[SPOILERS] “I can do the chocolate, I’ll even do the whip cream bikini, but caramel? I prefer slippery to sticky.”
Durou cerca de um mês a ausência de Rick Castle (Nathan Fillion) nos ecrãs. Uma longa paragem, permitindo saborear a saudade das tiradas satíricas do escritor, os seus constantes devaneios, sempre que existe interacção com Beckett (Stana Katic) ou as suas tropelias caseiras, quando confrontado com a irreverência da adolescência da filha, Alexis (Molly C.Quinn). Mas Castle regressou. Aparentemente, em boa forma…
Já se sabe que, nesta série, quando o telefone toca iniciam-se as diligências para a resolução do crime. É uma espécie de deixa. A rotina familiar do escritor-detective é interrompida pelo tinido do telemóvel, habitual ponto de partida para comparência na cena do crime.
E que cena esta, a que se depara aos investigadores. Um corpo parcialmente despido. Algemas. Um parque infantil. E um molho/creme de caramelo, que escorre na vítima. Tudo aponta para uma cena criteriosamente preparada, dado que o assassinato não ocorreu no local. Que mensagem procurará passar o autor? Ou que fetiche esconde o crime? Para adensar o mistério, pese a existência de todos os indícios de ser um crime de natureza sexual, não existe qualquer sinal de sexo envolvido.
Para todos os efeitos, Castle está no paraíso. No caso perfeito. Viagens de campo a “sex-shops”, com todos os acessórios à distância de uma piada, colocam-no de sorriso no rosto, permitindo alguns trocadilhos e trocas constantes de piropos com Beckett. A investigação é, igualmente, uma viagem a um submundo, um daqueles meandros citadinos que não aparece nas brochuras turísticas. O duo de investigadores mergulha numa realidade alternativa, onde a parafernália da dominação é venerada.
Rapidamente a investigação chega ao nome do potencial suspeito. O comprador das algemas encontradas na cena do crime. Tyler Benton (Gil McKinney), médico estagiário, namorado da vítima que, descobre-se então, procedia a uma pesquisa no campo da sociologia, tendo como tema a dominação e escravatura sexual. E aquilo que parecia um mero crime passional, mesclado com práticas sadomasoquistas, transforma-se radicalmente em algo novo. O que Jessica (Vanessa Motta) terá descoberto, que a levou a ser silenciada?
Noutra reviravolta inesperada, ao investigarem a “House of Pain”, o “idílico” local onde pretensamente Jessica levaria a cabo a sua investigação, descobrem que ela é o objecto de estudo. Mistress Venom, dominadora com uma ampla base de fãs, suficientemente obcecados por ela até ao ponto de a poderem transformar num mero objecto de desejo…e morte.
Entre eles destaca-se William Caraway (Tom Schanley), alto quadro de uma empresa de consultadoria, masoquista inteligente, usando a falsa submissão como verdadeiro íman para o controlo do parceiro. Era, igualmente, um mestre na arte dos jogos psicológicos, administrando-lhes algumas ameaças. Estas, demasiado similares com a forma como o corpo é descoberto, transformam-no num pólo de elevado interesse policial. Mas o álibi forte do suspeito atira por terra as esperanças de resolução, levado a investigação para outro cenário (previsível, diga-se, desde o início). A universidade. E uma disputa férrea por uma bolsa de estudo, premiando o melhor projecto de investigação. Quem, dos 3 finalistas, retira Jessica, fica com 50% de possibilidades de descobrir, à 1ª, o assassino. Pois, nem sempre 2+2=4. Nenhum deles. Voltas e reviravoltas, como num labirinto, com a investigação a contorcer-se, a errar, a erguer-se, a errar de novo e, finalmente, a descobrir o caminho certo. Ainda houve tempo para suspeitar da chefe de Jessica, Mistress Irena (Dina Meyer) (belíssima), até finalmente se acertar no alvo. A companheira de quarto, Danielle (Amy Gumenick), com quem existia uma relação de amizade algo disfuncional. Afinal, sempre existiu o motivo passional…
Ah, e Ryan (Seamus Dever) TEM mesmo uma namorada. Adorável, por sinal.
O Melhor: A continua tentativa de dotar a série de argumentos refrescantes ou, em alternativa, com temáticas que fujam do convencional. Já tinha sido assim, episódios atrás, com a mística dos vampiros e a sua falange de adeptos a ser explorada, numa investigação criminal. Este aflorar das práticas sexuais menos ortodoxas serviu de interlúdio gratificante na monocórdica sequência das investigações anteriores.
Para a história, ficam mais uns diálogos saborosos:
Alexis apanha o pai a visitar o website de Irina…
“Dad, do we need to talk about this?”
“No, this is research for a case. And we need to get you some noisier shoes.”Ou
Na “House of Pain”, depois de Beckett e Castle se terem infiltrado…
Beckett: “Do you think we could gag him?”
Castle: “Remember my safe word is apples.”
O Pior: Não deslumbra. Opta por manter, sistematicamente, a mesma linha de argumento. Mas, curiosamente, isso nem interessa. Castle diverte, em doses não muito elevadas. Entretém, após um extenuante dia de trabalho. E isso, pensando que não, tem um valor acrescentado.





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O episódio foi mais ou menos, mas o título parte-me todo! :verycool:
Adorei o diálogo. O Castle a tentar imaginar porquê Beckett sabe tanto desse mundo é hilariante.