[SPOILERS] No meio de lutas sangrentas, violentas e imundas, sem alternativa, Spartacus (Andy Whitfield) tenta recuperar a honra numa espécie de clube de combate underground. Se, por um lado, “Spartacus” apresentou algumas das cenas mais hardcore e melhor coreografadas da série, por outro, continua a apresentar cenas desnecessárias e as histórias arrastaram-se.
Os fãs de violência gratuita e sangue tiveram direito a algumas cenas bem mais arrojadas do que aquelas apresentadas até agora, provavelmente pelo pouco recurso a CGI e uma melhor utilização da maquilhagem. Refiro me especificamente àquela cena em que um dos lutadores arranca a cara do outro gladiador e passa a usá-la como máscara. Pareceu-me bem mais real que aqueles golpes que cortavam os membros dos guerreiros, enquanto uma mancha de sangue se espalhavam no fundo.
Apesar de ter gostado de algumas cenas no “submundo”, muitos dos problemas do piloto voltaram a aparecer. Especialmente o abuso de cenas em slow motion. Porque é que sempre que alguém leva um soco, temos de ter uma bullet time scene? Até porque tiram algum ritmo à luta e muitas vezes duram tempo a mais.
Se já não bastavam os diálogos e frases descabidos e caídos do céu, começam a surgir cenas igualmente desnecessárias a mais. Será que nós precisávamos mesmo de ver Barca (Antonio Te Maioho) a ter relações com o seu escravo, à medida que Spartacus está a ser levado para a sua cela? O pior de tudo foi aquele sorriso sinistro que Pietros (Eka Darville) lançou ao trácio.
As histórias paralelas arrastaram-se um bocado durante este episódio. Lucretia (Lucy Lawless) continua a usar Crixus (Manu Bennett) como “brinquedo”, enquanto este está mais virado para a escrava da Domina. Nada de especial se passou com este triângulo amoroso, à excepção da rejeição do colar por parte de Naevia (Lesley-Ann Brandt). Em relação à situação financeira de Lucretia e Batiatus (John Hannah), esta continua a piorar cada vez mais, o que levou a Domina a vendar a jóia que comprou para impressionar Ilythia. Pudemos ver pela primeira vez as ruas de Cápua, reduzindo um pouco a limitação de cenários da série.
Foi também na tentativa de ganhar algum dinheiro, que Batiatus levou Spartacus a lutar no “submundo”. Por causa da ideia de Spartacus em perder de propósito e devido ao azar do destino, Batiatus acaba por perder todo o dinheiro que ganhou. Spartacus teve que salvar o seu Dominus que estava prestes a ser morto a mando de alguém ainda desconhecido. À custa disso teve que ganhar a luta, o que consequentemente levou à perda da aposta de Batiatus. O suspense desta aposta foi pouco, pois nós sabemos que Spartacus nunca iria morrer e por isso alguma coisa tinha que correr mal. Aliás, o suspense das lutas envolvendo o herói da história nunca vai ser muito grande, uma vez que temos a certeza que ele tão cedo não vai morrer (teriam de mudar o nome da série).
Como ponto final aqui da minha opinião acerca deste episódio, gostava apenas de referir a mitologia da série. Apesar de esta não ser muito profunda, acho que é uma boa adição à série. As visões de Sura à medida que Spartacus se confronta com o que está a fazer, foram interessantes de se ver, especialmente a premonição com a chuva de sangue.
No fim do episódio, achei que este foi um pequeno passo atrás, mais em direcção ao piloto da série. Uma vez que concentrou-se mais em dar-nos festins de sangue descomprometidos, do que necessariamente avançar com as histórias.





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Os fãs de violência gratuita e sangue tiveram direito a algumas cenas bem mais arrojadas
E é por isso mesmo que este foi o meu episódio favorito. Dêem-me gore que eu já fico satisfeito (calma, não sou sádico). Detestei o piloto, mas a minha predisposição para a série e para aceitar o que ela me dá tem vindo a crescer. Aceitei-a pelo que é e aceitei que nunca será mais que isto e deixei-a tornar-se num guilty pleasure. Sim, os diálogos não valem nada, mas o sexo a carnificina compensam.
E tenho visto as versões 720p e realmente a diferença é bastante (eu vejo num LCD – TV).
Eu também gosto de gore e também estou longe de ser sádico. Acho graça a alguns filmes como SAW e Hostel, que são muito divertidos de ser ver, especialmente em grupo. Mas isso são filmes e isto é uma série.
Com 12 horas que uma série tem por temporada, eu acho que ter gore e sexo, não anula a existência de bons diálogos, bons personagens, boas histórias. Aliás, estes devem existir para cativar um espectador a assistir a longo prazo. Se sagas como SAW já começam a enjoar e arrastar-se no 5º/6º filme, uma série como esta pode ir facilmente nesse caminho.
Dá para entreter e divertir à base desses elementos (isto é, quando os fazem minimamente bem, como neste episódio), ainda dá para rir com as parvoíces que eles dizem. Mas a série tem momentos muito maus e no geral deixa muito a desejar-
Estás a generalizar a questão. Eu estava a falar neste caso concreto, nesta série. Neste caso, como não há melhor, ter gore e sexo basta-me para eu a ver semanalmente. Essa é a forma como eu abordo a série. Claro que pessoas diferentes procurarão coisas diferentes. Mas para mim, isso é o suficiente para continuar a ver.
E mesmo que seja verdade que a série não tem grandes diálogos, histórias ou personagens, pelo menos na forma violenta como se apresenta deve ser bem mais realista que muitas das outras histórias de gladiadores que por aí têm aparecido ao longo dos tempos.
PS: Saw e Hostel? Isso são filmes para meninos.
Sim, isso é verdade e até já o mencionei numa das reviews, esta série depende muito daquilo que uma pessoa procura.
Quanto a isso de outras histórias de gladiadores não sei, não tenho seguido muito o tema. Mas acredito que sim, esta série mostra muitas coisas nuas e cruas, sem medo, o que também é de louvar. Mas muitas vezes parece que são metidas lá no meio, só com o propósito de estarem lá e serem supostamente “ousadas”.
E até em relação ao gore de Spartacus, como já disse, até este episódio não tinha sido nada de especial e muitas vezes (muito) mal feito.
O Saw e Hostel foram só exemplos dos mais populares, comparados com algumas cenas B-Side e Japoneses, não são nada.
Então achas que vale a pena ver a versão HD?
Desde o segundo que só tiro as versões de 720p. Visualmente, a série é muito mais agradável.
Eu gosto da série. Não vejo o “mau” que vocês vêem. O protagonista é carismático o suficiente para sentirmos compaixão com a sua sorte, e todas as intrigas dominadas pela cobiça e desejo de poder são muito interessantes sem se tornarem maçadoras. Sem dúvida um guilty pleasure.
Eu confesso que no piloto não gostei muito do personagem principal. Mas a partir do 2º comecei a gostar bastante mais. Quanto a essas intrigas, são das minhas partes favoritas, como referi nas minhas últimas críticas. Ainda assim acho que podiam ser melhor exploradas, porque têm bastante mais potencial.
Em relação ao “mau”… é basicamente aquilo que eu digo nas reviews, e existem vários exemplos ao longo dos episódios, se calhar na minha próxima review vou tentar dar mais exemplos. Mas o que pode ser “mau” para mim, pode ser fantástico e divertido para outros, é como sempre uma questão de opinião.
Só agora me dediquei a ver a série. Estou a gostar bastante e parece-me que os “defeitos” aqui apontados são mesmo o que faz a série.
Sem querer ofender quem escreve esta crítica, acho que não entendeu o conceito da série ou mesmo o tempo que retrata.