[SPOILERS] Numa comunidade rural, eminentemente católica, os sentimentos inculcados em nós produzem, muitas vezes, conflitos interiores intensos. Pressente-se isso, ao ver uma homilia, com Luke (Matt Lauria) presente, na companhia da família, verdadeiro orgulho da colectividade, pelo seu estatuto de jogador talentoso. A gravidez inesperada de Becky (Madison Burge) atormenta o jovem atleta, sobretudo pelo destino já escolhido por ela: o aborto.
Se Luke sente o peso gravoso da situação, o mesmo se passa com Becky, que encontra um ombro amigo em Tim (Taylor Kitsch), verdadeiramente maduro na forma como lida com toda a situação. Com a rapariga incapaz de desvendar o segredo à mãe, é Tami (Connie Britton) que acaba por se tornar uma conselheira, a pedido de Tim, ajudando a adolescente a gerir, física e emocionalmente, toda a conjuntura.
Vince (Michael B.Jordan) continua a sua via-sacra. Quando parece que o pupilo de Eric (Kyle Chandler) tem a vida sob os trilhos, o destino encarrega-se de o fazer regressar ao ponto de partida. E este não é um lugar muito agradável. Com a mãe no hospital, vitima de nova sobrecarga de droga, Vince vê-se perante um cenário desolador, uma verdadeira encruzilhada para o futuro próximo. Continuar com tudo imutável, sabendo de antemão que todo aquele cenário se irá repetir, a curto prazo, ou optar por uma via mais radical, internando a mãe num centro de reabilitação. O grande problema – e este é daqueles que dilacera a própria alma – é o custo do programa de reabilitação. A forma de obter o dinheiro necessário leva-o a recorrer aos velhos parceiros do mundo do crime. De um momento para o outro, Vince é novamente sorvido por esse buraco negro, feito de desespero.
“FNL” é feita, muitas vezes, de pequenas e intensas histórias. Cenas breves, mas que revelam a complexidade de sentimentos que dominam as personagens. Um excelente exemplo disso mesmo foi dado por Virgil (Steve Harris) e a filha, Jess (Jurnee Smollett), com esta a desnudar a alma ferida pela crescente atenção – e afeição – que o pai devota a Vince, descurando os próprios filhos. A aparição do progenitor, no jogo seguinte do filho, tem tanto de surpreendente como de comovente.
O Melhor: Se a gravidez repentina de Becky tinha intrigado a maioria dos espectadores, a forma adulta, séria e sem qualquer tipo de preconceitos como a série lidou com um assunto controverso – o aborto – é realmente digna de registo. Realçando devidamente as emoções dispares que atingem os directamente envolvidos, sem nunca politizar o tema, que é fracturante. Mais uma pérola para os atractivos de FNL. A interacção entre Becky e Tami, arvorada por força das circunstâncias num papel maternal, é um dos zénites do episódio. Forte, comovente, de uma arrepiante sensibilidade. Se Becky, até aqui, parecia um mero adorno para embelezar o ecrã, neste episódio demonstrou uma invulgar capacidade de personificação de uma adolescente que vive um conflito interior. Soberba interpretação!
“Why do you want to leave me by myself?”. Frase forte, intensa, espelhando bem o efeito devastador que a overdose da mãe teve em Vince. Dita em desespero, enquanto encara a sua progenitora na cama do hospital, é uma cena brutal, no impacto que provoca.
O Pior: Depois do “The Son”, este é o meu episódio predilecto. Um dos que mais fundo me tocou, abanando convicções. A nota só não é máxima por uma pequena falha. O outro lado, na questão do aborto, apenas foi aflorado de forma superficial. Percebia-se, desde o inicio, o dilema que afectava Luke, no caso da gravidez, e as possíveis ramificações que o problema traria, para a família dele, profundamente religiosa. Merecíamos ter visto o caso aprofundado, sob o ponto de vista de Luke. Assim, ele apenas foi um acessório dispensável, na história toda.





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Mais um grande episódio com as emoções a transbordar. É nisto que FNL continua a ser melhor que muitas outra séries, pega em histórias normais e dá-lhe aquele tom real e intimo que não nos deixa indiferentes.
:4meio:
Nem mais João, nem mais. Um episódio que, atrevo-me a dizer, é marcante, do ponto de vista emocional. Pequenos dramas, com uma qualidade arrebatadora. FNL está bem, e recomenda-se…
O meu único receio é que não seja capaz de manter as expectativas. A fasquia está demasiado alta…
Gostei muito do episódio. Nunca pensei que fosse pelo caminho do aborto, visto que ainda é uma série da NBC e, geralmente, as séries de canal aberto evitam encruzilhadas políticas.
Estou a sentir um pouco a falta da Julie, do Landy e do Matt. A série está excelente, mas às vezes gostava de ver os antigos personagens mais um bocadinho.
Mais uma vez, adorei o episódio, mas não merecia melhor nota que o The Son (sim, sei que preferiste o The Son, mas as notas não estão em concordância com isso).
Ricardo, acredito q a Julie ainda vai aparecer, nos próximos episódios. A rebeldia que se pressente, nela, o actual namoro com Ryan, e a frase que ela deixou, em cima daquele silo, de que adoraria ir conhecero Mundo (numa piscadela declarada a Ryan), deixam antever algumas discussões tremendas, em casa dos Taylors. Penso eu de q…
Em relação às notas, tens toda a razão. Aliás, estava a ver se passava sem ninguém reparar :youwish:
Existe uma explicação. E não é muito abonatória para mim. Não quis dar, na altura :suicide1: a nota máxima ao The Son. Achei, como disse, o episódio brilhante, e depois de ponderar prós e contras, optei por uma via mais racional, dando-lhe uma pontuação excelente, mas que não atingisse a perfeição.
O pior veio depois. Já vi o The Son outra vez. E insultei-me mentalmente, por não lhe ter dado um 95. Essa é, para mim, a nota que lá devia constar.
Tinha agora duas possibilidades. Dava menos do que ao The Son, penalizando este episódio, de forma injusta, ou premiava-o com a nota que acho que efectivamente merece – o 92. Optei por esta pq, como referi, lá por ter feito burrada na The Son, não tinha que fazer este I Can’t pagar por isso…
Foi uma explicação confusa ou deu para entender?
Entendi perfeitamente e compreendo. Dar notas é um pain in the ass. Acontece-me algumas vezes estar indeciso entre várias notas.
Só agora pude ver o episódio e nada tenho a acrescentar ao teu texto e aos comentários entretanto escritos. Esta série é uma seca para comentar, pois uma pessoa vem aqui todas as semanas basicamente dizer o mesmo: muito bom, excelente, a situação xpto foi muito bem explorada, bla, bla.
Um portento esta série. Os teus textos ilustram bem isso e complementam-na com a mesma qualidade.
:4meio: