[SPOILERS] Recordam-se de uma fábula infantil, em que um casal de ursos, acompanhado pelo filhote, chega a casa, depois de um retemperador passeio familiar, para encontrar indícios de que alguém utilizou os seus pertences – cama e comida – durante a ausência? Passa-se o mesmo, no início de novo episódio de “Castle”.
Uma família a regressar de férias, ansiando pelo aconchego do lar. Primeiro, a confusão, ao depararem com uma pilha de louça por lavar. Depois, a apreensão, vendo as camas, antes imaculadamente feitas, acusando notório uso. E finalmente num clímax inesperado e indesejável, um corpo, estragando a harmonia do quarto da criança.
O mistério que ronda a morte é o suficiente para afastar Rick Castle (Nathan Fillion) das suas preocupações mundanas, logo na altura em que um ranking anual o coloca à beira da saída do grupo de solteiros mais cobiçados. A especulação jornalística, aludindo a um pretenso romance com a parceira no combate ao crime, atira-o para um mundo de preocupação, perante a provável reacção irada de Kate (Stana Katic).
Douglas Bishop (Wesley Sellick), o nome do pretenso invasor do apartamento e vítima de assassinato, revela-se uma caixinha de surpresas, longe de qualquer estereótipo que o catalogue numa qualquer lista de perfis. Sem problemas de dinheiro, com emprego estável, a sua presença no apartamento é uma incógnita. O mistério adensa-se ainda mais, quando a investigação policial [se é que se pode chamar investigação a um monte de teorias e deduções atiradas em redor de uma caneca de café, em amena cavaqueira] descobre a presença de outra pessoa [o provável assassino] no apartamento. Descobrindo-se a conexão entre ambos os elementos, obtém-se a resposta ao enigma. Uma série de invasões aleatórias sem que existam roubos, com os perpetradores a, imagine-se, procederem a reparações em alguns dos imóveis, parece um evento sem solução.
É um dos habituais rasgos de inteligência de Rick que os coloca no trilho certo. À pergunta sem resposta de “quem é que poderia saber que os apartamentos invadidos estavam temporariamente abandonados” ele acrescenta “os entregadores de jornais, porta a porta”. Numa história rocambolesca, com bandidos com cicatrizes em forma de lua, 3 milhões em dinheiro e um assalto insólito a um banco, o bandido é, como sempre, capturado no final. Ele é Stan (Jon Curry), cunhado de Douglas, o terceiro homem, astuto o suficiente para roubar um contrabandista, sabendo que este nunca faria queixa às autoridades. E quem é esse contrabandista? O dono da loja de animais exóticos, contigua ao banco, que praticava tráfico ilegal de diamantes…em cobras vivas.
O Melhor: Toda a rábula em redor do artigo do jornal, com Castle a procurar evitar, por todos os meios, que Kate tome conhecimento do teor do mesmo, com os remoques subsequentes, numa espécie de duelo do “melhor encontro” [Castle com a solteira nº 3 e Kate com um bombeiro herói], a apimentarem a relação. A incapacidade de ambos, nos respectivos encontros, de se abstraírem das questões relacionadas com o caso que investigam, num paralelismo delicioso.
A tirada de Javier (Jon Huertas), quando descobre sobre o tráfico de pedras preciosas em cobras, remetendo para o “Snakes on a Plane”.
O Pior:O mesmo de sempre, já referido inúmeras vezes, nas críticas anteriores. Série light, para consumir sem grandes preocupações intelectuais.





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Adorei a dupla Beckett e Castle todos bem vestidos a aparecer no meio da investigação.
Pôr o peso da série toda na relação Castle/Beckett não é para mim a melhor solução. Ao contrário deste, basta um episódio onde essa interacção seja menos divertida e/ou interessante que perde-se todo o charme da série.
Alguns casos não são grande coisa e podiam melhorar já nesse aspecto, depois os outros detectives também deviam ter um papel mais activo e com mais interacção com a trama principal.
Outra coisa seria desenvolver o lado familiar de Castle que tem estado algo na sombra nos últimos tempos. Se temos uma filha e a mãe porque não usá-las mais vezes.
De resto concordo com tudo que dizes.
:2meio:
Nem mais João…
Os outros detectives são personagens meramente caricaturais, vivendo permanentemente na sombra de Rick e Kate, sem qualquer hipótese de brilhar.
Relativamente à família, ela até parecia ser, na 1ª temporada, uma parte integrante dos episódios, com bons momentos familiares, nomeadamente a nível de humor, a ajudarem a estruturar os episódios. Tudo isso se desvaneceu esta 2ª época. E é pena…
Não sei porquê, talvez por estar bem disposto, talvez porque os enredos foram engraçados, mas gostei especialmente deste episódio de Castle.
Gostei bastante deste episódio. Adorei como a Beckett e o Castle ficam com ciúmes um do outro mas que no jantar, não conseguem deixar de pensar no caso.