Tobin (Len Cariou), condenado a prisão domiciliar. Motivo? Ser o mentor da maior fraude de sempre de Wall Street (Madoff, anyone?). Por confirmar está se a sua mulher, Marilyn (grande Lily Tomlin), a sua filha e, principalmente, o seu filho Joe (Campbell Scott) são cúmplices de todo o caso. Lançado para arena é também o advogado da família Leonard Winstone (Martin Short) que me parece ser uma personagem um pouco na linha do que foi Ray na primeira temporada. A ver vamos se se concretiza o potencial mas até agora foi dos elementos que mais atenção me despertou. A defender as vítimas está, como é claro, Patty Hewes (Glenn Close). À partida, a mãe Tobin parece-me que esconde bastante mais do que revela e que o Joe não fazia ideia do esquema do pai. Mas estamos muito início e em “Damages” tudo pode mudar. Quanto a Ellen (Rose Byrne), pelos vistos é de perdão fácil e continuou com a sua vida estando na divisão de Narcóticos do Ministério Público (que, curiosa e ironicamente trabalha também no caso Tobin).
Linha Temporal: O motor de todo o conceito de “Damages”. E se na segunda temporada o que nos prendia, apesar de interessante não arrebatava, aqui os argumentistas voltam a beber da fórmula que lhes deu sucesso e matam uma das personagens: Tom (Tate Donovan). Isto quando seis meses antes vê o seu nome na firma: Hewes & Shaynes. O que vai acontecer durante estes seis meses que o leva do ponto mais alto da sua carreira a viver sozinho de forma miserável e ser encontrado morto num caixote de lixo é o que nos prenderá durante esta temporada. Até porque a morte do confidente de Patty parece estar, de alguma forma, relacionada com o caso Tobin visto que o número que Joe dá a Patty é de um sem-abrigo que é encontrado ao lado de Tom e que tem a mala, ensanguentada, que Patty deu a Ellen. É interessante como uma personagem aparentemente simples e sem poder (ao contrário de todas as outras das três temporadas) parece ser o elo de ligação de toda a trama. A seguir com bastante interesse.
Por fim, gostaria só de comentar dois pontos: o primeiro é que Tom pareceu-me muito interessado no caso de Ellen. Terá sido só impressão minha? O segundo para sublinhar o mistério que é a personagem Julian Decker (Keith Carradine). Quem é este “espécie de arquitecto”? O que motivada a procurar Patty? Respostas que serão dadas durante a temporada.
Concluindo, se nos abstrairmos de todo o que ficou por resolver antes, este season premiere foi realmente bom. Com uma intrincada narrativa, o episódio articulou muito bem o caso da temporada com os saltos temporais. Quando o episódio acabou, num dos seus famosos finais, tive vontade de ver logo o segundo. E este é o melhor elogio que se pode fazer a “Damages”.





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Bem-vindo PR!
Ainda bem que temos alguém a acompanhar Damages. Eu tenho a 1ª temporada em DVD, já vi metade e estou desejoso de ver como termina. A 2ª temporada ainda não lhe toquei.
Portanto não sabia se devia avançar agora para a 3ª, e acompanhar à medida que ia dando nos EUA. Como vi nalguns lados que íamos ter um novo arco principal de temporada e que ninguém dizia nada acerca da continuidade das histórias da 2ª temporada, achei por bem começar já a ver.
Aquelas imagens no início foram espectaculares e só me aguçaram mais a vontade para ver com atenção tudo o que se passou nas primeiras duas temporadas.
Dito isto, devo dizer que gostei imenso deste início de temporada. A inevitável ligação ao escândalo Madoff é óbvia. Porém vê-se que esta família tem muitos podres escondidos e muito suminho que com certeza a Patty há-de espremer.
- Foi interessante ver como ela à distância continua a controlar a vida da Ellen, quase de certeza que foi ela que arranjou aqueles capangas para destruirem a mota daquele homem que estava relutante em denunciar o traficante para quem trabalhava!
A conversa delas as duas na casa de banho… ui!
- E toda a história da mala, deixou-me com a cabeça a andar à volta. Como é que ela foi aparecer ensanguentada na barraca de um mendigo? Juntamente com o cadáver do Tom?
- Quanto á família Tobin, não sei se o Joe é tão choninhas quanto aparenta. E a mãe de certeza que sabe muito mais que o que diz!
- Relativamente ao sem-abrigo, além de aparecer no futuro ele também aparece no presente, é ele que tem o telemóvel para quem a Patty liga. Será que os Tobin o estão a utilizar e meteram todo o dinheiro que desviaram no nome dele?
Ainda é cedo para mandar palpites!
Dúvidas, dúvidas… :whistle:
Excelente crítica!
Obrigado Ramos. =)
Apesar de concordar que a segunda temporada é mais fraca que a primeira acho que não se deve partir para a terceira sem acabar a anterior. Isto porque se é verdade que alguns arcos narrativos cairam em esquecimento, o principal – a relação entre Patty e Ellen – continua e será complicado perceber algumas das nuances da sua relação sem ter o background.
Em relação a esta temporada parece-me um belissimo arranque. A ver vamos se conseguem manter a consistencia durante toda a temporada.
Será que os Tobin o estão a utilizar e meteram todo o dinheiro que desviaram no nome de um mendigo?
Epa custa-me um bocadinho a acreditar nisso. Mas nunca se sabe!
a relação entre Patty e Ellen – continua e será complicado perceber algumas das nuances da sua relação sem ter o background.
Pois esse é o problema.
Deu para sentir o clima no ar, mas quando a Ellen falou em segredos em fiquei a nadar.
Mas tenho mesmo de ver agora a 3ª temporada, senão é um ciclo vicioso, vou adiando e adiando. Depois metem-se coisas à frente e é uma treta!
hman:
Como Nip/Tuck entretanto termina vou ficar com mais tempo para Damages.
Pois, é normal! Mas assim que tiveres tempo vê. A primeira é excepcional. A segunda os argumentistas empolgaram-se e atiraram para demasiados lados. Mas, mesmo assim, é muitooooo melhor que muita coisa má que por aí anda :muahaha:
Estou a acompanhar o Damages no AXN por isso ainda faltam alguns eps para acabar a 2ª temporada. A Gleen Close é uma senhora actriz!!!!
É mesmo, Pedro.
Bem-vindo PR! Damages é daquelas séries em que gosto mesmo de ler as criticas porque com tanto mistério e salto temporal, nada como outra pessoa para me organizar o pensamento =P
Depois da temporada passada este foi um grande arranque. Cheio de drama, como esta série tão bem sabe fazer, deixando-nos de boca aberta a tentar juntar as peças. Neste caso, já influenciada pelo rebuscado que eles são, fiquei a pensar que tinha sido a Ellen a contratar os rufias e depois levei o “rebuscado” a outro nível e pensei que a mala que a Patty lhe deu tinha uma escuta. Claramente que tenho de ir ver qualquer coisa mais light a seguir…
Olá Carolina,
Obrigado pela recepção
“fiquei a pensar que tinha sido a Ellen a contratar os rufias”
Pensei exactamente o mesmo mas pelos vistos foi mesmo a Patty
“e depois levei o “rebuscado” a outro nível e pensei que a mala que a Patty lhe deu tinha uma escuta”
:goodone1: mas olha que capazes disso eram os argumentistas
Eu suspeitei logo da Patty porque me lembrei que ela logo no Piloto da série fez algo muito parecido: mandou abatar a cadela da Katie só para que ela pensasse que tinha sido alguém do lado do Frobisher a ameaça-la e se decide-se a testemunhar!
A diferença é que desta vez a Ellen percebeu que a Patty tinha mexido os cordelinhos…
Sem dúvida nenhuma este episódio foi melhor que grande parte
da temporada passada. Teve o feeling Damages da 1ª temporada.
No flashforward repararam no que estava dentro do carro que bateu na Patty? Parecia aquela peça que serviu para matar o David na 1ª temporada, ou eu estou a ver coisas…
:4meio:
Também reparei nisso. Era sem dúvida um pequena estátua da liberdade que estava no lugar da frente.
Mas não me pareceu que fosse igual à utilizada para matar o David… parecia menos grossa, num tom mais esverdeado… não?
Estive a rever a cena e de facto é uma estátua da liberdade, mas não me parece igual a que matou o David.
Agora que penso nisso, faz algum sentido que se fosse a Ellen a conduzir o carro tivesse ficado magoado e largado a mala ensanguentada. E aí o sem-abrigo poderia te-la encontrada…
Mas já são demasiadas suposições para um primeiro episódio =)
antes de mais bem vindo PR :cool7:
quanto ao episódio, gostei bastante, foi um belo arranque, que parece ter mais pernas do que a 2ª temporada, veremos se mantém a qualidade.
quanto à trama, esta parece mais simples, a mãe sabe claramente mais do que diz, e o filho parece-me saber pouco, mas como isto é Damages, nem tudo o que parece o é.
e a Ellen ao contrario do que ela propria diz não perdoou a Patty, por isso é que acho que no carro do Tom ou ia a Ellen ou alguem a mando dela.
o Tom morrer é uma grande jogada, agora ficamos em pulgas para saber o porquê e quem.
só achei demasiado rapido o detective encontrar o mendigo
o Julian, parece-me demasiado interessado na Patty
:4:
Obrigado musicslave!
Sim a teoria que é a Ellen a conduzir o carro é uma forte possibilidade até porque justificaria, como disse em cima, a mala ensanguentada. Mas ainda é demasiado cedo.
E sim o Julian parece ter claramente um objectivo com esta aproximação. É aguardar pelo próximo episódio =)
E ela ia fugir e deixar a mala no carro?
Pelos documentos dentro da mala ou pelo sangue a polícia ia chegar logo a ela.
Acho que se a Ellen se quisesse vingar da Patty não ia ser tão burra…
… Mas nunca se sabe!
Vamos mesmo ter de esperar! :damnnn:
Depois da desilusão que foi a season 2, este arranque soube-me mesmo a pouco, pois por mim, via já o episódio 2.
Bem-vindo.
Partilho do entusiasmo dos demais. Este episódio realmente foi excelente. Mesmo tendo sido semi-spoilado sobre a morte do Tom, achei aquela sequência final soberba. Também gostei da inovação com o “previously on”.
o número que Joe dá a Patty é de um sem-abrigo
Bem, o número não será propriamente do sem-abrigo. Já se viu que ele arrebanha tudo o que encontra e provavelmente o telemóvel foi deitado fora pela pessoa para quem o Tobin ligou de modo a que não se descobrisse que existe uma ligação entre ambos (seja quem for).
:4meio: