Desperate Housewives: 6×11 – If… (ABC)

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[SPOILERS] A queda de um avião em Westeria Lane foi a tragédia da temporada e agora, depois da pausa para o Natal, este episódio marca o rescaldo desse incidente. E qual a pergunta que toda a gente faz sempre que algo corre mal? E se não tivesse acontecido? …Se?

É no hospital, enquanto aguardam por novidades ou recuperam dos seus ferimentos, que as senhoras embarcam numa viagem mental por um mundo paralelo, onde escolhas diferentes das que elas fizeram ao longo das suas vidas lhes trariam diferentes destinos.

E se Susan (Teri Hatcher) não se tivesse divorciado de Karl (Richard Burgi), quando descobriu que ele a traía?

Depois de apanhar batom na camisa do marido, Susan, lutando pela união da família e pelo futuro de Julie, decide permanecer casada com Karl, mesmo depois de ele confessar que a traiu várias vezes, com várias mulheres. Ela engole o seu orgulho… e várias bolachas. Anos depois, quando Mike (James Denton) chega a Westeria Lane, Susan está gorda e o seu casamento à beira da ruína… de tal forma que ela tenta seduzir o canalizador. Infelizmente ele não está interessado. Apesar de ela se esforçar por recuperar a forma, também Karl a deixa. Desolada, Susan vê o marido ir-se embora, e, do outro lado da rua, Mike casado com uma elegante loira que está à espera do primeiro filho de ambos.

De volta à realidade, os médicos informam Susan que Karl não sobreviveu aos ferimentos e morreu.

Depois de tomar conhecido da morte do seu novo amor, Bree (Marcia Cross) ficou histérica e teve de ser sedada. Durante o seu sono ela começou a sonhar: Como seria a vida se Karl não tivesse morrido?

Surpresa das surpresas, ao voltar mais cedo depois de servir o catering para um casamento, Bree apanha Karl na cama com a sua instrutora de ioga. Curti estas linhas:

Instrutora: I’m so sorry Bree… No charge for next month, ok?
Bree: Like I’m keeping you?!… Get the hell out of my house!
Karl: She’s going…
Bree: I’m not talking to her!

O casamento deles termina, claro.

Dez anos depois, Bree é contactada pela senhoria de Orson (Kyle MacLachlan). Ele morrera de ataque cardíaco, sozinho, num apartamento onde abundavam livros… e fotografias dos tempos em que ele estivera casado. Desde o divórcio que nunca mais conhecera ninguém… e, segundo a senhoria, só falava de Bree. Ela olha para as fotografias, sufocada em culpa e arrependimento por tê-lo abandonado.

Ao acordar, no hospital, os médicos dizem a Bree que Orson sobreviveu… Mas que corre o risco de ficar paralisado.

Entretanto, quando fica a saber que Mona Clark (Maria Cominis), apesar de ter sido atingida pela asa de um avião, ainda está viva e com hipóteses de recuperar, Angie Bolen (Drea de Matteo) começa a reflectir: E se Mona sobrevivesse?

Enfermeira: …Your friend is a real fighter. She’s hanging in there.
Angie: How?! She got hit by a plane!
Enfermeira: Doctors couldn’t believe it either. I don’t know if you are religious, but now would be the time to pray.
Nick: Oh… Believe me we will! Dear God please take that blackmailing bitch home now.
Angie: A freakin’ plane hit her! What’s it gonna take? A silver bullet?!

Angie começa a pensar… e vê-se num uniforme laranja. Presa. Ela pede para falar com Nick (Jeffrey Nordling). O agente do FBI (o mesmo a quem Nick telefonara no episódio 6×08 – “The Coffee Cup”) diz-lhe que Nick é um traidor. E que Tyler/Danny (Beau Mirchoff) está com a mãe de Angie. Depois ele questiona-a acerca de um tal Patrick Logan. Ao que parece este homem, um ex-amor de Angie, geria algo (empresa, organização, gang, quadrilha?) e, com ele desaparecido há mais de dezoito anos, todas as culpas recairiam sobre ela.

Angie diz-lhe que há dezoito anos que não fala com Logan, desde “aquela” noite. Presumivelmente a noite do incêndio em que morreu um homem. E que não passou este tempo todo a fugir da polícia mas de outra(s) pessoa(s). O agente diz que conhece Logan, e que sabe o quão assustador ele é…. Mas que a situação em que Angie se encontra é pior. Ela responde que então ele não sabe o quão assustador Logan é.

No julgamento, Angie ainda pede desculpas honestas à família de Sean, o homem que morreu. Diz que leu todas as notícias que saíram nos jornais sobre ele e que tem consciência do sofrimento que trouxe à comunidade onde ele vivia… especialmente porque, depois de se ter mudado para Westeria Lane, sabe bem o que é morar num bairro e a ligação que existe entre todos os habitantes. Angela Deluca é condenada a prisão perpétua.

Na sala de espera do hospital Angie recebe, aliviada, a notícia de que Mona Clark não sobrevivera.

Também aliviada por Lynette ter salvo a sua filha Celia (Daniella Baltodano), Gabrielle (Eva Longoria Parker) está certa de que a menina está destinada a grandes feitos. Não conseguindo vê-la a triunfar na música, no desporto, ou nas artes plásticas… Gabrielle começa a imaginar: E se a sua filha fosse uma actriz?

Então começa uma caminhada de castings falhados. No início, quando Celia ainda é pequena, a situação é hilariante. Gabrielle, num casting onde a menina tinha de chorar e não conseguia, diz à filha que o pai tinha caído e que não ia sobreviver! E que tinha caído em cima do hamster, que estava MORTO. Crueldade intoleravelmente engraçada. Ou a dar-lhe comida como recompensa quando ela fazia uma cara querida. Depois a situação começou a piorar quando, anos depois, Carlos (Ricardo Antonio Chavira) tenta fugir de casa com Celia para proporcionar à filha um fim-de-semana especial, tentando livrá-la dos castings sem fim a que a mãe a submetia. Num futuro muito distante, Celia é uma mulher como tantas outras, infeliz, desgrenhada, sem dinheiro, cansada… e encarregue da sua mãe, Gabrielle, uma velha que vive de memórias passadas, na casa que outrora partilhara com Carlos, até ele a abandonar, e que agora mais parece uma casa assombrada. Ela ainda sonha com um futuro brilhante para a filha… apesar do estado deprimente em que Celia se encontra.

Gabrielle acorda deste horrível pesadelo e percebe que a filha não precisa de fazer rigorosamente nada para ser especial… simplesmente porque já o é. Gostei bastante que, desta vez, o destaque tenha sido dado a Celia e não a Juanita (Madison De La Garza), como é hábito.

Por último Lynette (Felicity Huffman), que, na sequência do acidente e depois de ter salvo Celia, enfrenta complicações com um dos seus gémeos. E então ela começa a imaginar… e se um dos bebés nascesse incapacitado?

É aí que tem início uma batalha. Uma dura batalha. Primeiro Lynette tem de ser suficientemente paciente para suportar o choro constante do bebé doente. Depois, anos mais tarde, tem de ser suficientemente cruel para se recusar a preparar-lhe uma sandes, para que ele próprio se esforce e a faça. Uma sandes que, no fundo, simboliza a autonomia do rapaz, e que representa uma pequena/grande vitória. Verificamos que os esforços de Lynette são recompensados, quando, passados muitos anos, ela e Tom (Doug Savant) marcam presença na cerimónia de graduação do seu filho. Apesar da sua incapacidade motora, ele consegue, com o apoio da mãe, superar todos os obstáculos. Lynette, já idosa, sente que cumpriu o seu dever e assiste, emocionada, ao discurso do filho.

Ao despertar, Tom diz-lhe que o bebé morreu. Felizmente o outro está bem, e viverá. Gaby agradece-lhe por ela ter salvo Celia e as duas voltam a ser amigas.

O episódio termina com o funeral de Karl.

Num registo notoriamente dramático mas onde o humor também não foi esquecido, a série volta a surpreender e a brilhar. Não é por acaso que este (ainda) é um dos grandes fenómenos da televisão norte-americana.

Para mim, este episódio foi, até ao momento, o ponto mais alto desta óptima temporada. Um exemplo de mestria ao nível da escrita, imaginação, representação, caracterização, cenários. E, acima de tudo, uma verdadeira lição de vida acerca da importância de aproveitar o presente. Da necessidade de pararmos de nos questionar sempre “se… se… se…” e simplesmente vivermos a nossa vida da melhor maneira possível.

O Melhor: Tudo. Foi um episódio espectacular carregado de importantes mensagens.
O Pior: Nada.

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"Trust No One" - Deep Throat, The X Files / Patty Hewes, Damages

18 Respostas para “Desperate Housewives: 6×11 – If… (ABC)” Subscribe

  1. Jota 08/01/2010 às 16:58 #

    Eu fiquei bastante desiludido com o episódio. Apesar dos fortes momentos de Lynette com o possível filho e o seu encontro no final com Gabrielle (únicas partes boas do ep), isto foi outro daqueles episódios com flashbacks e momentos para cada uma delas. Só que desta vez, foi completamente escusado.
    Já para não falar nas vítimas do acidente. Era exactamente o que se esperava. Não houve surpresas. E agora, voltaram a prender Bree a Orson, já que agora ele parece que vai ficar paralítico. Na minha opinião, o episódio está longe de Impressionante.

    • Ramos 08/01/2010 às 20:07 #

      Eu acho que ela não se vai sentir “presa”. Desde que soube que a chantagem dele era bluff que ela já não parecia tão farta ou aborrecida, aliás arrependeu-se até de ter planeado aquela armadilha dele a confraternizar com o ex-recluso.

      E verdade seja dita, apesar de a Bree gostar do sexo com o Karl, ela e o Orson são feitos um para o outro.

      • Jota 08/01/2010 às 21:46 #

        O final do “If” dela apontou nesse sentido. Mas a relação entre os dois já se vem a arrastar há muito tempo. Como o personagem Orson já é um daqueles que toda a gente se quer ver livre. Ao voltarem a colá-lo à personagem da Bree é que a série está a dar um grande passo para trás, na minha opinião. Já era altura da personagem (Bree) ganhar uma trama melhor.

        • Ramos 09/01/2010 às 01:45 #

          Sim é verdade que o Orson já andou muito tempo só a passear-se por lá e não ter um papel “importante” para a história… desde a 3ª temporada +/-.

          Mas pronto, aproveitando o acidente, parece-me que os argumentistas vão pegar nele, dar um rumo à personagem e reaproximá-lo novamente de Bree enquanto enfrenta a paralisia.

          Sinceramente, depois do que eles passaram com a psicopata da mãe dele, achei (quase) sempre que, por muito que passassem, iam acabar juntos.

  2. PR 08/01/2010 às 17:49 #

    Não concordo mto. Foi expecional apenas no ultimo quarto do episodio quanto entra o sonho da Lynette. O resto foi cliché, parvo e inconsequente.
    Mas são opiniões.

  3. ruialvites 08/01/2010 às 19:08 #

    Por acaso pela primeira vez, não concordo com uma nota tão alta. As sequência de Bree, Gaby e Susan foram muito escusados e nem sequer chamaram muito a atenção. O de Lynette foi óptimo pela carga dramática e pela mensagem passada. Já o de Angie trouxe-nos algumas novidades, mas nada de mais!
    Enfim, estes episódios especiais costumam ser melhores nesta série.

  4. ZB 08/01/2010 às 19:19 #

    Vocês pá, o rapaz é preso por ter cão e por não ter. Não lhe dão descanso. :evil:

  5. Ramos 08/01/2010 às 20:00 #

    Vá ok, ok. São opiniões diferentes não vou estar a críticar nem a escrever muito sobre isto.

    Simplesmente gostei muito do episódio. Sei lá. Achei muito engraçada a idéia de terem feito um episódio baseado apenas em possibilidades.
    Tudo bem que a história não avançou grande coisa. Mas foi um episódio com uma mensagem importante e, pessoalmente, achei todos os segmentos muito bons. Desde a infelicidade e o excesso de peso da Susan, passando pela morte do Orson e o arrependimento da Bree, a condenação da Angie, a miséria da Gaby ou a luta de Lynette para o filho superar a sua deficiencia física. Gostei de todos os minutos.

    Relativamente aos mortos, eu não estava à espera de nenhuma revelação bombástica, porque já sabia que o Orson não ia morrer. Logo o Karl ter morrido para mim não foi um choque assim tão grande, mas também não foi por causa disso que achei pior o trabalho feito neste episódio.

    Como digo são opiniões e não podemos estar sempre de acordo. :wink1:

  6. Pedro 09/01/2010 às 16:36 #

    Alguem pode fazer um resumo do q aconteceu na quinta temporada das donas de casa desesperadas a partir do momento em que a Susan e o filho foram andar de barco com o vizinho loiro? Estava a ver a série na FOX à noite mas a partir desse momento perdi o fio à meada…

    • Ramos 09/01/2010 às 21:48 #

      Basicamente a Susan e o MJ iam passar o fim-de-semana com ele.

      Depois ele abriu o jogo e disse-lhe que queria vingar-se dela (por ter sido a responsável pelo acidente que vitimou a mulher e a filha) e fazer mal ao MJ.

      O Mike vê um vídeo onde o Dave confessa as verdadeiras intenções por detrás do inocente fim-de-semana… e vai atrás dele, Susan e MJ.

      Ele avisa a Susan por telemóvel mas ela não consegue escapar do Dave.

      No final corre tudo bem, ele tem uma visão da falecida filha e acaba por não magoar o MJ. Depois é internado num manicómio.

      A temporada termina com a incógnita sobre a identidade da noiva com quem Mike se casa.

      E a sexta temporada começa precisamente no casamento. Chega uma nova vizinha (Angie) com o marido e o filho. Novos mistérios. O caso do Dave ficou arrumado no final da 5ª temporada.

      Começou à pouco a dar um especial na FoxLife com os últimos episódios da 5ª Temporada, antes da estréia da 6ª. :cool7:

  7. R.M. 09/01/2010 às 17:44 #

    Muito boa review. Mas o Karl não deveria ter ido embora…bah

    By the way: “e se Mona sobrevive-se” :noway: –> “e se Mona sobrevivesse” :yeahhh1:

    • Ramos 09/01/2010 às 21:34 #

      Não percebi. :suar:

      Está bem escrito não está? E se Mona sobrevivesse? Pretérito Imperfeito do Conjuntivo.

      • ZB 09/01/2010 às 21:53 #

        Está agora, porque eu emendei. Na altura que publiquei o texto não me apercebi do erro e quando o RM mencionou o mesmo emendei-o.

        • Ramos 09/01/2010 às 22:04 #

          Ok, obrigado aos 2 então.

          Eu normalmente releio antes de submeter para publicação. Mas às vezes lá escapa qualquer coisa. :stupid:
          E este texto acabou por ficar especialmente longo… é mais fácil deixar passar erros.

          • R.M. 09/01/2010 às 22:23 #

            No problemo. A gente fala e resolve-se logo:)

            • Ramos 10/01/2010 às 01:52 #

              Isto aqui é assim!

              O ZB gosta sempre de ter a casa em ordem. :)

  8. Sãozinha 11/01/2010 às 02:01 #

    Gostei deste episódio, mas gostei bastante mais do anterior. As duas únicas notas positivas foram as estórias de Susan e de Lynette. De qualquer maneira, Desperate Housewives continua com fôlego para dar e vender e esta temporada, depois dos desastres de outras, demonstra que é uma excelente série, a ver, sempre.

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