Castle: 2×18 – Boom (ABC)

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[SPOILERS] “Castle tem a mesma necessidade de atenção de um cocker spaniel”, afirmou Kate para a agente Shaw…

Pedi, durante muito tempo, que a série se tornasse, nem que fosse momentaneamente, mais negra, perdendo aquele tom adocicado. Pois bem, se o episódio anterior já me tinha presenteado com os meus desejos, a sua continuação adensou a trama, seguindo os trâmites de um bom thriller. A acção desenrola-se no imediato, continuando a acompanhar a tragédia que se desenrola no apartamento de Kate (Stana Katic), acabado de explodir. A apreensão pelo destino de Kate é rapidamente desfeita, proporcionando um momento delicioso. Rick (Nathan Fillion), agora empossado de homem de acção, entra no apartamento, para descobrir, com redobrado alívio, que a sua parceira na luta contra o crime está viva. E nua. Utilizando o engenho adquirido por anos a combater malfeitores, Kate mergulhou na banheira, no momento da explosão, resistindo aos efeitos colaterais do engenho explosivo. Passado o momento de suspense, é altura de testar a teoria de Rick, quanto ao verdadeiro perpetrador do crime. E ela, como quase sempre, está certa. Num verdadeiro jogo do gato e do rato, o verdadeiro assassino joga, a seu bel-prazer, com a investigação policial, parecendo um mestre de marionetas movimentando os seus bonecos articulados. Ben Conrad, o suposto criminoso, era apenas mais um peão no seu jogo doentio, mantido cativo na sua casa, enquanto as mortes apontavam na sua direcção. Um assassino astuto, dotado de uma frieza enorme, capaz de permanecer escondido, num compartimento secreto, enquanto as forças policiais vasculham o apartamento inteiro. É um adversário admirável, mas que começa a perder a compostura. Começa a agir por impulsos, deixando que a raiva do frustrado ataque a Kate o afecte. E é assim que, passo a passo, os detectives se aproximam da verdade. O perfil do assassino coloca-o como voyeur, um espectador atento das cenas dos crimes, quase como se admirasse um quadro, laboriosamente pintado por si. É aí que lhe colocam, finalmente, um rosto. Vestido de polícia, aparecendo em dezenas de fotos, interagindo, observando. Um verdadeiro mestre do crime. Mas com um pecado venial. A arrogância. Não lhe basta ser inteligente. Ele tem necessidade que os outros saibam. Não sendo ele Ben Conrad, a investigação volta ao início, tratando o anterior suspeito como vítima e, a partir desse ponto, desenrolando o novelo. Existe uma certeza. Em algum ponto da sua existência, Ben cruzou-se com o seu algoz, compartilhando informações sobre a sua vida. Nesta fase a ajuda do FBI e da profiler Jordan Shaw (Dana Delany) torna-se preciosa, limitando os potenciais suspeitos, até chegarem a um nome. E a verdade é bem mais horrível do que esperavam. O serial killer iniciou a sua actividade há muito tempo atrás. Em outros locais, com uma lista quase infindável de mortes, sempre apontando para outros, injustamente considerados culpados. Derramando os seus feitos em manifestos prontos a tornarem-se livros, o assassino mostra a profundidade da sua psicose. E, num último acto insano, consegue um golpe de vulto: o rapto de Jordan Shaw. Tudo termina num confronto pessoal, com um herói improvável. Rick Castle, sempre relegado para lugares seguros, quando a acção atinge o clímax, é desta feita o protagonista do disparo certeiro…e feliz [atinge a arma do criminoso], pondo cobro à ameaça de um assassino implacável.

Beckett: Hell of a shot Castle.
Castle: I was aiming for his head.

O Melhor: A clivagem latente entre Beckett e a agente Shaw, apimentando o episódio. Dois estilos diferentes, mas ambos confluindo para o objectivo final: a captura do assassino.

O Pior: Costuma ser algo transversal a todas as séries e/ou filmes policiais. A miraculosa salvação dos protagonistas, em situação limite. Ninguém que assiste à série esperaria outra coisa que não fosse a salvação de Kate. Certo. Não vou contra a corrente. Mas detesto a forma como os argumentistas teimam em passar verdadeiros atestados de estupidez aos espectadores, levando algumas sequências para além do limite da lógica. Todos tínhamos visto Kate a tomar banho. No outro extremo da cidade, Rick descobre a verdade sobre a trama. Desesperadamente, insiste nos telefonemas, enquanto se dirige para o apartamento dela. E, no clímax do episódio anterior, vemos a sequência final decorrer, como que em câmara lenta. Kate a dirigir-se ao telemóvel. O ignominioso “tic-tac” da bomba. A voz áspera que dita a sentença mórbida. “Goodbye Nikki”. O olhar dela, entre o incrédulo e o desesperado, olhando para trás, e o “boom” da explosão. Assim descrita, tal como a cena é vista, é perfeitamente visível que Kate não tinha qualquer possibilidade de escapar. Nenhuma.

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Ari Gold, talking with Vinnie Chase: I swear by God you comeback stonger than ever Like Lance Armstrong. Only with two balls.

3 Respostas para “Castle: 2×18 – Boom (ABC)” Subscribe

  1. carolinafs 08/04/2010 às 14:10 #

    Estes dois episódios conseguiram alcançar um nível há muito esperado. E mesmo sendo absolutamente óbvio que Kate não ia morrer até fiquei satisfeita com a desculpa que arranjaram ao coloca-la na banheira a salvo da explosão.

    :4:

  2. artemisa289 08/04/2010 às 21:29 #

    Adorei o episódio. Adorei a agente shaw (desejo que regresse em mais episódios).
    O melhor: a agente shaw/Kate/castle
    O pior: concordo contigo (apesar de ser evidente)
    :4meio:

  3. Cláudia 05/05/2010 às 11:58 #

    Adorei este episódio. Estes dois últimos foram mesmo superiores aos restantes.

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