[SPOILERS] Pausa na campanha eleitoral de Kitty (Calista Flockhart), pausa no Luc e nos seus problemas com o visto americano, pausa na implantação de embriões, … o que se trata a seguir é um assunto de proporções bem mais elevadas. Já não era sem tempo!
Primeira Parte: Tensão e Mistério. A primeira metade do episódio focou-se exclusivamente no segredo guardado por Nora, com o qual Dennis York (Peter Gerety) a chantageou. Que eu me lembre, nunca esta série me conseguiu pôr tão ansioso em relação a um dos seus inúmeros segredos por descobrir. Geralmente, o maior trunfo de “Brothers & Sisters” vinha só depois da revelação, com os personagens a lidar com as consequências e a adaptarem-se ao novo cenário. Desta vez, os escritores decidiram jogar com os sentimentos do telespectador, que, sem saber bem do que se tratava, assistiram, vidrados, à tenacidade da Nora enquanto tentava convencer os filhos a vender as acções da Ojai Foods. O que a motivaria? O que poderia ser tão assustador? A curiosidade e a tensão aumentam, tal como o receio. Fiquei receoso, sim. Por um lado, porque o mistério poderia não ser assim tão aterrorizante, o que, só por si, destruiria todo o suspense criado; por outro lado, porque o mistério poderia ser aterrorizante de mais (chegou a passar-me pela cabeça que a Nora e o marido estavam a encobrir um assassinato) e cair no ridículo. Mas não. A resolução, na minha opinião, foi bastante convincente. Perturbante na medida certa.
O choque, para mim, só aconteceu quando percebemos que não era Tommy (Balthazar Getty) o causador do mistério, como nos tinham vindo a fazer crer, mas sim Kevin (Matthew Rhys). Esta “simples” troca funcionou como twist e agradou-me muito, pois fez imediatamente o caso assumir novos contornos. O impacto é, assim, obrigatoriamente maior, não só porque Kevin é um personagem bem mais querido do público, mas também porque é… o Kevin! Confiante, altivo e sarcástico.
A ajudar ao desemaranhar da intriga, estiveram flashbacks interessantes, muito bem colocados na história, sem parecer forçado. O casting para representar os papéis dos irmãos Walkers mais novos foi acertado, sendo os mais convincentes os actores que desempenharam os jovens Tommy (Cody Longo) e Sarah Walker (Anna Wood).
O que se passou foi que, há um par de décadas atrás, quando o adolescente Kevin (Kasey Campbell) ainda não se tinha assumido como homossexual, um rapaz o tentou beijar. Confuso, Kevin acaba por empurrá-lo e este empurrão acaba por se tornar numa séria briga entre os dois, que termina com o rapaz, Aaron (Tyler Neitzel), a cair da plataforma da entrada da Ojai Foods. Quando isto acontece, William Walker aparece e “trata do assunto”, com a ajuda de Dennis York. Aaron fica paralisado da cintura para baixo sem que Kevin alguma vez tenha conhecimento disso, já que tanto William como Nora encobriram tudo, pagando, mensalmente, uma quantia de dinheiro à família. Kevin fica bastante perturbado, como é fácil de imaginar, afinal arruinou a vida de um homem …
Por último, são de destacar: a cena da calorosa discussão entre Nora e Sarah, onde, de cabeça quente, Nora manda à cara da filha mais velha tudo o que faz ou fez por ela, num verdadeiro duelo de titãs entre Sally Field e Rachel Griffiths; a cena da briga, em que descobrimos o que motivou o sigilo, claro; e a cena em que Kevin confronta a mãe, na Ojai Foods. Só excelentes interpretações, neste episódio! Nesta série, convenhamos. Quando o guião falha (não foi o caso), é sempre o elenco consistente de “Brothers & Sisters” que salvaguarda a qualidade da série.
Segunda parte: Romance e Comédia. Bem mais leve, a última metade deu-nos, finalmente, o casamento entre Justin (Dave Annable) e Rebecca (Emily VanCamp), ao mesmo tempo que deu seguimento ao novo conflito interior de Kevin e nos mostrou a imperdível aventura de Holly (Patricia Wettig) e Nora, ao melhor estilo “Thelma & Louise”.
Não posso dizer que a cena do casamento tenha sido emocionante, de tão rápida que foi, mas soube concluir satisfatoriamente este assunto, pendente há demasiados episódios. Justin e Rebecca acabam de entrar oficialmente numa nova fase das suas vidas, que, espero, seja marcada por confiança um no outro, sensatez e amadurecimento.
Kevin, por outro lado, segue um caminho tortuoso e, numa tentativa de expiação do que provocou no passado, visita Aaron (Christopher Thornton). Este diz-lhe que nunca deixou o acidente defini-lo e que, apesar do sofrimento, já ultrapassou o sucedido. Vive com o companheiro e parece satisfeito. Ainda assim, Kevin continua a sentir-se culpado e recusa-se a falar com a mãe. Após tanta agitação em torno desta história, é bom que saibam trabalhar a relação entre Nora e Kevin. E entre Kevin e Aaron, já agora. Não deviam ficar por aqui no que toca a interacções entre eles.
Holly e Nora unem-se para descobrir o ainda desconhecido motivo pelo qual Narrow Lake, propriedade que a Ojai Foods detém, é tão valiosa. O episódio acaba com as duas no local, árido e seco, sem nada de especial, à primeira vista. O que estará por trás do interesse de Dennis York nestas terras? Propriedades naturais? Ou algo mais? Alguém quer apostar? O que quer que seja, a road trip das duas foi qualquer coisa de muito engraçado, que envolveu nomes de código, um plano para roubar documentos de Dennis York, o furto do seu carro e, inevitavelmente, uma estadia na prisão. Este interesse mútuo uniu as rivais e agora que são oficialmente da mesma família, com o casamento dos filhos, espero que possam parar com as discussões infrutíferas e partir para uma amizade, quem sabe.
Termino referindo que apreciei que o cancro da Kitty tivesse voltado à ordem do dia. Nunca mais se tinha falado na doença, como se tivesse desaparecido de um dia para o outro, miraculosamente. Agora, pelo menos isso, sabemos que está em remissão.







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Drama sério e despretensioso. É nisto que B&S é bom!
E a dupla thelma and louise foi excelente
Excelente episódio, sem dúvida :4meio:
Grande episódio
:4meio:
Bom episódio e boa review!!!
Vamos para o próximo… :yuupii:
Obrigado, Tuba!
:salut: