Caprica: 1×05 – There is Another Sky (SyFy)

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[SPOILERS] “Welcome to New Cap City”. Bem vindos a um novo mundo. Ao quinto episódio, “Caprica” muda o jogo, mostra-se em todo o seu esplendor e consegue, finalmente, conquistar-nos. E tudo isto graças, em grande parte, à inesperada história de Tamara Adama (Genevieve Buechner).

A grande vantagem de não se pesquisar informação sobre uma série na internet é o facto de podermos ainda ser surpreendidos com o regresso ou partida de uma personagem, de um actor. E se surpresas houve nesta série, o regresso de Tamara foi certamente o mais inesperado, depois do que pensava ser apenas um pequeno papel insignificante, uma mera nota necessária para melhor ilustrar a profunda perda sofrida pela família Adama muitos anos antes da destruição das Colónias. Mas não, a reviravolta instalou-se quando o avatar de Tamara deu sinal, quando foi libertado no meio V-World por Zoe e Lacey e, agora, quando a sua história finalmente se cruza com a dos restantes personagens.

Tamara é um avatar, mas não o sabe; sente que é diferente e que não consegue regressar a casa, mas não sabe porquê. Para o descobrir, para resolver o mistério, irá tentar de tudo, mesmo que isso implique enfrentar os seus medos e procurar a ajuda de uma das personagens misteriosas que populam a realidade virtual. E é exactamente aqui que tudo muda. Se o clube virtual nunca foi propriamente o elemento mais chamativo desta série, pelo facto de ser indulgente demais, já o jogo dentro do jogo, o mundo virtual criado à imagem do real, é muito mais fascinante. Dos belíssimos cenários desta nova cidade de Caprica – um nome bastante ominoso, já agora – ao clima de tensão com o dirigível (precursores das battlestars?) e os seus vipers sempre ao ataque; do ar retro à anos 30, 40 e 50, com roupas que deixam qualquer mulher a salivar por um guarda-roupa semelhante, no que é essencialmente um mundo altamente tecnológico; da mistura de tecnologia e mitologia, dois elementos tão distintos mas que, tal como em “Battlestar Galactica“, são parte integral da história das Doze Colónias, esta mistura de antigo e novo – no fundo, esta mistura de realidades – transforma totalmente a nossa concepção do mundo virtual, dando-lhe uma dimensão inesperada. Sim, continua a ser um jogo, tal como o clube V, mas um jogo com outras regras, um jogo onde os objectivos são bem mais reais do que à primeira vista parece, um jogo que pode ter diferentes consequências para o mundo real. Mais alguém, para além de Tamara e de Heracles (Richard Harmon), acredita que o “roubo” era apenas um jogo? Que dentro daquele mundo virtual não se escondiam, na verdade, tesouros bem reais? E que o que fizeram ali poderá ter consequências maiores? Certamente que não – e mesmo que assim o fosse, que de início a pequena Tamara tivesse alguma dúvida, a sua reacção final e a forma como conseguiu enganar Vesta prova que sim, ela acordou. Poderá nunca vir a ser uma Starbuck, mas o momento em que Tamara pega nas armas e acaba com os que a ameaçavam foi certamente um dos melhores momentos do episódio. “I’m awake!”

Mais do que uma mera indulgência, o arco de Tamara em New Cap City começa aqui a sua viagem, e se a missão de Heracles der certo, irá certamente aproximar a sua história às restantes. Por agora, e até que isso aconteça, pelo menos fica explicado o porquê do genérico inicial da série ser tão diferente do que estávamos à espera, ter um estilo tão peculiar – a resposta encontra-se em New Cap City, nós é que apenas agora o descobrimos.

De um lado Tamara, de outro Joseph (Esai Morales) e Willie (Sina Najafi). Três pessoas, uma família dividida por uma dor que parece não desaparecer. Se bem que não esquecida até aqui, a verdade é que a perda causada pelo ataque no Lev e pela morte de Tamara e Shannon Adama tinha ficado para segundo plano à medida que se iam contando outras histórias, que se ia dando prioridade a outras personagens. Mas, finalmente, há uma pausa para respirar e regressar a este tema, dando-nos a oportunidade de descobrir um pouco mais sobre as nossas personagens e sobre as suas culturas.

“It’s about the characters” dizia Ronald D. Moore no final de “Battlestar Galactica”. Independentemente da nossa opinião sobre o final dessa grande série, não há dúvida que as personagens são um dos componentes principais de uma série, aquilo que a pode transformar num modelo a seguir ou a evitar. Talvez por isso, e não obstante as já aqui referidas qualidades de “Caprica”, prevalecesse um sentimento de que algo faltava, de que a série não tinha ainda encontrado o seu caminho. Felizmente “There is Another Sky” transformou tudo, tornando estas personagens mais reais, aproximando-as mais de nós.

These are the voices of those
Who have passed over the river heard
On the wind entwined with the
Eternal and the everlasting
These are the voices of those whom
We have loved, who no more will suffer
Who have returned to the mud
This is the voice of the dead
Entwined with the eternal and the everlasting

*tradução da música da cerimónia. Original cantado em grego antigo.

Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que “Battlestar Galactica” me conseguiu levar às lágrimas, mas é impossível ficar indiferente à emoção expressa nos olhos de Joseph e de Willie durante a cerimónia Tauron de despedida, no momento em que ambos aceitam deixar os mortos descansar em paz. E é impossível também deixar de admirar o belíssimo trabalho que tem sido feito de construção de toda uma cultura – ou melhor, de doze culturas – algo tão integral a esta sociedade mas que em “Battlestar Galactica” pouco destaque teve. Se os Tauron quase nos passaram despercebidos na série original (assim de repente, apenas me lembro da Almirante Helena Cain), em “Caprica” são os guardiões da tradição, um povo com rituais tão fortemente enraizados que nem mesmo longe de casa se conseguem esquecer. Joseph bem tentou deixar o passado e a sua ascendência para trás, mas a partir do momento em que pediu a ajuda de Sam (Sasha Roiz) no episódio piloto, regressou ao seio da sua cultura – para o bem e para o mal. A dependência de Joseph do irmão e dos Ha’la’tha pode não ser a melhor, mas a verdade é que tanto ele como o filho precisavam desta cerimónia, do ritual, para poderem ultrapassar a dor e regressar às suas vidas. Claro que, no preciso momento em que Joseph o faz, quando marca na sua própria pele a promessa de deixar descansar em paz a família que perdeu, a entrada em cena de Heracles veio deitar tudo a perder. Mas mesmo que nada tenha sido resolvido, pelo menos de certa forma os momentos passados em família irão aliviar um pouco a dor.

Uma perda diferente, mas não menos integral a esta história, é a que Daniel (Eric Stolz) poderá vir a sofrer. As declarações durante o programa do Sarno podem ter agradado ao público em geral, mas para os accionistas da Greystone Industries foi a gota de água. Daniel está, aparentemente, a querer levar a empresa à falência, e a direcção prepara-se para votar a sua saída do comando. Mas graças uma dica da mulher e a um discurso impressionante, com a devida ajuda do seu cylon de estimação, Daniel acaba por dar a volta por cima e sair vitorioso. Se a entrada na sala da direcção provocou alguns arrepios, pela ligação instantânea ao inesquecível clássico do cinema de ficção científica “Robocop“, o discurso que finalmente lhe garante o voto de confiança é daqueles que todos nós desejávamos que passasse para o mundo real, uma visão da tecnologia e dos direitos de propriedade muito mais interessante do que a visão retrógrada que temos actualmente. (Claro que a visão de Daniel levou, no final, à criação dos cylons, à guerra e ao extermínio da humanidade mas… hum… não pensemos em coisas tristes, certo?)

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4 Respostas para “Caprica: 1×05 – There is Another Sky (SyFy)” Subscribe

  1. João Fernandes 23/03/2010 às 14:57 #

    O episódio que finalmente mostra o que a série é capaz. Tanta coisa boa a acontecer que foi um regalo para os olhos.

    Assim fiquei com muito mais interesse para o resto que falta. A partir daqui e com os episódios seguintes já estou mais satisfeito com o que se está a passar.

    Não vou estar aqui a fala muito do episódio porque está tudo no teu texto. :cool7:
    :4meio:

    • syrin 23/03/2010 às 16:32 #

      Realmente, este episódio foi muito bom, mas sinceramente o 6 (e, de certa forma, o 7) desiludiram-me. :(

  2. musicslave 12/04/2010 às 11:57 #

    foi um episódio muito bom.
    toda a historia da Tamara foi muito boa, e tambem não esperava o seu regresso, veremos quais as consequências das acções dela.
    a criação das doze culturas é de louvar.
    as acções do Daniel caminham as passos largos para aquilo que conheçemos, e é muito bom ir vendo essa evolução.
    a Zoey é que tem andado um pouco desaparecida

    :4meio:

  3. carolinafs 30/07/2010 às 20:35 #

    Custou mas cheguei aqui. E não consegui contar a felicidade com a badassery da Tamara em New Cap City. Estou a adorar o potencial desse mundo.

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