[SPOILERS] Depois de umas retemperadoras férias, as personagens de “Friday Night Lights” estão de volta. Com os seus problemas, alegrias e dúvidas existenciais do quotidiano. De tal forma reais que, muitas vezes, parecem saídos da própria existência de cada um de nós, fazendo com que a empatia espectador/personagem esteja num ponto elevado. Um exemplo: basta ver a primeira cena do episódio. Uma mera situação familiar, com as várias gerações a interagirem, num caos que se repete em milhões de lares, por este mundo fora. Gritos, birras, exasperação, emotividade, num choque entre sentimentos que nos faz sorrir, pela familiaridade da cena. É em Dillon, mas poderia ser em qualquer lado…
Vamos então ver como andam as nossas personagens predilectas:
Julie (Aimee Teegarden) - Depois do abrupto desaparecimento de Matt (Zach Gilford), a jovem procura encontrar o rumo para o seu futuro. Na companhia da mãe, Julie parte para à procura da universidade que melhor se enquadre nos seus anseios profissionais. É uma oportunidade única para ambas solidificarem uma relação tumultuosa, feita de altos e baixos. É uma Julie ainda dividida, entre a mágoa do abandono e a revolta pelo sofrimento, renitente em abraçar o destino que tem pela frente. Crispada, quezilenta, insegura, encontra o amparo perfeito nos conselhos sábios de Tami (Connie Britton). Um bom momento televisivo.
Tim (Taylor Kitsch) – Aparentemente, a antiga estrela dos Dillon Panthers enamorou-se por um bem material, ao invés de mais uma trepidante aventura carnal. Uma propriedade vasta, relembrando-o no intimo do que mais gosta no Texas. O apelo da natureza, no seu estado mais bruto. Como em quase todas as suas resoluções, feitas mais com o coração do que racionalmente, existe um obstáculo irredutível: o preço. Uma quantia inatingível para as posses actuais do mais novo dos Riggins. Paradoxalmente, pese alguma inconstância no seu comportamento, é Tim que se torna num apoio à cunhada, grávida, face às constantes ausências do irmão. Facilmente nos apercebemos que Billy (Derek Phillips) cedeu à tentação de amealhar uns dólares extra, ajudando um dos amigos de Vince a desmontar carros roubados. Na discussão gerada entre os dois, os papéis parecem invertidos. Assistimos, no final da 3ª temporada, à adopção plena do papel simultâneo de irmão mais velho e pai, com Billy a assumir a responsabilidade de manter Tim no trilho de uma vida profissionalmente ambiciosa. E ali, na garagem, cabe a vez a Tim de procurar colocar algum discernimento na cabeça teimosa do irmão. Mas percebe-se, facilmente, o motivo de Billy enveredar por uma carreira à margem da lei. Família. É por ela que o mais velho dos Riggins vive no periclitante equilíbrio entre manter um emprego honesto e a aceitação de tarefas ilegais.
Landry (Jesse Plemons) – Com pequenas e tímidas passadas, o melhor amigo de Matt vai conseguindo o objectivo prioritário a que se propôs. Esquecer Tyra (Adrianne Palicki). Para tal, nada melhor do que se enamorar por Jess (Jurnee Smollett). Mas parece ser sina do rapaz a utopia dos amores, atendendo à existência de outro pretendente. Vince (Michael B.Jordan), estrela emergente dos Lions. Landry é terno, divertido, culto, com enorme sentido de humor. Serão estas as qualidades suficientes para fazer balançar o coração da rapariga, quando se percebe a divisão estampada no rosto dela, no final do jogo, olhando alternadamente para ambos? O primeiro round parece ter sido vencido por Landry.
Eric (Kyle Chandler) - “This is our time. This is your time”. As palestras do treinador sempre foram marcadas por frases fortes, intensas, apelando às forças interiores de cada um, procurando a superação. Na semana em que defrontam outro dos últimos classificados – confronto jocosamente retratado na comunidade como o “Toilet Bowl” – , Eric é exímio no apelo motivacional, preparando o seu grupo para a tão ansiada primeira vitória. E nem mesmo quando o achincalhamento chega ao ponto de colocar uma sanita em pleno relvado, o animo dos Lions é abalado. Com um novo reforço fora do campo – Buddy (Brad Leland) – e aglutinando já alguns membros da própria comunidade, em redor da equipa, o triunfo surge. Com as esperadas doses de dramatismo, mas vincando de forma notável a entrega, o trabalho e o espírito corporativo daquele bando de aparentes renegados da sociedade.
O Melhor: Dois momentos: A entrevista de Julie na faculdade. Depois do habitual e estudado reportório para usar na entrevista, o coração falou. De forma simples, mostrando que cresceu, moldada por uma cidade que anteriormente detestava. É fabuloso ver esta evolução numa personagem, para quem acompanha fielmente a série desde início. O segundo momento, logo após a referida entrevista, no diálogo entre Julie e a mãe, representando uma passagem de testemunho, entre quem já alcançou os sonhos que tinha almejado e a que vai iniciar um trajecto atrás dos seus. Sublime.
O Pior: A verdadeira natureza de Tim. Imaturo até à medula, vivendo num permanente mundo de ilusão, continua a definhar, decepcionando quem nele acredita. Por momentos, pensava que o sonho de comprar o terreno o levasse a uma postura mais cordata. E ele tentou. Mas pouco. Uma simples nega, na procura do emprego, bastou para enveredar pelo caminho mais fácil. Juntar-se ao irmão, a quem tinha invectivado, no negócio ilícito de desmanchar carros. Prevêem-se nuvens negras no horizonte dos Riggins.





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Mais um episódio à FNL. Somos proporcionados semana atrás de semana com óptimos episódios e assim dá mesmo gosto ver.
:4:
Realmente dá gosto ver. Há pequenas oscilações, mas a fasquia está sempre bem alta e de lá não sai. E é bom ver que a série continua a ter grandes histórias e personagens, pese embora ter perdido algumas personagens carismáticas. Soube renovar-se.
:4:
Excelente review….e mais um optimo episódio da minha série favorita, simplesmente perfeita.
Enquanto a série se mantiver neste patamar qualitativo, dou-me por satisfeito. E muito. Como o Maciel disse, apesar da perda de algumas personagens carismáticas, o espectro de uma queda acentuada na qualidade do argumento foi, felizmente, eclipsado.
Adorei o episódio. Já é habitual. Cada vez gosto mais do Tim e o Landry diverte-me imenso.
Nem mais. O Landry esteve algo desaproveitado nos anos anteriores. Tem sido uma boa adição, este ano, denotando um bom potencial cómico, em muitas situações.