Caprica: 1×03 – Reins of a Waterfall (SyFy)

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[SPOILERS] “My daughter was a suicide bomber.” Não há palavras mais difíceis de dizer, realidade mais difícil de aceitar, do que alguém que amamos ser, na verdade, uma pessoa totalmente diferente daquilo que pensávamos; de alguém a quem demos vida crescer apenas para ceifar as dos outros. E é por isso que a história de Amanda Greystone (Paula Malcomson) é uma das mais sentidas que vimos até agora em “Caprica“.

Pelas reacções dos leitores destas minhas críticas (aos quais, já agora, peço desculpa pelo atraso mas os compromissos profissionais a isso o obrigaram), devo ser das poucas que consegue compreender a explosão de Amanda no final do episódio anterior, que leva à revelação que Zoe fazia parte dos STO e foi responsável pela explosão no Lev. Talvez por isso, a série se veja obrigada a esclarecer a questão numa cena que, para mim, foi algo supérflua – afinal, mais do que ninguém, Daniel (Eric Stolz) devia compreender a angústia da esposa, devia saber que ela está a sofrer profundamente – bem mais do que ele, parece-me, mas afinal é assim para as mães – a morte da filha. Talvez por isso, a cena entre Daniel e Amanda no laboratório, em frente ao cylon/Zoe não me tenha convencido verdadeiramente e acabe por parecer um pouco “explicativa” demais. Afinal, a subtileza sempre foi uma marca de “Battlestar Galactica“, algo que gostaríamos de ver aqui reflectido.

Continuando na crítica às cenas supérfluas, o que dizer da cena da conversa entre a Sister Clarice (Polly Walker) e Lacy (Magda Apanowicz), se não que parece totalmente deslocada do tom da série, uma tentativa de enfiar humor básico à pressão numa série onde este não  se enquadra? Jane Espenson, Jane Espenson, não sei se foste responsável por este episódio em particular, mas eu estou de olho em ti – ainda não consegui apagar da minha mente aquele terrível “Deadlock“. E ainda por cima, com tudo isto, perderam uma boa oportunidade de mostrar um pouco mais da Sister Clarice, uma personagem que no episódio piloto parecia tão intrigante mas que, desde então – e tirando um casamento ou três – tem andado um pouco apagada. Espero que dêem mais destaque à personagem, pois não só é parte fulcral da história, como a actriz já mostrou que consegue dar mais, muito mais. E, afinal, os STO são uma das mais intrigantes criações de “Caprica” e têm muito para dar… especialmente agora o FBI das Doze Colónias parece ter finalmente despertado e encontrado forma de se redimir face à opinião pública – mesmo quando vão no mau caminho.

Longe de todos estes dilemas, a família Adama encontra-se, tal como todas as outras afectadas pelo ataque, num cruzamento, o que não augura nada de bom. Quem viu “Battlestar Galactica” pode ter ficado, de início, algo surpreendido com este Willie que aqui temos, tão diferente do William Adama interpretado por Edward James Olmos. Mas se Sina Najafi não tem a mesma presença do seu congénere adulto, começamos, lentamente, a perceber como é que esta criança cresceu e se transformou no homem que tão bem conhecemos. Em parte isto acontece devido às perdas que sofreu, à guerra por que passou mas, na sua maioria, é a sua ascendência Tauron, a sua comunidade e, especialmente, a influência do seu tio Sam (Sasha Roiz), que o transforma. Como tinha dito de início, a grande mais valia desta série é poder explorar o mundo de “Battlestar Galactica”, dar uma nova dimensão às culturas que se perderam inevitavelmente com o ataque dos Cylons, e até agora isso não tem falhado. Mais uma vez, as passagens pela Little Tauron são esclarecedoras, e a personalidade de Sam – tio e assassino, marido e irmão – não deixam de nos cativar, de nos fazer querer descobrir mais sobre esta comunidade. E é por isso, também, que a talvez abrupta mudança de Joseph (Esai Morales) se consegue compreender. O homem que vemos aqui, capaz de raptar, ameaçar e mandar espancar um homem que, no fundo, não tem culpa de nada, um homem que, até há bem pouco tempo, era seu amigo, pode entrar em contradição com o homem que vimos no episódio piloto, alguém que tentava refrear a sua personalidade e negar as suas origens. Mas, ao mesmo tempo, esse homem acabou por nunca desaparecer, e o que vemos aqui acaba por ser o seu ressurgimento. Sim, a forma como ameaça Daniel é fria e assustadora, e as suas palavras de despedida (“Daniel Greystone lost his daughter, right? I lost my daughter and my wife. Balance it out.”) deixam-nos de boca aberta a olhar para os créditos finais, mas no fundo, no fundo, compreendemos este homem. E isso é o mais importante para conseguirmos apegar-nos a uma história.

Num episódio claramente de transição, que não trouxe nada de verdadeiramente “novo” à história excepto um cameo da Janet de SG-1 e da Kat de BSG, houve mesmo assim a oportunidade de rever Tamara Adama (Genevieve Buechner), ou melhor, o seu avatar criado por Daniel e que se encontra agora, graças a Zoe (Alessandra Torresani) e Lacy, irremediavelmente perdida no mundo virtual do clube V. O regresso da personagem foi uma surpresa para quem, como eu, não pesquisou as folhas de casting, e promete continuar a trazer surpresas à história.

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3 Respostas para “Caprica: 1×03 – Reins of a Waterfall (SyFy)” Subscribe

  1. ArmPauloFerreira 05/03/2010 às 01:06 #

    Esta serie está bem melhor do que aparenta e a cada episódio expande-se a trilhar caminhos.
    Este 3º episódio desenrolou-se morno mas deixa os problemas abertos e acho que capitaliza como serie depois daqui. O que vem a seguir é grande sci-fi drama.
    Já que referiu a Tamara… ao 5º ep teremos uma mistura de Matrix com Sin City absolutamente impressionante.

    • syrin 05/03/2010 às 01:11 #

      Bem, o episódio 5 é absolutamente brilhante. Adorei. Já o revi 2 vezes para escrever a crítica que, espero, talvez saia ainda amanhã. Depende se eu tiver um dia mais livre no trabalho! :whistle:

      Realmente este terceiro episódio e o quarto não estiveram ao nível que eu desejava – continuam a ser bons, sem dúvida, mas faltava ali qualquer coisa, havia algo que não estava a encaixar.
      Mas agora estou com esperanças que a série tenha finalmente dado o salto. :D

  2. carolinafs 12/07/2010 às 19:34 #

    Cá estou eu outra vez em Caprica, depois de me ter esquecido de ver da última vez que passou na televisão. Este episódio não me entusiasmou muito mas provavelmente deve-se à distância dos anterios que já é bastante grande.

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