Skins: 4×05 – Freddie (E4)

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[SPOILERS] “Freddie” é perfeito. Um episódio que define um estilo de contar histórias muito próprio e totalmente diferente de tudo o que se tem visto. Consolida o lugar de “Skins” como uma das melhores séries da actualidade.

Na terceira temporada havia uma tensão e ao mesmo tempo uma atracção entre Effy (Kaya Scodelario) e Freddie (Luke Pasqualino) que me fazia desesperar pelo episódio seguinte. Havia apenas uma coisa que distinguia o triângulo amoroso Effy/Freddie/Cook de todos os outros: Effy. Foi nessa extraordinária personagem que se estabeleceu a diferença. O seu coração sempre esteve com Freddie (como se pode ver pela sexta citação neste artigo), no entanto, ela teve uma enorme relutância em avançar, escolhendo várias vezes estar com o Cook (Jack O’Connell).

Freddie: I really fucking love you.
Effy: Raise it a million.

A razão dessa decisão foi um traço muito marcado na personagem: o medo de ser feliz aliado a uma filosofia carpe diem como se mundo acabasse amanhã. E se o amor venceu no final, fazendo com que finalmente se juntasse a Freddie, Effy continua com o medo de perder a felicidade que agora tem. Mas se tudo parece perfeito, então qual é o problema?

T. Love: What would Michael say?
Freddie: Pardon?
T. Love: Michael. What would he say?
Freddie: “I’m bad.”
T. Love: Yes, and what else?
Freddie: “Beat it”?
T. Love: No. He’d say, “Gotta be starting something.”

Neste episódio vemos o desvanecer de Effy. Digamos que esta grande revelação sempre esteve ligada à personagem, ela não falava na primeira temporada e teve um conjunto de comportamentos durante a série que encaixam perfeitamente aqui. Claro que os argumentistas não pensaram nisto desde o início, mas faz sentido. Se, como Freddie fez neste episódio, dantes atribuíamos certas atitudes ao álcool, às drogas e à excentricidade do personagem, agora que os sintomas se revelaram de uma forma impossível de ignorar sabemos a razão .

Freddie: So what do you do when you can’t tell anyone shit cos it might really fuck things up and you don’t know what to do or what’s happening? You just know that something really, really… fucking bad is going down.

Sendo este o episódio do Freddie, vemos Effy na sua perspectiva. Tal como ele, vamos retirando pedaços daqui e dali até completar o puzzle de um episódio que engenhosamente nunca diz em voz alta o que realmente está a acontecer. Freddie vê em Effy a repetição de tudo aquilo que se passou com a sua mãe e tem de lidar com todos os sentimentos de culpa, muitas vezes dirigidos ao pai.

O enredo do episódio foi muitíssimo bem feito. O episódio começou lentamente, com o ritmo a aumentar de minuto a minuto até explodir. A relação com o pai, a presença da irmã, o apoio do avô, a amizade de Cook, assim como um hilariante aparecimento do Dr. T. Love (participação de Will Young), completam um episódio em que Freddie, apesar de estar desamparado, sabe bem o que quer.

Effy: Freddie, I don’t want them here. I thought I did. I thought that was me, but… I don’t know what is, but… I know you’re the only person I can trust.
Freddie: Effy, nothing bad is going to happen. I’m going to take care of you now. All right? I promise. I promise.

“Freddie” foi muitíssimo bem realizado, com um argumento de génio e interpretações brilhantes, principalmente de Luke Pasqualino e Kaya Scodelario. Foi épico, trágico, hilariante e uma viagem inesquecível. A música cai que nem uma luva ampliando ainda mais a panóplia de emoções despertadas.

Há ainda algumas cenas que quero destacar porque foram algo de magnífico. Quando Freddie dá banho a Effy, uma cena tocante que nada teve de sexual, mas que foi muitíssimo romântica. O passeio deles no parque: tudo foi perfeito, os diálogos, a interpretação, a luz, o verde. Quando Effy se perde na rua do Carnaval e Freddie tenta encontrá-la: uma cena que mostra o desespero por ele sentido na perfeição. Por fim, quando Freddie vê Effy na casa de banho com os pulsos cortados, a câmara pára e aproxima-se devagar enquanto a imagem se desfoca e lentamente as cores mudam para tons acinzentados. O grito dele pouco se ouviu, mas sentiu-se.

JJ: Bonsoir, Stonem resid… Anthea! Va bene! Va bene! “Who are you?” JJ! With the hair. Party? What’s giving you that impression?

Relativamente não ao episódio, mas à série em si, fiquei um bocado curioso em relação a algumas coisas como o comportamento da Pandora (Lisa Backwell) em relação ao Thomas (Merveille Lukeba) assim como o estranho aparecimento de Cook que devia estar na prisão. Provavelmente ficou em prisão preventiva e estava simplesmente a brincar quando disse aquelas coisas, mas isto é “Skins” por isso nunca se sabe. Já vimos cenas bem mais surreais.

Effy: The moment I saw you, I knew it’d be the closest I’d get to being… close. I didn’t know what to do with that feeling. Happiness.

Outra coisa que me está entalada na garganta é a abundância de suicídios ou tentativas de. Eu até gostei da introdução da Sophia, mas, como quem lê estas críticas sabe bem, detestei a direcção que o enredo levou. Claro que isto não teve nada a ver. Este foi realmente bem feito e Effy e Freddie conseguiram concretizar o drama quando Emily (Kathryn Prescott) e Naomi (Lily Loveless) foram uma desilusão. A minha pergunta é: se tinham este enredo em mente para a Effy porque é que fizeram o enredo da Sophia? Simplesmente não se enquadra como um todo. Teria até muito mais lógica se a Effy, em vez de aparecer raramente, tivesse mostrado alguns sinais durante a temporada ou que isto tivesse acontecido logo no início como o enredo do Tony na segunda temporada. Contudo, isto são assuntos exteriores ao episódio e não contaminam em nada a sua qualidade.

Freddie: There’s no future without her.
Cook: Fuck the future.
Freddie: There’s nothing any more.
Cook: There’s nothing but now, mate.
Freddie: What have I done? What did I do?
Cook: You went to the end of the fucking earth, man. The end of the fucking earth. You’re gonna have to go further now, mate. For her. For you. For me.

Resumindo, “Freddie” não é apenas impressionante, é perfeito. É tudo aquilo que “Skins” representa levado ao extremo. É o melhor episódio da temporada, um dos melhores da série e, até agora, o melhor episódio do ano de todas as séries que assisto.

No próximo episódio:

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"I laugh in the face of danger. Then I hide until it goes away." - Xander (Buffy: The Vampire Slayer)

8 Respostas para “Skins: 4×05 – Freddie (E4)” Subscribe

  1. luis 12/03/2010 às 17:39 #

    Adorei o episódio!!!! Mas … não merece o 100 por isso dou-lhe :4meio:

    • Ricardo 12/03/2010 às 18:29 #

      Ora bem, eu sabia que ia haver discussão em relação a isso (quando digo discutir, digo no bom sentido, como debater). No entanto, não me arrependo. Como disse, gostei da ideia e achei que a concretizaram de uma forma esplêndida. Simplesmente não faria nada para melhorar este episódio. Achei melhor dar ao episódio a nota que acho que ele realmente merece do que guarda-la para mim como a minha antiga professora de Filosofia fazia. Não preciso dela para nada! :wink1:

  2. Ana F. 12/03/2010 às 20:10 #

    100? :whhhattt:
    Mais uma vez não vou poder concordar :what1:
    E vá neste episódio admito que sou influenciada por não gostar nada do Freddie nem da relação dele com a Effy…Não me convence.
    Agora as coisas que eu gostei do episódio foi o Dr. T. Love e a sua obsessão por o MJ :yuupii: e a Effy mais uma vez a mostrar que é uma personagem interessante. E já agora aquele momento do JJ a atender o telefone à mãe da Effy :verycool:

    • Ana F. 12/03/2010 às 20:11 #

      Esqueci-me de por a pontuação:
      :3:

  3. Filipe[Lwy] 12/03/2010 às 22:24 #

    Não posso falar sobre o episódio, ou série, porque confesso que nunca vi nenhum episódio. No entanto estes 100 chamaram-me a atenção e a verdade é que deixaste-me curioso Ricardo, quem sabe se não pego em Skins…
    De qualquer das maneiras é bom saber que existem séries que conseguem produzir episódios capazes de deixar a sensação de termos visto algo perfeito.

    • Ricardo 13/03/2010 às 00:45 #

      Bem, eu podia usar algum argumento para te convencer a ver a série, mas, sem querer parecer convencido ao citar-me a mim próprio, acho que escrevi umas coisas no “TOP10: Os Melhores Episódios de 2009″ que transmitem a minha opinião da série na perfeição.

      Quando comecei a ver “Skins” tive a certeza de uma coisa: nunca tinha visto nada assim. Há quem diga que é realista. Não é. “Skins” é exagerado, irrealista, por vezes idiota, mas muito, muito honesto. Retrata sempre bem os problemas dos seus personagens e nunca vai pelo caminho mais fácil. Pega nos estereótipos, parte-os, esmaga-os e dá-lhes a volta. (…) Não prometo que vão gostar de “Skins”, não é uma série para todos, mas uma coisa posso dizer: eu adoro.

    • Fairwind 13/03/2010 às 02:38 #

      Vê a série desde a 1ª Temporada – as duas primeiras temporadas são actores diferentes das 2 últimas, mas ao princípio podes achar a série um pouco esquisita, mas garanto-te que em princípio vais querer pelo menos ver as 2 primeiras temporadas de “enfiada” :) .
      Não gosto tanto deste 2º grupo de actores da 3 e agora da 4 temporada mas vale a pena ver, nem por ser uma série num estilo diferente do normal em boa parte.

      Já agora 2 coisas: 100 também é um exagero de pontuação… :P

      Para compensar vamos ter mais 2 temporadas da série e novamente com actores novos.

      P.S: Este texto foi escrito à forma antiga…

    • Filipe[Lwy] 13/03/2010 às 08:10 #

      Obrigado Ricardo e Fairwind, vou começar a ver para a semana. :cool7:

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