[SPOILERS] O percurso de “Damages” tem sido algo insólito. Ao contrário da maioria das séries cuja primeira parte das temporadas serve para a introdução da narrativa e apenas na segunda metade conseguem descolar, esta terceira temporada de “Damages” está a ser a excepção. Apesar de nos ter oferecido um início bastante dinâmico e envolvente, a verdade é que a série tem perdido o fulgor à medida que caminha para o seu final. Este episódio teve, diga-se a abono da verdade, momentos excelentes mas falta a coesão e a pertinência que abundava na primeira temporada de “Damages”.
Comecemos pelo lado mais negativo do episódio. Como já tinha dito, e repito, não faz sentido nenhum o regresso da Frobisher (Ted Danson). Eu percebo que gostem da personagem e de Ted Danson mas a verdade é que toda a história do seu livro/filme aparece completamente deslocada de tudo o resto (apesar de nos ter oferecido o melhor momento do episódio, mas já lá vamos). Foi muito interessante assistirmos toda a mudança da personagem em 40 minutos e constatarmos o ressurgir da raiva contra Patty mas pairou sempre no ar a sensação de desajuste em relação ao resto.
Noutra vertente, os casos Tobin e Tom (Tate Donovan) continuam a arrastar-se. Se Tom ia constituir uma firma com Ellen era óbvio que teria que se demitir mais tarde ou mais cedo. O que o leva a tal decisão é que é o interessante por detrás de tudo isto. Apresentar-nos dados óbvios como relevantes já não me parece tão impactante. Quanto ao caso Tobin depois de 40 minutos descobrimos que… Tessa estava no dia de acção de graças com a mãe. Ok, a rapariga se calhar não é tão inocente como aparentava mas faltam 4 episódios para o fim da temporada, e talvez da série, e queremos mais. Muito mais. E isso não passa por vermos uma das supostas protagonistas (Rose Byrne) envolvida em casos de irmãs drogadas.
Mas, como foi referido anteriormente, nem tudo foi mau neste episódio e isso deveu-se a uma “pessoa”: Patty Hewes (Glenn Close). Por uma questão de probabilidades, todas as cenas em que Glenn Close entra tendem a ser excepcionais. Não só devido ao talento da actriz mas porque tem uma das personagens mais bem escritas da televisão. Se dúvidas houvesse as cenas com o seu filho Michael e Frobisher comprovam-no, especialmente esta última. E isto leva-nos à parte em que achei que a história do Frobisher trouxe algo interessante, mas não necessariamente novo, à série: Patty Hewes vilã ou heroína? Esta é uma dicotomia bastante interessante na série e que também é explorada, a um nível mais profundo, diga-se, em “Dexter”. E a questão é que por muito que reprovemos os métodos e toda a manipulação implícita há sempre um sentido de justiça que parece prevalecer na missão de Patty (apesar de nos ser dada a informação que Patty cobrou 30% (!) do dinheiro ganho no caso Frosbisher). Um exemplo de que há algum bom em Patty é a conversa com Carol. Ao perceber o quão transtornada a filha Tobin está (a propósito, excelente Ana Reeder) Patty podia ter abalado a confiança na única pessoa que parece ainda ser um porto de abrigo, Lenny (Martin Short), e na estima que sente ao seu pai ao dizer-lhe que Tess (Vanessa Ray) não era empregada de Danielle (Mädchen Amick)mas sim a sua meia-irmã.
Apesar de continuarem os excelentes desempenhos e a escrita inteligente (como foi toda a metáfora do buraco na parede de Patty) “Damages” continua a abrandar. Esperemos que os próximos episódios tragam mais interesse à narrativa e mais revelações explosivas. E não, a tentativa de nos fazer acreditar que Tom se suicidou não funcionou.
PS: para quem gosta de curiosidades, este episódio foi realizado por Tate Donovan.





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Por acaso o eterno dilema heroína ou vilã foi muito bem explorado.
Aquele Frobisher é realmente uma personagem: primeiro todo compreensivo e defensor da Patty mas depois de ouvir a dura verdade da boca da advogada ela já é um monstro, uma mulher insuportável e gananciosa. Enfim, valeu a pena pelo desempenho da Glenn Close e pelo ar de otário do Frobisher. Que irónico uma actriz como ela dizer “I don’t much like movies anyway”!
Depois aquela jogada de encurralarem a Carol no gabinete do psicólogo também foi bem jogada. E a Patty realmente até foi simpática em não perturbar ainda mais a Carol com a verdadeira história por detrás da Tessa.
E o ar de desolada com que ela ficou quando recebeu a carta de demissão do Tom… A mulher no fundo tem um bom coração! Só que é fria e calculista demais para se deixar envolver emocionalmente com quem quer que seja. Provavelmente devido aos dissabores que a vida lhe trouxe.