[SPOILERS] Depois de um episódio pausado e até introspectivo, sem avanços nem recuos, “Damages” volta à sua génese. Muitos desenvolvimentos, muitos mistérios e algumas pistas sobre o futuro. Mas conseguirão os argumentistas manter a qualidade a que nos habituaram neste início de temporada?
Parece que sim. Focando mais no caso da temporada do que no caso Tom (o que me parece mais acertado) ,”Damages” volta a oferecer-nos um episódio repleto de adrenalina, twists e até desfechos de algumas personagens. Vamos por partes.
Caso da Temporada: Então mas…. o pai Tobin (Len Cariou) só ligou a Danielle (Mädchen Amick) para pedir comprimidos?! Estiveram quase dois episódios à volta deste mistério para ter um desfecho tão simples? Parece-me claro que nos estão a atirar areia para os olhos. Se fosse só mesmo isso porque razão Marilyn (Lily Tomlin) daria o número da amante do marido ao filho com o propósito de o ajudar a perceber toda a trama da fraude? Como costuma dizer a minha mãe “não bate a bota com a perdigota”. Mas adiante. Louis Tobin, horas antes de ser julgado, e consequentemente preso, procura a redenção junto do filho e, de forma a ganhar mais tempo, aceita ser interrogado novamente pela Patty (Glenn Close). E em boa hora o fez. Não que isso produzisse grandes efeitos no seu destino, mas porque nos ofereceu um excelente (e como veríamos no futuro, o último) momento com a Patty. Mais uma vez, a forma como a advogada conduziu a “conversa” não só foi excelente como nos relembrou o porquê de Glenn Close ganhar tantos prémios. Avassaladora.
Mas a verdade é que episódio seria inteiramente de Lou Tobin. Horas antes de ser julgado e condenado, Lou Tobin, com a preciosa recomendação de “Lenny” Winstone, demonstra a sua essência ao mandar matar o filho que retomara ao alcoolismo. Numa sequência absolutamente espantosa a vários níveis, Joe, ao ver as capas, dos jornais decide abandonar a bebida e concentrar-se na família o que acaba por lhe salvar a vida. A tensão presente na perseguição e a cena de Leonard Winstone (Martin Short) à frente da montra com as várias câmaras a apontarem para o seu rosto como se tivessem a estudar as várias “máscaras” que caracterizam o percurso do advogado são, para mim, dos momentos marcantes desta terceira temporada.
No entanto, Lou Tobin nunca soube desse passo a trás de Joe e após um diálogo novamente interessantíssimo com Patty, decidi por um fim à sua própria vida. Desgosto com o filho que o renega, o velho Tobin percebe que mais do que culpado por todos os danos causados pela fraude, falhou enquanto pai e marido. Lou Tobin morre sozinho e, com ele, parte uma personagem interessante mas que desde o início deu pistas que não teria um protagonismo como Frobisher (Ted Danson) ou Kendrick (John Doman). Tal como tinha dito na crítica anterior, tudo apontava para que o Joe Tobin fosse o grande adversário de Hewes nesta temporada e, depois de ter posto a bebida de lado, os dados estão lançados: Joe fará tudo para esconder e controlar a fortuna desviada pelo seu pai e Patty fará de tudo para o impedir.
Caso Tom: Por aqui houve poucos desenvolvimentos. Ficamos a saber que Patty desconhecia a morte do Tom (Tate Donovan) – foi só eu que notei num certo sadismo do policia ao contar-lhe? – como da última vez que falou com o seu sócio ele está bastante agitado. No entanto, são os últimos 10 segundos de episódio que nos intrigam. Aí, vemos uma Patty Hewes desesperada e descontrolada a gritar, ao telefone, que não percebia o que tinha acontecido pois tinha mandado-o parar (quem quer fosse). Estará a morte de Tom relacionada com mais um jogo de bastidores de Patty? Eis a pergunta que os argumentistas nos querem deixar na cabeça depois de mais um episódio. Após sugerirem que seria Ellen (Rose Byrne), agora aparece Patty como possível causadora do desfecho trágico do advogado. Eu continuo a achar que nenhuma delas esteve directamente ligada a isso (indirectamente estarão, com certeza) mas em “Damages” nunca podemos ter certeza de nada. E vocês? Aceitam-se palpites.
Dois últimos comentários:
- A história da irmã de Ellen parece-me, como disse antes, que tem unicamente o propósito de isolar socialmente a jovem advogada. Não lhe conhecemos amigos, nem tão pouco namorado e com este afastamento da irmã e restante família a aproximação a Tom e a Patty surgirá de uma forma natural.
- Foi bom revermos o filho de Patty. Importante na segunda temporada, passamos a saber que ao contrário do que disse à mãe continua desempregado e vai ser pai. Avizinham-se grandes emoções e confrontos entre a Patty e o seu filho.





Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






Um comentário extra:
Conseguiste ler o nome que estava no envelope que o Joe encontra quando vai visitar o pai, que entretanto decidiu pôr fim à vida?
:wow:
A tensão presente na perseguição e a cena de Leonard Winstone (Martin Short) à frente da montra com as várias câmaras a apontarem para o seu rosto como se tivessem a estudar as várias “máscaras” que caracterizam o percurso do advogado são, para mim, dos momentos marcantes desta terceira temporada.
For me too! Adorei.
Em relação à irmã e à família és capaz de ter razão, pois o Nick (Ebon Moss-Bachrach) há 2 episódios que não aparece. E eu achava que era com ele com quem a Ellen iria se envolver nesta season.
Mas, ainda acho que ela vai ajudar a irmã em algo.
Conseguiste ler o nome que estava no envelope que o Joe encontra quando vai visitar o pai, que entretanto decidiu pôr fim à vida?
Consegui. Dizia para entregar o envelope à Patty. Provavelmente, e depois de ter “perdido” o filho, aquele foi o ultimo acto dele de altruísmo, dando acesso as contas onde estava o dinheiro. Mas … o que é que eu sei? lol Pode não ser nada disso. Que o envelope era para a Patty era, o que tinha lá dentro só podemos especular
E porquê dar o acesso ao dinheiro a terceiros e não à Marilyn, à mulher?
Eu acho que é outra coisa.
Dai a palavra altruísmo lol. Não deixa de ser dinheiro roubado portanto pode ser que a procura da redenção o tenha feito entregar o dinheiro
Gostei do episódio, sobretudo da sequência final. No entanto, há algo na série que simplesmente já não funciona para mim, que são todos os bluffs da sequência dos “cinco meses depois”. Eles fazem sempre o mesmo. É só atirar areia para os olhos e tentativas de engodo que já não enganam nada. Quando a série começou, e esta forma de contar a história era uma novidade, todas as reviravoltas eram surpreendentes e excitantes. Agora, já sabendo as intenções, nada disso resulta. Claro que a Ellen não tem nenhum caso amoroso com o Tom. Claro que a Patty não teve influência directa no homicídio do Tom. Se se revelar que têm, então dou a mão à palmatória e admito que ainda me conseguem enganar. Até lá, todos estes pequenos ganchos não me dizem rigorosamente nada.
Então mas…. o pai Tobin (Len Cariou) só ligou a Danielle (Mädchen Amick) para pedir comprimidos?! Estiveram quase dois episódios à volta deste mistério para ter um desfecho tão simples? Parece-me claro que nos estão a atirar areia para os olhos.
Pois, também não acreditei nada na história, até porque a cena toda dos comprimidos não faz sentido nenhum. Então ele em vez de telefonar a um médico ou pedir uma ambulância de urgência, decide expor a namorada à mulher só porque seria mais rápido!? Sim, claro…
Pois, eu percebo e concordo contigo. Têm se tornado bem claras, como tenho dito, as intenções dos argumentistas em tentar passar a ideia errada. Agora podemos olhar para os flashfowards de outra maneira: que “relação” é que Tom e Ellen tinham? Estaria Ellen a trabalhar no caso com o Tom? E quem é que Patty disse que tinha mandado parar? Parar o que? O que é aconteceu? Como é que a mala da Ellen foi parar ao lado do corpo do Tom?
Mesmo que não estejam directamente relacionados com a morte de Tom, como referi em cima, não deixam de ser perguntas interessantes. Pelo menos para mim
Nos últimos segundos eu fiquei com medo. MEDO da Glenn Close. Medo de ver Patty Hewes descontrolada daquele jeito, assombrada, subindo as escadas correndo…
E depois fiquei feliz por constatar que ela Ganhará de novo todos os prêmios da próxima temporada.
E viva o talento!
LOL Medo? Eu fiquei foi com vontade de ver mais essa Patty descontrolada. Estamos habituado a ver Patty puxar sempre os cordelinhos e conseguir sempre o que quer. Porém, foi nas alturas mais descontroladas da personagem que, na minha opinião, surgiram os seus melhores momentos.
E sim, Glenn Close é gigante
Outro episódio impressionante cheio de pequenos momentos de destaque que já referiste. Grande Glenn Close!
Foi tão bom este episódio!
O suicidio do Tobin apanhou-me mesmo desprevenido. Tal como a cena final com a Patty, foi espectacular. Eu pensava “pobre Patty, perdeu um grande aliado… está tão emocionada” mas depois, no final: “Uau! Aquela mulher destrói tudo o que a rodeia!”
Eu já nem sei no que acreditar. Os escritores podem levar-nos a pensar algo, já prevendo que desconfiariamos e no final as coisas podem afinal ser tão “simples” quanto parecem. É sempre uma incerteza!
E os olhares que a Glenn Close troca com a Rose Byrne… deliciosos.
Também gostei de ver o filho da Patty de regresso… o rapaz não acerta uma!
:4meio: