[SPOILERS] Não. Ainda não é o dia do jogo aguardado. Os Panthers versus os Lions. Não é, mas podia ser. O jogo está lá. Como se fosse omnipresente. Uma entidade que gere os sentimentos que provoca, como se mexesse num boneco de marionetas. Tensão. Nervosismo. Pressão. Excitação. Como é anunciado na rádio. Faltam quatro dias para a Acção de Graças. E cinco para o Armagedão.
A cidade de Dillon parece uma panela de pressão. Joe McCoy (D.W.Moffett) e o seu imenso séquito procuram, em jogada de bastidores, retirar a pressão sobre os ombros dos seus jogadores, que necessitam da vitória para se apurarem para os playoffs. Como o fazem? Simples. À boa maneira de McCoy. Rasteira. Mesquinha. Implicando com o [mau] estado do campo dos Lions. Tudo contribui para exaltar ânimos, acirrar mentalidades, provocar celeuma. Eric (Kyle Chandler) é, debaixo daquela pose impassível, uma panela de pressão, peão num jogo de interesses superiores. Vários pormenores se destacam:
- A [brilhante] partida engendrada por Landry [Jesse Plemons), levando os Lions a encherem o campo dos rivais com palitos dos dentes;
- A sintonia crescente entre Eric e os seus pupilos, mas com a disciplina sempre a figurar no lote da frente. Deliciosa a forma como, de forma subtil, os castiga pela partida feita aos Panthers, colocando Landry a rematar, bem longe, aos postes, enquanto os restantes correm sem parar:
- O mea culpa, feito quase de imediato, após reprimenda a Luke (Matt Lauria), quando o obrigou a servir de aguadeiro.
Pequenos detalhes, mas que ajudam a solidificarem personalidades, caracterizando os caracteres das personagens.
Alheio a isso está Vince (Michael B.Jordan), digerindo a morte violenta de Calvin, assassinado com vários tiros, depois de incursão conjunta no mundo do crime. Pressionado por Jess (Jurnee Smollett) para falar com a polícia, o jovem é confrontado com os [normais] pensamentos de vingança. Sinto pena dele. Só procura, normalmente, manter a cabeça à tona da água, vivendo uma existência normal com a mãe, ancorado nos seus estudos/trabalho/futebol. Sempre que o consegue, inspirando golfadas de felicidade, algo o puxa de volta, para as profundezas negras e tenebrosas. Um incidente. Um amigo do passado. A necessidade de dinheiro. É um rapaz solitário, à deriva num Mundo que parece que só o agride. Mas Vince tem, igualmente, momentos excelentes. Ternurentos. Como quando diz a Landry, “you’re a good dude”. Como uma espécie de passagem de testemunho, deixando de lutar pelo amor de Jess.
Por falar nela, a namorada de Landry tem uma breve, mas intensa cena, quando procura evitar a saída de Vince para a sua vendetta particular. Argumentando que aquele será, porventura, um erro que destruirá a sua vida, para sempre, obtém como resposta um “i´m a monster”. Mas Vince, felizmente, retrocede nos seus intentos, apesar de ameaçado pelo gangster que o acompanha. Tomando uma atitude de louvar, o que é certo é que se abre aqui, provavelmente, a possibilidade de um triângulo amoroso, com o crescente envolvimento de Jess nos problemas e Vince.
Tami (Connie Britton) entra no seu inferno particular. A história, posta a circular pela mãe de Luke, do aborto de Becky (Madison Burge), chega à imprensa. Sem direito a contraditório, a directora do liceu vê-se no meio de um turbilhão de sentimentos, com os pais clamando pela sua demissão. Numa verdadeira espiral de ódio, Tami é confrontada com telefonemas ameaçadoras, protestos à porta da escola, dos grupos anti-aborto, e um imposto pedido de desculpas, por parte do corpo directivo. A provação por que passa serve, no entanto, para apreciarmos devidamente o seu carácter forte, bem como a sua força interior, que a levam a conseguir ultrapassar estes testes terríveis. A família Taylor suporta, neste episódio, uma dose industrial de tensão, conseguindo mesmo assim permanecer junta, unida. Resta apenas saber qual será o caminho a trilhar por Tami. Aceita a declaração que lhe é redigida pelo Liceu, ou opta por manter intactos os seus princípios, demarcando-se da mesma?
O Melhor: O soco no estômago de todos. Vemos inicialmente Billy (Derek Phillips). O seu nervosismo. A sua ansiedade. Sentimos a sua perturbação. E sorrimos, quando o habitual quadro familiar nos é mostrado. Ele. A esposa. E o rebento. A emoção não se explica. Sente-se. E ver aqueles rostos, iluminados em risos plenos de felicidade, faz-nos sentir uma enorme afinidade com o casal. Tal como com Tim (Taylor Kitsch), que finalmente encontra o real sentido da vida. Aquele momento em que ele se liberta, sozinho na garagem, ao som da música, é sublime. O rosto feliz reflectindo o que aí vem. As luzes, prenunciadoras de desgraça, de um carro da polícia, espelhando-se na face dele. Apercebemo-nos, antes do próprio Tim, da chegada das nuvens negras, que ensombrarão o seu futuro sonhado.
As cenas – apesar de curtas – em que entra Landry. Parece um dínamo de boa disposição.
Momento alto, claro, quando Eric esmaga literalmente o telefone, após receber a notícia de que os Lions perdem o direito de jogar em casa, frente aos seus rivais.
O Pior: No final, é apenas um jogo de futebol. Dizer isto é fácil. O resto é que não. Desporto que radicaliza os sentimentos, o episódio conseguiu abanar o meu fleumático ar de espectador. Caramba. Se os Lions não ganharem. Aliás, se os Lions não humilharem os Panthers, acho que deixo de ver a série. Já estou num estado de ansiedade tremendo.





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Seria muito estranho depois de eles perderem com equipas fracas eles ganharem a uma equipa de topo como os Panthers.
Acredito que possam dar luta, mas agora ganhar?
Acredito que possam dar luta, mas agora ganhar?
Não me choca isso. O desporto mostra essa realidade quase semanalmente. Aliás, esse é um dos motivos pelos quais o desporto move tanta gente e gera tanta paixão e discussão. Se ganhassem sempre os melhores e os mais fortes, isto não tinha piada nenhuma. Essa imprevisibilidade, essa coisa dos pequenos se agigantarem perante os grandes (basicamente, nada têm a mostrar) é algo comum. Nem sempre acontece, mas acontece muita vez. Os jogos olímpicos (em certas modalidades) são um bom exemplo desta realidade. Ou os campenatos do mundo de qualquer modalidade (futebol, basquetebol, etc, etc)
Sim, mas nunca vi uma equipa de topo perder com a ultima/penúltima do campeonato.
Isso as vezes acontece cá, mas é geralmente nos jogos extra-campeonato e não é com os jogadores que normalmente são usados.
Mas não me admirava se eles ganhassem, fica bem na figura, depois de toda a gente os gozar e eles no fim ganham.
Unreal,
Desculpa lá, mas eu já isso acontecer. E muitas vezes. Tornei-me aficcionado da NFL, um pouco graças a FNL. Por exemplo, este ano os Steelers, campeões em título e com uma belíssima equipa, perderam com os Oakland Raiders e Cleveland Browns. Por acaso, duas das piores equipas actuais. O jogo com os Browns, q vi na ESPN, foi do género deste duelo que se espera. Uma equipa fraca, mas q realizou um jogo extraordinário…
Mas lá está, eu até acho que os Lions vão perder
ray:
Eu estou a falar de futebol, não futebol americano.
Mas mesmo ao futebol, não ligo muito.
Mas se já viste acontecer, então poderá ser possível que os Lions ganhem!
Olha que por acaso, equipas do fundo da tabela a ganharem ou empatarem com primeiros até é algo que acontece com mais regularidade do que parece.
Então e o Real Madrid que foi humilhado (4-0) pelo Alcórcon, da segunda B espanhola, na Taça do Rey? Sim, foi um jogo extra-campeonato, mas o Real não é propriamente uma equipa qualquer e mesmo jogando com jogadores de “segunda linha”, tinham naquele onze uma equipazinha engraçada, tinham: Dudek, Arbeloa, Metzelder, Albiol, Drenthe, Diarra, Guti, Granero e Van Der Vaart, Raúl e Benzema.
No desporto não há dados adquiridos, como se pode ver pelo exemplo que dei acima.
Colocaste o dedo na ferida, Unreal…
Mas, pese essa evidência, prefiro pensar que, em desporto, tudo é possível. A realidade demonstra-nos isso todos os dias. A galvanização dos Lions, por quererem mostrar que são competitivos, no derby citadino, aliada a uma possível sobranceria dos Panthers, pode criar espaço para essa surpresa…
Sou grande fã da série mas tenho de admitir que esta season parece um concurso a ver quem chora mais…
:rotf: