Life Unexpected: 1×01 – Pilot (The CW)

FacebookTwitter


[SPOILERS] “I’m your daughter”. Possivelmente a frase mais assustadora que nenhum homem deseja ouvir, estas três singelas palavras (quatro, se contarmos a contracção), dão o mote ao que poderá ser uma boa aposta ao canal The CW.

Antes de mais, sim, sou eu mesma a escrever a crítica a esta série. E não, o ZB não me chantageou. Fui eu mesma que me ofereci para escrever as críticas semanais depois de ter visto o episódio-piloto. E mais: eu, syrin maria da silva, aqui me confesso – no fundo, lá bem no fundo, sou uma closet romantic, que até gosta de um bom romance e de uma história assim um bocadinho mais para o lamechas. Não esperem ouvir-me a declarar a minha paixão por novelas aborrecidas como “Brothers & Sisters” e muito menos pelas trocas e baldrocas de “Grey’s Anatomy”. Não, nisso permanecerei firma e hirta. Mas por vezes… por vezes lá é preciso dar a mão à palmatória e aceitar que uma conjugação de factores milagrosa nos consegue conquistar – como foi o caso de “Life Unexpected”.

A história de uma rapariga de quinze anos, que passou a vida toda a saltar entre famílias de acolhimento sem nunca ser aceite por nenhuma e que agora procura a sua emancipação, tendo para isso de encontrar os pais biológicos, não é propriamente uma premissa muito cativante. Muito menos o é saber que a The CW, famosa pelos momentos “OMFG/Rich teens drink, party and have sex” é a casa que escolheu acolher esta história. Pior ainda é saber que, à partida, esta é uma daquelas séries de puxar a lágrima fácil. Assim sendo, porquê ver “Life Unexpected”? Porquê dar uma oportunidade à série?

Muito simples: pelas personagens e, especialmente, pelas interpretações do elenco. Lux (Brittany Robertson), a jovem que, depois de 15 anos de abandono, procura agora emancipar-se, conquista-nos pela sua determinação, pela forma como diz as verdades sem papas na língua, pela maturidade que mostra ter (maturidade que falta a ambos os pais) e, ao mesmo tempo, pela forma como reverte para a sua condição de criança ao ver um vídeo lamechas no Youtube ou ao soprar as velas de um bolo. Nate “Baze” Bazile (Kristoffer Polaha), o pai que é surpreendido à porta de casa, pode até ser um tipo imaturo, daqueles que se recusam a crescer, tendo optado por aliar o trabalho ao prazer abrindo um bar no piso debaixo da sua casa, mas mostra estar disposto a ajudar a filha que ainda agora conheceu, para além de protagonizar divertidas discussões com os amigos Jamie e Math e a ex-colega de escola/mãe da sua filha. Já para Cate Cassidy (Shiri Appleby), uma radialista de sucesso, aceitar Lux e todo um passado que tentou esquecer não foi fácil, especialmente ao descobrir que o pior aconteceu e que o bebé que nunca quis, fruto de uma noite de bebedeira ao som dos Spin Doctors, teve uma vida difícil ao longo de quinze anos. A surpresa, a vergonha e a tristeza desta descoberta, aliadas à dificuldade que tem em ligar-se às pessoas, acabam mesmo por pôr em risco a sua relação com Ryan Thomas (Kerr Smith), parceiro no programa de rádio e noivo mas representam, ao mesmo tempo, uma oportunidade única para crescer enquanto pessoa.

Sem deixar de ser cliché em alguns momentos, sem deixar de apelar à lágrima fácil, sem deixar de ser algo surreal (como no momento em que a juíza dá a custódia conjunta de uma criança a duas pessoas que não são um casal, que não se falam há anos e que a abandonaram em pequena), a verdade é que “Life Unexpected”, é um regresso à boa tradição da extinta The WB, às saudosas “Gilmore Girls”, àquelas séries com uma história simples mas com um grande coração; um regresso às séries que, por vezes, até apetece ver.

Tags: , ,

"Stop boring me and think... It's the new sexy!"

23 Respostas para “Life Unexpected: 1×01 – Pilot (The CW)” Subscribe

  1. ZB 21/01/2010 às 17:33 #

    no fundo, lá bem no fundo, sou uma closet romantic, que até gosta de um bom romance e de uma história assim um bocadinho mais para o lamechas

    QUEM ÉS TU E O QUE É QUE FIZESTE COM A SYRIN!? :loool:

    Quanto à série e ao episódio: Eu que facilmente me deixo envolver por histórias mais tristes, não me consegui ligar emocionalmente nem à miúda e ao seu drama nem ao resto dos personagens. Acho que a série triunfa por se mostrar num tom mais sério, e consequentemente deixando um sentimento mais realista, do que o resto da pimbalhada típica da CW. Mas não me deixou fascinado, apesar de pretender continuar a ver.

    :3:

    • syrin 21/01/2010 às 17:42 #

      QUEM ÉS TU E O QUE É QUE FIZESTE COM A SYRIN!?
      É o Apocalipse! Depois das declarações do Ricardo sobre Dollhouse, esta minha crítica é o segundo sinal de que o mundo vai terminar! :P

      Pois eu, desta vez, apeguei-me às personagens, coisa que, por exemplo, com Grey’s e B&S nunca aconteceu.

      Não passa de uma série levezinha, disso tenho a certeza, mas por agora acho que vou gostar.

      • Maciel 21/01/2010 às 17:54 #

        no fundo, lá bem no fundo, sou uma closet romantic, que até gosta de um bom romance e de uma história assim um bocadinho mais para o lamechas

        Mas não gostas dos triângulos, quadrados e outros paralelepípedos amorosos de certas séries :) )

        Agora a sério, eu percebo a diferença para esta e acho que explicaste bem isso no texto. Eu gostei da série. Achei-a genuína e gostei das personagens (identifiquei-me mais com o gajo do bar). Resta saber como é que ela vai evoluir.

        :3meio:

        • syrin 21/01/2010 às 18:54 #

          Eu sou uma closet shipper, desde os tempos da BD (Rogue + Gambit 4 ever!) ;D E geralmente arranjo um casal para seguir em cada série de que gosto. Não tenho é paciência para cenas de telenovelas que se arrastam por 20397 temporadas. E para discussões idiotas entre apoiantes de casais diferentes! ;D

          É isso mesmo, as personagens, mais do que a história, foi o que me conquistou.

          (identifiquei-me mais com o gajo do bar)
          Ui, não te ponhas a pau não. Qualquer dia tens uma surpresa desagradável. mwhahaha!

    • Maciel 21/01/2010 às 17:55 #

      do que o resto da pimbalhada típica da CW

      Oh não!! O que foste escrever!! O Robin dos bosques do canal já vem aqui defender a honra da sua dama

  2. patxocas 21/01/2010 às 17:33 #

    :clapp1:
    É uma série à Gilmore, sim senhora!
    A Lux lembrou-me imenso a Rory e a Cate a Lorelai. Acho que o Baze pode ser um Chris. Mas, o Ryan não é o Luke.
    Que mistura que estou aqui a fazer. :huh:

    Resumindo, gostei muito da série. Coloquei a fazer o download quando li aqui o vosso artigo sobre as audiências de Segunda-feira, mas só a iria ver daqui a uns tempos…
    Espero que a Lux continue assim, madura e independente. Os outros, é esperar para ver. :hihih:
    Obrigada pelo conselho de ontem. :goodjob:
    Gostei!

    :3meio:

    • syrin 21/01/2010 às 17:43 #

      Foi exactamente o que pensei, o Baze podia ser um Chris mas menos idiota, e o Ryan não é o Luke. Nenhuma personagem é “má” como o Christopher era em Gilmore, por isso gostei. :D

  3. Ricardo 21/01/2010 às 17:51 #

    Gostei. Não é nada de especial, mas é engraçado.

    BTW, adorei a cena em que os pais dela estão a falar e, quando começam a comer-se, a Two Princess começa a tocar. Foi de rir!

  4. LR 21/01/2010 às 19:30 #

    Gostei do que vi. Personagens engraçadas, fáceis de nos relacionarmos com elas; Pareceu-me ser uma serie “light”(lol) e um pouco humilde, tentando não ser mais daquilo que é. Viu-se muito bem.

  5. João Fernandes 21/01/2010 às 21:31 #

    Não sendo extraordinária é boa o suficiente para passar um bom tempo. As personagens parecem ser interessantes e a história tem muito por onde pegar. Se todas as séries da CW fossem assim era um bom sinal.
    :3meio:

  6. João PT 21/01/2010 às 22:43 #

    Por falar na CW, tenho um dilema. Vejo Gossip Girl mas já estou “pelos cabelos” com a série. Portanto preciso arranjar uma do mesmo estilo, para poder abandonar os dramas ridículos do Upper East Side, o que recomendam?

    P.S. – (sofro duma patologia rara, que quando abandono uma série tenho de preencher esse vazio com outra série), acredito que vocês por aqui também sofram de tal coisa.

    • syrin 21/01/2010 às 22:49 #

      Ui, isso não é pergunta para mim, que fujo a sete pés desse tipo de séries. Pergunta ao Ricardo. ;D

    • Ricardo 21/01/2010 às 23:57 #

      LOL Obrigado Syrin.

      Não há nada igual ou parecido com Gossip Girl no mercado. O 90210 bem tentou, mas não tem nada a ver e é muito pior. É uma série com um estilo muito próprio. Já agora, porque vais deixar de ver a série? Esta terceira temporada tem sido bastante boa, com alguns altos e baixos, mas mais altos que baixos. A segunda temporada foi bem pior e mais inconstante.

      Agora é uma altura bastante má para o “clássico” teen drama. Os melhores são definitivamente o Friday Night Lights, que muitos argumentam que nem sequer é teen drama, e Skins, que é teen drama puro e duro, mas numa variante muito diferente. Se queres algo mais cómico num ambiente mais faculdade e menos teen tens Greek.

      A ABC Family e a The CW têm mais algumas, mas não são de grande qualidade. A FOX tem Glee, que é engraçada e mais virada para a música, mas fica bastantes pontos abaixo das três que eu mencionei.

  7. João PT 22/01/2010 às 15:17 #

    Pois a segunda temporada já foi difícil ver toda. E esta terceira temporada ainda não me cativou e no outro dia quase que adormeci a ver a Georgina Sparks (vou no 6º episódio).
    90210 – recuso-me a ver uma série do estilo Gossip Girl só que pior.
    FNL – sou um fã incondicional da série e está a muitos anos luz de GG.
    Talvez veja Skins, como é uma série mais alternativa pode ser que me agrade, já me sinto um bocado farto dos clichês das séries teen.

    Obrigado na mesma Ricardo.

    • ZB 22/01/2010 às 16:14 #

      Isso de quando abandonas uma série tens de preencher esse vazio com outra série é apenas com uma série semelhante ou pode ser uma qualquer? É que há por aí coisas bem porreiras de uma temática completamente diferente que eu podia sugerir (também depende do que tenhas visto ou não, claro).

      • Ricardo 24/01/2010 às 00:15 #

        Eu parti do princípio que ele estava a falar de séries teen, senão também tinha muitas outras sugestões.

    • Ricardo 24/01/2010 às 00:16 #

      BTW, vê o resto dos episódios de GG. São só mais seis e acho que vais mudar de ideias.

  8. carolinafs 27/01/2010 às 21:15 #

    Se a syrin está a ver e a escrever sobre esta série quem sou eu para não ir ver também? Espreitei e gostei, mesmo com aquela frase final tão lamechas que até doeu. Engracei com a miúda e os pais têm potencial por isso acho que arrisco no segundo episódio.

    • syrin 27/01/2010 às 21:44 #

      Life Unexpected é tipo a irmã mais nova e menos bonita de Gilmore Girls. :D
      (por falar nisso, acabei de rever um episódio da S1 de Gilmore Girls. Já me esquecia de como elas falavam a 240km/h!)

      • carolinafs 27/01/2010 às 22:02 #

        Eu tenho apanhado agora as vezes na Sic Mulher e claro que fiquei cheia de vontade de ver tudo outra vez.

Deixar um Comentário - Para comentários com SPOILERS, utilizem a tag: [spoiler]Comentário[/spoiler]

Photorecap: Game of Thrones: 2×07 – A Man Without Honor

[SPOILERS/NUDEZ/LINGUAGEM MENOS PRÓPRIA] A segunda temporada de “Game of Thrones” aproxima-se do fim e também os nossos ridículos photorecaps. Eis [...]

Podcast TVD 009: A revista da temporada!

Estava anunciado, atrasou, mas fica feito na mesma! É mais uma edição do Podcast TVDependente! Primeiro, temos de pedir desculpa [...]

Temporada 2012/2013: Guia de cancelamentos, renovações e novas séries (act.)

Perdido entre tantas renovações, cancelamentos e novas séries? Então, vamos dar-te uma ajudinha. Eis as novidades oficiais dos cinco canais [...]

As melhores duplas da TV, parte 2

O que faz uma boa série? Um bom argumento, actores competentes e uma realização exímia são elementos consensuais. Mas por vezes, [...]

Calendário de finais de temporada 2011/2012

O final da actual temporada está às portas e a necessidade de saber quando terminam as nossas séries favoritas aumenta. [...]

As melhores duplas da TV, parte 1

O que faz uma boa série? Um bom argumento, actores competentes e uma realização exímia são elementos consensuais. Mas por vezes, [...]