[SPOILERS] “Tonight’s been educational.” A frase com que começo a crítica ao terceiro episódio desta temporada de “Damages” é proferida por Patty Hewes (Glenn Close) num diálogo (muito bom, por sinal) com Leonard Winstone (Martin Short) no aeroporto. E, retirada do contexto, penso que resume bastante bem o que se passou neste episódio.
“Damages” não pode, nem deve, ser um aglomerado de cliffhangers por episódios. Evocando uma metáfora automobilística, de vez em quando sabe bem abrandar o ritmo para apreciar melhor a paisagem. Por outras palavras, por vezes é necessário refrear a sucessão de acontecimentos para serem aprofundadas as novas personagens e conhecermos melhor as suas motivações e fantasmas. Foi o que aconteceu esta semana com Joe Tobin (Campbell Scott), Leonard Winstone e Danielle Marchetti (Mädchen Amick).
Resumidamente, este episódio foi uma caça a Danielle Marchetti. O pai Tobin (Len Cariou) quer que ela saia do país. O filho Tobin atropela-a acidentalmente e não sabe o que há-de fazer. E a Patty e Tom (Tate Donovan) querem apanhá-la para a interrogar. E a verdade é que a história não avançou muito. No final, a amante não viaja e Patty pode finalmente interrogá-la. Para que serviu este episódio então? Para clarear sombras que pairavam sobre algumas personagens.
Joe Biden não é tão recto moralmente como se suponha. Pelos vistos já conhecia, intimamente, Danielle há mais tempo. A reacção tão intempestiva que teve não foi só pelo pai ter uma amante mas por essa mulher ser quem é… Foi bastante interessante a trama dentro da casa de Danielle e a cena em que percebemos que os danos físicos foram bem maiores do que previsto é muito bem conseguida. Para o final estava guardada a “revelação” que Joe pode muito bem ser o grande vilão desta temporada. Mesmo sabendo que Danielle morreria caso viajasse, Joe não hesita em querer que ela embarque. O percurso desta personagem tem sido excelente e, depois deste episódio, ficamos ávidos por novos desenvolvimentos. A este nível, parece-me igualmente justo realçar, de forma isolada, o desempenho de Campbell Scott que consegue trabalhar de forma exímia a ambiguidade e hesitação moral da sua personagem.
Outra das personagens com mais presença neste episódio foi Leonard Wisntone. Depois de termos percebido que “Lenny” parecia trabalhar muito mais para o pai do que para o filho, neste episódio os contornos da sua flexibilidade profissional acentuam-se. É óbvio que ele sabia que Danielle existia e que é importante para o caso tal como é claro, pelo menos para mim, que o advogado conhece todos os contornos obscuros da fraude que marca esta temporada. Aproveitando a referência ao caso da temporada, tenho dúvidas acerca da relevância de Danielle. Não me faz muito sentido que ela exista apenas sabermos onde está o dinheiro. Para mim, esta personagem será preponderante na ligação entre a fraude Biden e a investigação que leva à morte de Tom. A comprovar nos futuros episódios.
À parte de toda esta investigação, Ellen (Rose Byrne) (é impressão minha ou está cada vez mais secundária?) mesmo com Patty a insistir para que fique na perseguição a Danielle, decide fazer uma visita à família. E, na verdade, este arco teve bastante mais interesse do que suponha. Se no início o objectivo do mesmo parecia mostrar que para Ellen a prioridade ainda era a família, depois de tudo o que se desenrola e, sobretudo, da desilusão em relação à irmã, percebemos que houve ali um momento de viragem. Sem David (Noah Bean), nem Wes (Timothy Olyphant) – finalmente decidiram revelar o que lhe aconteceu – e, desiludida com a família, Ellen irá apostar tudo na sua carreira. Resta saber que caminho escolherá…
Depois de um episódio anterior frenético e com pseudo-revelações algo rebuscadas (pelos menos assim o espero), “Damages” abrandou o ritmo. E ainda bem. É óbvio que queremos saber o que se passou a Tom mas acho preferível percorrer um caminho seguro do que andar em atalhos atribulados. A diferença na escolha dos caminhos está à vista nas duas temporadas anteriores.





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E esta semana não houve ‘flashforwards’.
Depois da conversa entre a Ellen e a irmã, tenho mais motivos para achar que a relação entre a Ellen e Tom será a nível financeiro e não romantica.
Depois da conversa entre a Ellen e a irmã, tenho mais motivos para achar que a relação entre a Ellen e Tom será a nível financeiro e não romantica
Hum… porquê?
Lembras-te do 1º episódio, qual seria o interesse do Tom no caso da Ellen?
E a irmã dela pedir dinheiro. A Ellen dizer que não tem problemas com dinheiro. Depois a Ellen descobrir a droga. Acho que a Ellen vai ajudar o Tom e a irmã e de alguma maneira o sem-abrigo vai acabar por ser envolvido.
Sinto que está tudo relacionado. Mas, tb pode estar tudo na minha cabeça.
Excelente crítica. Acho que disseste tudo o que importava.
Eu achei “refrescante” não termos saltos até ao futuro. Parece que estive mais calmo a ver o episódio. Mas por outro lado também achei o episódio um pouco mais “parado” que os anteriores.
Sem dúvida que o Joe se está a revelar muito melhor que a encomenda. É bom ver que ele começa a fazer estragos e que consegue ser bastante frio e até cruel… Ele parece mesmo querer-se vingar da Danielle, por ela o ter trocado pelo pai. E por o pai ter traído a mãe.
E como sempre a Patty e a Ellen (no eterno dilema família-trabalho) estiveram muito bem nas suas histórias.
:4:
Hey Ramos,
Thanks
Sim, o episodio nao incluiu flashforwards e acho que so ganhou com isso. Depois de 2 episodios onde os saltos foram demasiados, acho que os argumentistas fizeram a decisao correcta em abrandar o ritmo e apostar no desenvolvimento das nossas personagens
Um abraço
as personagens são o mais me tem agradado nesta temporada, estão a ser bem trabalhadas e bem interpretadas. as histórias estão a ser contruidas com bases sólidas e sem grandes correrias.
espero que assim continue
Outro grande episódio. Como estou a ver estes últimos episódios seguidos nem me fez muita diferença não haver saltos temporais, assim consigo ir organizando bem as personagens na cabeça para aquilo que vem a seguir.