[SPOILERS] Os sonhos “surrealistas” de “Damages” estão de volta e mais estranhos do que nunca. Se antes compreendíamos perfeitamente os sonhos onde Ellen(Rose Byrne) matava Frobisher (Ted Danson), onde David (Noah Bean) tinha sexo com Patty (Glenn Close) ou até mesmo onde Ellen sonhava com o David (a este nível tenho pena que não tenham mostrado o que raio era o presente de casamento dele) desta vez é tudo mais estranho e menos óbvio. O que representará a égua que Patty tanto quer? E o porque de ter os pés com sangue? A minha interpretação é que Patty procura, de forma visceral, alguém com quem se ligar emocionalmente (não é por acaso que aparece o Uncle Pette) e a égua representa nada mais que a própria Ellen. No entanto, a herança do passado, de a ter tentado matar, continua a pesar na consciência de Patty daí a Ellen dizer que “You’re going to have to wash your feet first.” Esta ideia sai reforçada quando no final do episódio vemos o sangue sair dos bolos que Ellen lhe ofereceu. Como digo, é uma interpretação pessoal e válida apenas pela sua subjectividade.
Caso Tobin – Depois de o Lou Tobin (Len Cariou) ter-se suicidado de forma cobarde, grande parte deste episódio centra-se na reacção da família. De todos os membros aqueles que parecem ter sido mais afectados são a filha Carol (Ana Reeder), que nutre uma devoção perigosa em relação ao seu pai (já lá iremos) e o advogado Lenny, interpretado por Martin Short que nos oferece mais uma excelente cena no colo de uma prostituta. Se a reacção à morte de Tobin é recebida com dor pelos familiares a verdade é que a mim passou-me completamente ao lado. A personagem nunca foi particularmente relevante ou carismática e se a decisão do seu suicídio teve bastante impacto, por ser algo inesperado, no seu luto senti um certo distanciamento em relação às personagens. Percebemos o que sentem mas em nenhum momento partilhamos a falta/pena de Lou Tobin mesmo que, nos últimos momentos, e tal como tinha dito na crítica ao episódio anterior, tenha procurado a redenção, dando a Patty os dados para recuperar o dinheiro.
Quanto a Carol, foi uma das revelações do episódio. Se o seu discurso choroso já me começava a enervar, eis que no final a filha mais nova dos Tobin demonstra de que a massa é feita a sua família, matando Danielle (Mädchen Amick). Foi realmente surpreendente quando vemos Tom a entrar em casa e encontramos uma Danielle morta agarrada a um copo. Depois do velho Tobin eis que mais uma personagem parte, o que me parece ser uma estratégia inteligente por parte dos argumentistas. Depois do sem número de personagens na temporada passada, o terceiro ano de “Damages” parece-me mais coeso e centrado. E a série só teve a ganhar com isso.
Mas houve bastantes mais desenvolvimentos neste episódio. Tal como referi na crítica anterior era pouco provável que os argumentistas andassem 2 episódios atrás da Danielle Marchetti apenas por ser amante de Lou Tobin. E também me pareceu pouco credível a justificação de Marylin (Lily Tomlin) a Patty, num dos melhores momentos do episódio, sobre o facto de quererem que Danielle saísse do Pais. A verdade é que Lou (ou será Joe?) teve uma filha com Danielle e Marylin não só tem conhecimento disso como sabe exactamente onde esperar por ela. Esta filha/neta parece ser aliás o centro de todo o esquema para encontrarem o dinheiro desviado por Tobin que se encontra sobre a tutela de um tal de Stuart Zedeck . Quem será ele? Nem a família nem os espectadores fazem a ideia. Mas a cena em que nos mostram um homem de luvas à porta de Danielle e depois as mesmas luvas a transportar o corpo de Tom parece-nos ser, desta vez, uma pista credíveL. Por falar em Tom, a cena onde vemos o advogado a ser puxado para dentro da casa e, depois, a ligar à mulher a dizer que a amava, apesar de pouco acrescentarem à história, foram bastante emotivas. Ao longo de “Damages”, a personagem de Tate Donovan foi crescendo e conquistando o seu espaço na série e vermos um destino tão trágico da personagem faz-nos sentir pena e compaixão por Tom.





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Que macabro sonho mesmo. Fiquei bem baralhada mas não consegui tirar dali nada… Foi um bom episódio, fiquei surpreendida com a filha que me parecia uma totozinha.
Pois também eu. Mas foi a prova que aquela familia é só boa gente eheh
Finalmente voltei a pegar em Damages.
Tinha parado no episódio 10 e agora estou a fazer uma maratona até chegar ao final da temporada.
Sem dúvida que estes sonhos são muito enigmáticos. Para mim aquela égua representava uma Patty em criança, mais pura, numa altura em que ainda não havia mentiras, segredos nem sangue nas suas mãos. Uma espécie de “idade da inocência” que se vai perdendo mais e mais a cada aniversário seu.
Gostei momento dos momentos fúnebres e de ver a filha do Tobin a perder completamente as estribeiras e a matar a Danielle. Realmente está ali uma rica família!
E também achei interessante a introdução desta Alex Benjamin, uma nova aspirante a Ellen que me parece tão ambiciosa quanto “vazia”. É bom ver como Patty já começou a mexer com ela, a testá-la…
Mais uma vez: grande episódio, excelente crítica!
:4: