[SPOILERS] Mais um dia. Mais uma aventura, na companhia bem-humorada de Rick Castle (Nathan Fillion). O escritor, transformado em detective, é um homem de hábitos. Se não está a escrever as mais recentes aventuras policiais, derramando em folhas de papel a sua imaginação delirante, ou a ajudar o trio de detectives a resolver crimes aparentemente insolúveis, é porque dedica o seu tempo restante à família.
Não sendo uma daquelas famílias disfuncionais que, bastas vezes, nos são mostradas, esta é, no mínimo, sui generis. Vivendo com a filha e a mãe, muitos dos momentos de humor da série, na sua primeira temporada, vieram da relação de Rick com ambas. Algo que, com o decorrer dos episódios, foi ficando para trás, ostracizada por outros adventos. E é pena. Julgo que a exploração daquele ambiente único, no lar, criaria uma linha narrativa que se coaduna com o resto da série. Light. Com momentos engraçados. E diálogos delirantes. Mas na máquina voraz que são as audiências, aparentemente os crimes – e consequente resolução – ditam leis. E assim sendo, deixando de lado o que poderia ser feito, concentremo-nos no que nos é dado. Um assassinato, com a vítima a ser um famoso jogador de basebol, encontrado prostrado, ironicamente no palco onde encantou multidões. Em pleno campo. Cano Vega serviu de saco de pancada, para treino com um taco de basebol. 36 pancadas, ritmadamente dadas na cabeça, só poderia acabar num cenário onde o sangue predomina.
Em poucas linhas, ficamos a conhecer o homem que era Cano Vega. De refugiado, fugindo de uma Cuba ditatorial, até se tornar um símbolo para toda uma comunidade, que via naquele exemplo de perseverança o sonho americano de sucesso. Numa abordagem superficial sobre a relação tensa existente entre os EUA e Cuba, é-nos mostrado um dos lados da questão: o dos refugiados que fogem de um regime opressivo, vivendo entrincheirados do outro lado, enquanto pregam por uma Cuba livre. Fugindo do estilo panfletário, evitando tomar partidos, o episódio aborda o efeito que uma aparição de Cano Vega, em Cuba, apertando a mão ao próprio Fidel, despoleta. Uma espiral de ódio, com o epíteto de traidor colado virtualmente à testa do jogador de basebol. O amor e admiração versus o ódio mais visceral. De bestial a besta, num curto espaço de tempo. E, com essa mudança de sentimentos, suspeitos em potencia é coisa que não falta.
- Alfredo Quintana (José Zúñiga), filósofo e editor de um libelo radical, anti-Castro, apontando o dedo a Cano Vega, depois da sua aparição propagandística na ilha natal de ambos. Remoendo um ódio acumulado durante anos, o álibi que apresenta não o livra, no entanto, de uma certeza. Os seus discursos inflamados incentivaram toda uma comunidade contra o jogador;
- Anton Wade (Dayo Ade), um criminoso empedernido, expert em agiotagem e extorsão, empático na arte de usar – e bater – com um taco de basebol e, cereja no topo do bolo, com pistas deixadas na cena do crime, apontando directamente para si.
Como apenas estavam decorridos 10 minutos do episódio, qualquer um, mesmo possuindo um QI idêntico ao do Forrest Gump, conseguiria saber que Wade seria ilibado. Num passe de mágica. E assim foi. Sem mágica, é certo, mas baseados apenas no forte poder dedutivo – algo repetitivo, em todos os episódios – de Kate (Stana Katic) e Rick. Com o adensar da investigação, a pergunta seguinte à do “quem matou Vega” é uma enigmática “porque é que um milionário necessita de 200.000 dólares, de um agiota?”. Encontre-se a resposta e o THE END iluminará o ecrã.
Com os habituais equívocos e avanços erróneos, as suspeitas abarcam o sócio de Vega num clube nocturno, Tommy Zane (Don Franklin), que andou numa recente sessão de pugilato com o agora morto e a esposa que suspeitava da existência de um caso extra-conjugal. E é sobre a figura de Lara, uma pretensa namorada de Vega, que incidem as suspeitas. Ajudando-a a fugir de Cuba. Tudo se desenrola, então, de forma fácil, como um novelo inicialmente entrelaçado, mas que se vai desembaraçando. Lara (Vanessa Martinez) é filha de Vega, fruto de uma relação anterior, em Cuba. Quando o jogador soube que tinha uma filha, anos mais tarde, procura ajudá-la, planeando a fuga da ilha, como forma de lhe proporcionar um destino melhor. A revelação leva igualmente ao nome do culpado: Robert Fox (Ray Wise), agente do jogador, implicado na fuga deste de Cuba, mas optando por deixar a então noiva para trás. A descoberta da verdade, por parte do jogador, precipitou os acontecimentos que levaram à sua morte.
O Melhor: Casos imaginativos, procurando sistematicamente inovar na história, de forma a evitar a criação da monotonia. E os habituais diálogos excelentes. Como este:
Castle: “Did you just use the word veritable?”
Beckett: “Yes, I did.”
Castle: “Sexy.”
Beckett: “You should hear me say fallacious.”
O Pior: A resolução dos casos, demasiado simplista. Sem verdadeiro trabalho de campo, a fórmula não difere, de episódio para episódio: deduções atrás de deduções, umas mais criativas que outras, a que se segue o habitual interrogatório dos vários suspeitos, até à conclusão final.

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Ah, Cano! Não estava a perceber se o homem se chamava Keanu, Canu ou Cano lol
Destaque, para além de tudo o que falaste, para a gabardina azul que assentava que nem uma luva em Beckett.
Como este caso fez-me lembrar um que o Cold Case já fez à uns tempos, apesar de um desfecho diferente, acabou por não me despertar um grande interesse.
De resto continua tudo na mesma os dois protagonistas com alguns diálogos interessantes, lá tivemos direito a mais família do Castle e mais alguns momentos divertidos.
Vê-se bem e vai dando para passar o tempo sem grandes preocupações.
:2meio:
Blahhh… Chato.
Achei este mais fraquinho que os anteriores, mas admito que chorei no fim! Acho também a relação da Alexis com o Castle muito querida.