[SPOILERS] É sempre com alguma ansiedade que vou aguardando pelo próximo episódio de “FNL”. A qualidade, amplamente destacada por aqui, tornou-me um fervoroso seguidor dos pequenos dramas do quotidiano da cidade texana. Chamar-lhe cidade é, aliás, uma valorização tremenda. Dillon foi-nos mostrada, nas três temporadas, como um lugar remoto, idêntico a tantos outros no interior da América, onde o futebol se tornou uma religião, permitindo esquecer, durante as horas que duram os jogos, as agruras de uma vida difícil. Sem oportunidades, esquecida no tempo, Dillon era no entanto um local aprazível, com os amplos campos verdejantes a forneceram uma sensação de liberdade e segurança. Talvez resida aqui uma das incongruências da série. De um momento para o outro, existe mais do que uma Dillon. Este ano, surgiu-nos outra cidade, que nós nunca tínhamos visto. Ainda mais pobre, um verdadeiro gueto, árido e sem esperança, dilacerada no seu interior pelo problemas das metrópoles modernas: violência e droga. E é aí que a maioria dos jogadores de Eric Taylor (Kyle Chandler) vive, com todos os estereótipos esperados.
O treinador já tinha colidido com esta realidade, episódios atrás, quando procurou Vince (Michael B.Jordan), na sua residência, e deparou com a mãe deste, refugiada no álcool e/ou drogas. Fá-lo novamente, numa incursão algo arriscada, ao procurar por Dallas (Lamarcus Tinker), um jogador faltoso aos treinos. É como se entrasse numa outra realidade, com o perigo a espreitar a cada esquina. Por momentos, após o tiroteio que vitima um jovem, mais parecia uma cena saída do “Cops”. Crua e dura. Carrol Park, um local impróprio para consumo…
Nasce assim uma nova cruzada na vida de Eric. Revitalizar o lugar, como forma de minimizar o risco de sarilhos, aos seus jogadores. Com a habitual ajuda de Buddy (Brad Leland), Eric não se intimida com os rotineiros problemas em Dillon, todos ligados à falta de meios/dinheiro, nem com o desinteresse da comunidade em ajudá-los. Através de Vernon e dos seus conhecimentos, o primeiro passo na reanimação do parque é feito ao redor de uma bola oval. Futebol. Parece, ainda assim, uma medida avulsa, incapaz de lidar com os problemas graves acima referidos. Mas tratou-se de uma primeira semente. Que necessita ser cultivada…
Umbilicalmente ligado a esse lugar, está Vince. Uma vida inteira, vivendo no periclitante equilíbrio na linha divisória do bem e do mal. E agora, na idade adulta, sente que os erros cometidos, no passado, pesam para toda a existência. A procura de trabalho é uma tarefa hercúlea, nomeadamente quando se tem uma vasta ficha criminal. São lançados assim os dados para um já aventado triângulo amoroso. Eric acode ao pedido de Vince, arranjando-lhe trabalho. Onde? No restaurante de Vernon (Steve Harris), pai de Jess (Jurnee Smollett), interesse amoroso de Vince e actualmente namorada de Landry (Jesse Plemons). Parece confuso, mas na prática não é. Prevejo sentimentos fortes, emanados dali…
Mas nem só o bem-estar dos seus jogadores foi motivo de preocupação para Eric. A visita inesperada de Glenn – professor de ciências na escola de Tami – coloca-o perante uma tremenda revelação. O beijo – forçado e rejeitado – de Glenn à sua esposa trouxe à tona uma realidade: a notória falta de tempo, de ambos, para investirem na própria relação. Nada que o casal não saiba ultrapassar…http://tvdependente.net/wp-admin/post-new.php
Voltamos a ter notícias da família McCoy. Quando vemos Joe (D.W.Moffett) sentado no gabinete de Tami (Connie Britton). E rapidamente nos apercebemos que o miúdo continua estouvado, na senda de rebeldia que, finalmente, aparenta ter uma causa. A recente separação dos pais.
Julie (Aimee Teegarden) alarga um pouco os seus horizontes, ao participar em iniciativas comunitárias – que ficam sempre bem num currículo enviado às universidades – conhecendo outras pessoas, ajudando-a a sarar as feridas abertas pelo fim da relação com Matt. Rapidamente surge um novo interesse romântico no horizonte. Esperemos que seja para durar, pois confesso estar farto do ar lacrimejante da rapariga…
O Melhor: Sem nenhuma sequência que mereça ser destacada, em desprimor de outras, o episódio caracterizou-se pela solidez de todas as cenas. O habitual, em “FNL”. Pequenos dramas, do dia a dia, tratados com seriedade.
O Pior: A gravidez – indesejada – de Becky (Madison Burge). Sendo sempre um tema forte, sobretudo por a série retratar um ambiente adolescente, sinto que a gravidez surge aqui de forma pouco clara. Como se o assunto não tivesse merecido mais do que umas meras cenas, que funcionaram como um corpo estranho, em todo o episódio. Demasiado forçada. De destacar, apenas, a forma adulta como Luke (Matt Lauria) lidou com toda a situação.





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Eu gostei imenso do episódio. Sem ser tão forte como o The Son, conseguiu ser regular e importante com “pequenas histórias” (ou dramas, como tu escreveste) e coisas banais.
Gostei da nova Dillon (Carol Park, etc) e não acho que seja uma incongruência. Afinal, todas as cidades têm estas zonas e nós nem vamos lá (uma atitude de “não é nada comigo. Nem vivo lá”). Só no dia que conhecemos alguém de lá (ou temos que ir a esses sítios) é que nos apercebemos de uma outra realidade. E aqui julgo que foi o mesmo. Seria estranho (tendo em conta os jogadores desta nova equipa) eles não lidarem com esta realidade. E neste episódio, acho que fizeram isso de uma maneira sublime. E aquele jogo, teve uma grande mensagem em si mesmo. Achei tudo bastante real e lógico.
Quanto ao resto, também achei a gravidez um pouco forçado (tendo em conta que nada vimos). E finalmente chegou um explicação para o comportamento do McCoy Jr. No entanto, julgo que já deveria ter aparecido (bastava uma referência como esta) uma vez que (parece!!) que o Joe está divorciado há tempos.
:4meio:
É mais um, já me faltam os adjectivos para classificar FNL. Contudo a nova trama da gravidez ficou-me entalada, tirando isso, fantástico.
Gostei especialmente de darem uma explicação para o comportamento fanfarrão do JD.
:4:
Gostei imenso do episódio. A história da gravidez não foi má. A única coisa que deveriam ter feito era esclarecer que a Becky e o Luke fizeram sexo. Eu não fazia ideia. Agora já sei o que é que FNL quer dizer quando um personagem dá boleia a outro. É tradução para “Queres fazer um filho pelo caminho?”.
Estou a adorar esta temporada. Só não gostei foi da partida do Matt, que não teve nada a ver com ele. De resto, está a ser 5*.
Lol. Ricardo, exactamente o que eu pensei, relativamente à gravidez. Uma mera boleia e ela aparece de “esperanças”? Caramba :yeahright:
Em relação a Matt, julgo que essa é mesmo a ideia generalizada por quem aprecia a série. Não só não gostei da partida dele, como a mesma em nada se coaduna com a personalidade da personagem…
Deve ter ficado na sala de edição. Eu até fui ver se tinha saltado um episódio. Depois pensei que ela tinha dormido com o Riggins e não disse nada a ninguém.
Maciel,
Não deixas de ter razão no que dizer, acerca desta “nova” Dillon. E eu também gosto da diferença verificada, na cidade. Mas o meu comentário deveu-se apenas a que, durante 3 anos, nunca sequer houve um comentário ou o que quer que seja quanto a esta zona da cidade, pouco recomendável. Eu sei que a maioria dos jogadores dos Panthers pertencem a outra zona, mas mesmo assim Dillon não é uma área urbana extensa. Já deveria ter existido um choque entre ambas as zonas, seja pela criminalidade, ou por outro motivo qualquer…
Paulo, finalmente, como dizes, sabemos o porquê de JD McCoy ter mudado radicalmente o seu comportamento. Mas, também aqui, tal como no caso da gravidez de Becky, dá a sensação de que a explicação surgiu forçada, quase como se andassem a ver – a nível de argumento – o que fazer com o quarterback dos Panthers. No entanto, não deixa de ser plausível na mesma…
Compreendo que, acompanhando tantas histórias e personagens, vão ficando algumas pequenas pontas soltas pelo caminho. Nada de alarmante, diga-se em abono da verdade.
Mas o meu comentário deveu-se apenas a que, durante 3 anos, nunca sequer houve um comentário ou o que quer que seja quanto a esta zona da cidade, pouco recomendável
Ah! Nesse sentido sim, a coisa aparece assim de repente. Mas esta foi claramente uma jogada que não pôde ser prevista antes (devido futuro incerto da série, desde o seu início). Naquela altura esta parte da cidade nem existia. Por isso este assunto cai assim do nada.
E essa do Matt também tens razão. Mas neste caso eles ainda podem fazer algo para justificar aquele fugir dele. Espero que o façam.
Uma coisa é certa. Uma pessoa está aqui a falar destes erros, porque o resto da série (a maior parte das histórias, as personagens, os diálogos, as filmagens) é tudo muito bom e de grande qualidade. E ainda bem!