[SPOILERS] Famílias perfeitas só as da televisão. Sejam grandes ou pequenas, tradicionais ou modernas, as famílias onde tudo corre bem, onde ninguém se dá mal e todos os problemas são resolvidos com uma conversa franca entre todos… perdoem-me o cinismo, mas essas famílias só existem na imaginação de algumas pessoas. E, como quase tudo na vida, a realidade é bem diferente.
Felizmente “Life Unexpected” não se aventura a mostrar famílias desse tipo. Digam o que disserem da série, aqui os problemas não têm sido evitados, as discussões e as desavenças marcam presença e nada é resolvido no final do episódio com um abraço de grupo e um jantar especial. Quer dizer… mais ou menos. Sim, é verdade, a estrutura dos episódios, que tinha mencionado na crítica anterior, começa a notar-se, mas a verdade é que, depois de 42 minutos, e por muitas cenas mais ou menos melosas que nos apresentem, fica sempre a sensação que nem tudo está bem, que a resolução é apenas temporária e que, mais cedo ou mais tarde, iremos ter de voltar a estes assuntos. Sensação que fica, pelo menos, no final deste episódio.
“Rent Uncollected” é sem dúvida, até agora, o meu episódio preferido da temporada, graças em grande parte à nostalgia por uma outra série que o almoço entre as famílias Cassidy e Bazile provocou. Quem é que não se lembrou logo daqueles maravilhosos jantares de sexta à noite na mansão, nos quais Rory e Lorelai eram obrigadas a marcar presença sob pena de invocarem a ira de Emily? Se há cenas memoráveis em “Gilmore Girls”, os jantares de sexta à noite figuram entre as melhores, e aqui não foi diferente. Não, o pai e a mãe de Baze (Kristoffer Polaha) não chegam aos calcanhares de Richard e Emily Gilmore, mas parecem ter frequentado a mesma escola de más maneiras, ao afirmarem que Cate e Baze não têm condições para tomar conta de uma adolescente e ao ameaçarem tirar o sustento do dono do bar. Já a família de Cate (Shiri Appleby), pode não ser tão fria quanto a de Baze, mas pelos vistos sofre de um mal geral, que é o pensar que podem dar palpites sobre a vida dos outros. Com famílias destas, não admira que Cate e Baze tenham problemas em manter relações. E não admira, também, que o mesmo passe para a filha de ambos.
Se o gesto de Lux (Brittany Robertson) para com o pai, ajudando-o a pagar a dívida, foi bonito (embora irreal), isso não significa que ela tenha tido mais sorte no que às relações familiares diz respeito. Depois de uma vida inteira de abandono, é óbvio que Lux não ia conseguir habituar-se às novas regras, às imposições, à forma como, agora, tem de obedecer em vez de liderar. Mas por vezes os dramas também parecem um pouco exacerbados demais, como o foi neste caso. Sim, obrigarem-na a mudar de escola assim, de um momento para o outro, foi mau, especialmente quando tem de deixar os amigos para trás e inserir-se num meio totalmente desconhecido. Mas daí a pensar em fugir só por causa de uma emissão de rádio… não, temos de admitir que parece um pouco forçado. Por outro lado, estamos a falar de uma miúda de 16 anos que, por muito esperta que seja, não deixa de ser uma adolescente, com todos os dramas associados a essa condição… Assim, e porque a série ainda está no início, damos-lhe um desconto desta vez, e até uns pontos extra a favor pela forma como, no final, conseguiu reunir as suas duas famílias. A ver vamos se, até ao final da temporada, se irá manter assim.
É oficial: “Life Unexpected” é a minha série “feel good” da semana. Sim, é um pouco lamechas; sim, é algo previsível; sim, é algo irrealista. Mas sinceramente, tudo isso é secundário neste momento, e ao terceiro episódio arrisco mesmo a dizer que esta é a sucessora perfeita de “Gilmore Girls”. E, por agora, isso é uma mais-valia.





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Como dizes e bem a formula é esta e neste início não vai mudar muito, mas como era aquilo que já se esperava ainda não cansa. Já se percebeu que para já é assim que os problemas vão ser abordados. Esperemos é que não se mantenha assim durante o resto da temporada.
Nesta série quero o “feel good” como dizes e este episódio traz-nos isso. Ver os gesto de amor da filha ou os pais a darem o seu melhor para compreenderem a sua nova situação são sempre bons momentos para nos fazerem esquecer o resto. Foi bom conhecermos o resto da família para podermos perceber melhor o seu impacto nos novos pais.
:3:
É isso mesmo, por agora ainda não chateia, mas espero sinceramente que mudem algo. Pelo que tenho lido, será assim talvez até ao 7 episódio… :s Mas de qualquer maneira, nota-se uma tentativa de não ser sóo histórias fechadas nos episódios. O caso do candeeiro, por exemplo, que teve repercussão no próximo ep.
(por falar nisso, tenho de ver se escrevo a crítica rapidamente).
Também espero é que voltem a mostrar o resto da família, pois isso iria tornar a série e as personagensmais rica, mais humanas.
Quando vi a família toda sentada à mesa tive exactamente essa sensação! Estou a gostar, boa série para intercalar com os episódios mais pesados de Damages.