[SPOILERS] “Skins” voltou. Finalmente! Quando passamos o ano todo a rever as temporadas anteriores e à espera da nova, o primeiro episódio chega e as expectativas são muito altas. Bem, ele está aqui e não desilude, como (quase) sempre. Assim, convido-vos para oito semanas de êxtase de uma série única.
Antes de começar a falar sobre o episódio propriamente dito, acho por bem falar um pouco da série no geral, a segunda geração de personagens em particular, visto que é a minha primeira crítica.
A primeira temporada de “Skins” foi tudo o que uma série inovadora deve ser: irreverente, cómica, enérgica, diferente, profunda, explosiva quando tem que ser e com o seu próprio estilo. A segunda foi ainda melhor, levou os personagens ao limite, experimentou coisas novas, transportou-nos para um lugar muito mais negro e sério, em detrimento da comédia despreocupada que vimos na primeira.
A terceira temporada foi uma revolução. Tanto no estilo, como no tom e a começar pela renovação quase total do elenco. Ao contrário da maioria das pessoas, que acusaram a série de não estar a ser fiel às suas origens, eu adorei. Gosto de mudanças e adapto-me bem. Desde o quadrado amoroso entre os Três Mosqueteiros e a menina dos meus olhos, a passar pelo complicado romance entre a Emily (Kathryn Prescott) e a Naomi (Lily Loveless) e a acabar no desenvolvimento de complexas personagens como JJ (Ollie Barbieri). O único defeito que consigo colocar à temporada (para além do Cook (Jack O’Connell) que me enervou durante a temporada inteira e só se redimiu no fim) é no final. Apesar do episódio ter sido excelente, aliás, teria ficado satisfeito se fosse qualquer outro episódio da temporada, estava à espera de algo mais do último. Algo explosivo como nos tinham habituado.
E é assim que chegamos à quarta temporada: começando pelo Thomas (Merveille Lukeba). Alguns fãs reagiram negativamente ao episódio, principalmente porque foi centrado num personagem muito pouco popular. Isto vai ser sempre um problema porque é uma característica da série. “Skins” tem episódios de personagens e quem não gosta do personagem em questão vai ficar sempre com um pé atrás. Mas também é uma mais valia. Eu, por exemplo, nunca gostei muito do Thomas. Nunca me identifiquei com o personagem. Até fiquei um pouco desiludido quando soube que o primeiro episódio era sobre ele. Claro que, depois de o ver, mudei completamente de ideias e de atitude. Apesar de não me identificar com o personagem, passei a entende-lo, vê-lo de outra forma e consegui desfrutar de um excelente episódio.
Mãe do Thomas: Someone tell me, please, where to find a virgin in this country?
Pandora: Huh… Well… Difficult.
A nova introdução foi, como sempre, excelente. Preferia o arranjo da terceira temporada, mas tudo muda e o tom frenético da música poderá ser um sinal das coisas que estão para vir. Teve algumas cenas improváveis como a Effy (Kaya Scodelario) com a Katie (Megan Prescott) (ou a Emily, não consegui distinguir) e o Cook entre a Emily e a Naomi com a Pandora (Lisa Backwell) sentada atrás. Deixo as interpretações para vocês. Eu vou esperar mais um bocado para tirar as minhas conclusões.
A primeira cena foi simplesmente brilhante. Sem diálogos, com a música certa, e uma jovem desconhecida, que por alguma razão me fez lembrar a Cassie, a drogar-se (claro, só mesmo em Skins começar a temporada assim) e depois a passar pelas caras habituais: Cook a comer uma gaja qualquer, Freddie (Luke Pasqualino) a passar com copos, Katie a ser cortejada, Panda e JJ a divertirem-se, Emily e Naomi a beijarem-se. Mas falta alguém! Onde está a Effy? Já lá vamos. Agora somos confrontados com esta anónima que saltou para o abismo num aparente suicídio à frente dos personagens que conhecemos. Ao que parece esta história não vai ficar por aqui, logo vamos directamente às consequências que ela trás para o Thomas.
Thomas trabalhava (ou trabalha, não sabemos se ele se despediu) na discoteca em que Sophia se suicidou. Isto deduzo eu. Ela estava sob a influência e a polícia ainda está a investigar. O dono da discoteca dá dinheiro a Thomas para manter o bico calado, escondendo o facto que o senhor sabia que havia traficantes a actuar na discoteca, assim como deixava entrar qualquer um, independentemente da idade, e excedia regularmente o limite de pessoas suportado pelo local. Mas isto é só o início dos problemas de Thomas.
Ele não consegue encontrar o seu lugar no grupo, ainda não ultrapassou a traição de Pandora com Cook (já agora, bem jogado, este enredo nunca tinha ficado bem arrumado no episódio 9 da temporada anterior) e a vida familiar não ajuda em nada. A mãe é possessiva e espera que se comporte como se estivesse em África, lugar onde ele queria estar, não gosta dos amigos, não parece ter grande respeito por ele mesmo quando tem razão (por exemplo na cena do hospital onde ele a contradiz) e o seu irmão está muito doente.
Thomas: Everything is fucked up. I just don’t know anymore. Don’t know.
Todo este drama foi muito bem manejado pelo Jamie Brittain que escreveu um argumento à maneira. Thomas tenta canalizar a sua frustração com a vida em descobrir o culpado pela morte da rapariga, assumindo que este é a pessoa que lhe deu as drogas. A resposta não é a que procura e, ainda mais confuso, juntamente com um novo ataque do irmão e outra discussão familiar, vê a luz no fundo do túnel na forma da simpática filha do pastor (grande slut, já agora) que “o faz lembrar de casa”.
Com o mal já feito, e sendo o bom rapaz que é, conta a verdade a Pandora. O argumento “fiz apenas o que já tinhas feito” foi usado, mas a minha querida Panda não se deixou cair nessa e, quando as incertezas voltaram na forma de um sentido pedido de desculpa de Thomas, recorreu à sua melhor amiga, Effy, para a trazer de volta à terra. Gostei imenso da forma como este enredo foi controlado. Fez sentido para todos os participantes e deixou a história ir para a frente.
No final, Thomas desabafa com a filha do pastor, apercebendo-se do erro que cometeu e que a pessoa que ama é Pandora. Tarde demais, Thomas trata de fazer o melhor que pode pela sua família. Provavelmente tão confuso como anteriormente, mais triste ainda, acaba o episódio com a sensação que entrámos na mente de Thomas Tomone e percebemos melhor o personagem.
JJ: We’re happy, right?
Emily: Good. As long as we’re all happy.
Gostava também de referir dois momentos em que me parti a rir com a comédia subtil que “Skins” usa. Quem precisa de piadas quando se tem Pandora e JJ? Adorei a conversa de Panda com a mãe do Thomas, a ficar pior a cada segundo. Outro momento igualmente genial foi a reacção de JJ no meio da confissão de Thomas a Pandora.
Queria também falar de uma outra personagem: Effy. Ao que parece ela deixou os três rapazes de mãos a abanar, aparentemente com a intenção de os ajudar a recuperar a amizade. Só apareceu no fim, o que achei uma excelente ideia porque contribui imenso para um dos grandes traços da personagem: o seu mistério. E apareceu em grande, para ajudar a amiga. Vai ser interessante ver o seu reencontro com Freddie, Cook, JJ e o resto do grupo.
Gostei de ver a Naomi e o Cook juntos, mostrando que depois de tudo o que se passou, eles ainda têm aquela ligação estabelecida no episódio da Naomi na temporada passada. Não vou comentar sobre ter sido ela a dar o pó à Sophia porque isso vai ser com certeza muito falado no próximo episódio.
As músicas, como sempre, foram fantásticas, adaptando-se sempre à cena, como por exemplo as melodias tribais na igreja de Thomas, e por vezes até lhes dando vida e uma nova energia.
Apesar de reconhecer que a cena inicial foi mesmo muito boa, o meu momento preferido do episódio foi a troca de palavras entre JJ e Emily (dois velhos amigos, se bem se lembram) a falar sobre Effy e sobre o grupo em geral. Ele lança um relutante “We’re happy, right?”. A câmara passa por Freddie a desesperar por Effy, por Panda a remoer a falta de comunicação de Thomas, pela cara zangada de Thomas, a face assustada de Naomi, sem falar no Cook e na Katie, cujas vidas também não estão a correr bem. JJ bem tenta manter o grupo unido e procura apoio em Emily que lhe responde um sarcástico “Good. As long as we’re all happy”. Estou mortinho por ver todos estes sentimentos explorados no decorrer da temporada.
Para concluir, adorei o episódio. Foi enorme, mas passou tão rápido, falou de imensos assuntos, apresentou um tema para a temporada, aprofundou um personagem pouco usado e ainda teve tempo para nos dar uma das melhores cenas de toda a série. Brilhantemente escrito e realizado (por Jamie Brittain e Neil Biswas, respectivamente), com uma incrível interpretação de Merveille Lukeba, foi um óptimo início de temporada ao qual eu não teria qualquer problema em dar 100 se não soubesse que o melhor ainda está para vir. Caramba, já tinha saudades!

No próximo episódio:




Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






Também gostei muito deste ansiado regresso de Skins. Adorei o plano sequência que abre a temporada.
:yeahhh1: Alguém que concorda comigo!
Foi bom, mas não foi muito do meu agrado.
Não gosto deste grupo de skins, tem um ambiente demasiado pesado e negro para o meu gosto.
Tenho saudades do primeiro grupo
Não gosto deste grupo de skins, tem um ambiente demasiado pesado e negro para o meu gosto.
Tenho de discordar. A segunda temporada foi de longe mais “pesada e negra” do que a terceira.
Talvez tenhas razão.
Pode ser que no fundo esteja a arranjar desculpas para não gostar tanto deste grupo (que não gosto, os outros eram mais amigos uns dos outros).
É diferente são sempre complicados estas “mudanças”.
Mas também gosto muito mais da 1º geração, aliás esta mais negra ou não é mais parva pois por vezes exagera no campo da parvoíce.
Os personagens no geral não são tão apelativos. No geral porque há personagens que gosto como o Thomas.
A Effy por exemplo desiludiu-me, na 1º geração prometia ser tanto e afinal não é.
Não seis e verei a 4º temporada, sei que se vir não será agora, pois não morri de amores pela 3º.
Mas as duas primeiras foram excelentes e aquele final da 1º a cantar Cat Stevens vai ficar na História.
Eu também não morro de amores por esta geração. Mas este episódio foi dos que mais gostei No entanto acho a nota um pouco elevada.
Não sei o que vêm de especial nesta série
Na minha opinião é totalmente irrealista!!
De todos os adjectivos que usei para descrever a série, realista não foi um deles. :wink1:
Aliás, se leres o meu Top 10 de 2009, Skins está em primeiro com o episódio JJ e o que eu disse foi “Há quem diga que é realista. Não é. “Skins” é exagerado, irrealista, por vezes idiota, mas muito, muito honesto.”.
No geral gostei do episódio, apesar de não gostar muito do Thomas.
:4meio:
Acho que essa temporada começou bem. Assim como a segunda temporada foi mais sombria que a primeira, a quarta deve ser mais sombria que a terceira, pois deve mostrar os Skins saindo da adolescência e entrando na “fase adulta”.
Muitas pessoas não gostaram da 3a temporada, eu gostei (apesar de não tanto quanto as 2 primeiras). Tirando o Cook, acho essa nova galera bem interessante, principalmente o JJ e a Emily.
@ Ricardo Leal
Concordo com vc. Acho Skins a única série Teen realmente honesta. Eu tive minha primeira amiga grávida aos 12, meu primeiro amigo drogado amos 13. E não sei vcs, mas na minha adolescência era bem mais fácil achar gente fazendo besteira atrás de besteira em busca de um pouco de prazer, do que essa galera do suco de beterraba que frequente o Gigabyte (se que é que isso ainda existe).
Não sei o que é o “Gigabyte” (para além da unidade de medida de memória binária), mas agradeço muito a tua opinião (BTW, 12?!? nem sabia que isso era possível!).
Ai ai não devia ter começado a ler, especialmente depois de ver a referência à Cassie que sempre foi das minhas favoritas. Tenho ainda duas temporadas para ver até aqui bolas!
São temporadas pequeninas. Se te despachares ainda consegues ver a tempo da próxima crítica! :wink1:
eu nunca gostei muito do Thomas, agora rendi-me. Gosto muito de Skins e ainda bem que também fazer reviews de mais esta :p** :4meio: