[SPOILERS] “We are the women behind the woman!” é sem dúvida uma excelente descrição do trio de protagonistas que frequentemente roubam o destaque do episódio. Porque mesmo sem o notar, elas estão nos bastidores a puxar os cordelinhos.
Num episódio de grandes surpresas torna-se complicado decidir qual foi a que teve mais impacto. Começando pelo fim, com o encerrar de uma das histórias, somos surpreendidos pela figura inerte de Dale (Benjamin Koldyke) enforcado no único lugar em que podia ser ele próprio. Se a princípio duvidamos das intenções de Alby (Matt Ross) com o desenrolar desta relação vemos um lado deste líder que desconhecíamos, tornando a sua história ainda mais interessante. Resta agora esperar para ver as consequências deste choque, se será uma apatia para o resto do mundo ou uma sede de vingança contra quem “pressionou” esta resolução.
Deixando este duo de parte, deslocamo-nos agora para a outra surpresa da noite: o regresso da ex-quarta mulher (!), grávida (!!) de Bill (!!!) mas com um noivo à espera em casa (!!!!). Ficando a dúvida se este é só mais um esquema para sacar dinheiro ou um simples pedido de ajuda, pudemos ao menos aproveitar as habituais confusões que se geram quando a família se mete toda ao barulho. Claro que a verdadeira surpresa chegou quando Barb (Jeanne Tripplehorn) descobriu outra das mentiras de Bill (Bill Paxton) que veio mais uma vez com o seu discurso “Eu não sou um homem perfeito mas…”.
O episódio não estaria claramente completo se não tivéssemos um pouco de drama vindo directamente do complexo religioso. Se a ideia das uniões em massa nos quartos de hotel já é algo surreal, o que dizer desta Nicki (Chloë Sevigny) que aparece para salvar a sua filha? Embora pareça repetitivo elogiar todas as semanas o trabalho da actriz, a verdade é que ela continua a mostrar lados da sua personagem que desconhecíamos mas sempre com seriedade suficiente para não tornar as situações ridículas.
A última surpresa de destaque foi o (re)aparecimento dos Green quando ninguém suspeitava do seu paradeiro. Claro que antes disso ainda tivemos direito a algumas cenas caricatas com os três estarolas e Jodeen (Mireille Enos) a tentar arranjar os seus pássaros num mercado manhoso no meio do México. Agora que esta família os aprisionou resta saber que novo drama vão trazer à baila.
Concluindo, é num episódio mais afastado da campanha e mais focado noutras histórias que descobrimos o ponto forte desta temporada. Porque de jogos políticos já estamos todos fartos, nada como regressar ao núcleo dura da série que é suficiente para nos surpreender.
O Melhor: Dale, personagem que gostaria de ter tido mais tempo de conhecer.
O Pior: Não se perceber bem de onde vem todo aquele ódio a Marilyn Densham (Sissi Spacek).
Extra: entrevista com Ben Koldyke sobre o seu papel na série. SPOILERS para quem também vê “How I Met Your Mother”.





Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






Com esta série não dá para adormecer mesmo. Boa review!
As reviravoltas e peripécias são já tão constantes que se torna já quase indescritível.
Se no episódio anterior o discurso de Bill foi magnifico e catalizador (não só dos votos), ficou-se logo a imaginar que este Bill iria acatar com ainda mais problemas, só para se servir de atingir os seus fins. E cada vez mais se nota que atingir os seus fins (de princípios altruísta mas irrealisticos) está já a ser motivo para destruir tudo por onde passa, especialmente a sua família complexa.
Mas é realmente as esposas dele quem estão a segurar o barco e a tapar os buracos que ele não fecha.
Já não bastavam as situações com os filhos (especialmente o mais velho -mas quem não se apaixonaria pela Margene?), segue-se uma muito oportuna gravidez de uma ex-4ª esposa (a cara da Barb quando soube o momento em que foi feito)… mas agora o mais triste foi ver a decepção que causou no irmão e na mãe.
É, para mim, notável o caminho que a personagem de Margene está a seguir, que no meio do turbilhão que é a série, ela me parece ser a “consciência” mais segura de si no meio de tudo aquilo. A lucidez dela ao questionar a exposição mediatíca que se irá abater sobre eles e as implicações que isso trará.
Já a “realidade” da Nicky é cada vez mais impressionante… a mãe dela unida ao seu antigo recusado marido, pai da sua filha, que passa ter uma avó que é ao mesmo tempo a nova mãe dela…
E como sempre parece que não vai haver amanhã e já novas situações se alinham: o rapto do filho de Bill pelos mafiosos Green… a situação destroçada de Alby… a nova direcção no casino à rebelia de Bill… etc.
Nota-se bem que os responsáveis por Big Love estão a fazer tudo para continuar a garantir a existência da série, que perante tamanha criatividade de escrita, já garantiu mais uma temporada. Só acho pena serem tão poucos episódios e por cada vez mais se afastarem do verdadeiro mundo da poligamia e da realidade do complexo. Se não é a personagem Nicky (a impressionante C. Sevigny a continuamente a compor uma personagem ultra-complexa como se até fosse fácil) a continuamente a arrastar-nos para lá acho que a série já se tinha perdido e era apenas mais um drama mas mais esquisito.
Concordo completamente! Parece que os argumentistas têm tantas e tão boas ideias que as querem usar todas de uma vez para mostrarem que esta não é apenas uma série sobre poligamia. No entanto, tamanha complicação de enredo pode vir a afastar alguns espectadores…