[SPOILERS] “Rogue archeologists, Mayan death threats, drug dealers claiming to deal in antiquities, and missing mummies? There’s got to be a story that makes all of this make sense.”
Procedural? Nah! Resumir “Castle” a um género é, convenhamos, rotular erradamente uma série que, quando quer, sabe usar os seus trunfos de forma a seduzir o espectador. “Castle” pode ser inteligente, espirituosa, engraçada. E mais uma quantidade intoxicante de adjectivos elogiosos. Depois de sensaborões episódios, com casos banais, a série parece ter encontrado definitivamente o seu rumo. Argumentos engenhosos, misturando imaginação com a dose certa de aventura e excentricidade, casos mais sombrios, com o suspense a gerar algumas ondas de inquietação e as constantes tiradas humorísticas do seu carácter principal.
Depois do duplo episódio em que o serial killer enfrentado levou-nos a todos ao limite dos nervos, surgiu uma espécie de interregno. Um intervalo retemperador, com um caso que é uma verdadeira ode aos aventureiros, nomeadamente a Indiana Jones e as suas intrépidas aventuras. Até tivemos direito a Castle (Nathan Fillion) vestido como o Dr. Jones, imortalizado por Harrison Ford, usando o famoso chapéu de abas largas. Mas vamos por partes. E por ordem…
A vítima, Will Medina (Kevin Foster), era um arqueólogo e curador do Museu de História de NY, responsável pela expedição que trouxe, de solo mexicano, importantes achados maias. Foi morto após a queda de uma gárgula, quando entrava para o prédio onde residia. E quem poderia ter sido o autor da emboscada, dado existirem sinais claros de que o tombo não foi acidental?
Num cocktail de mistura crenças pagãs, ameaças de morte ancestrais e maldições eternas, é difícil discernir entre o acessório e o indispensável. Alguns dos possíveis suspeitos, com direito a constarem nas agendas dos detectives, são:
- Raynes Stanford (Currie Graham), colega de trabalho e principal responsável pela contratação de Will. Mas uma troca acesa de palavras, imediatamente antes da morte, com Will a ser acusado de culpas na morte de uma estudante [pretensamente devorada por um felino], que o acompanhou numa expedição, tornam-no no suspeito ideal. Tinha motivo, meios e um álibi pouco sustentado.
- Cacaw Te (Gil Birmingham), um maia arreigado a antigas convicções, capaz de espancar turistas por estes pisarem o solo sagrado ou de enviar ameaças de morte por correio, enfurecido pela fuga do país de origem de importantes artefactos.
- Rachel Waters (Navi Rawat), namorada do falecido, procurava manter a todo o custo o secretismo sobre a relação. Perita em mumificação, procurava conciliar a vida profissional com a parte amorosa. Seria possível que, numa crise de ciúmes, o destempero de ver-se sempre relegada pela obsessão de Will pela arqueologia a motivasse a avançar para o crime?
- Norton Grimes (Al Vicente), traficante de droga, reciclado agora num pretenso entendido em antiguidades e artefactos raros. Transaccionava com Will, com benefício mútuo, peças de menor importância. Até ao último serviço, quando o arqueólogo procurava vencer uma múmia…
A descoberta, por parte do comprador, de que a múmia era falsa, não condizente com o período a que deveria pertencer, foi a peça que despoletou toda a engrenagem, culminando no trágico evento. O sarcófago serviu de repouso aos restos mortais da estudante desaparecida, mumificado por um expert na matéria. E tudo se resumiu a um crime passional, com o amor não correspondido, por parte da estudante, a levar Stanford a uma crise de ciúmes, culminada na morte da amada.
O Melhor: A capacidade, quase inata, de Castle para a pura fantasia. A ida ao museu, local onde a vítima trabalhava, serviu de pretexto para uma ode aos aventureiros e exploradores de antigas civilizações. E a cena em que Rick, sorrateiramente, enverga o conhecido chapéu, vivendo por meros instantes a pele de uma personagem, é excelente!
A superstição e a crendice em fenómenos místicos que, por momentos, aterrorizaram Castle. A maldição da múmia e os pequenos incidentes que o perseguiram, ao longo do episódio, serviram para mostrar que, mesmo que não acreditemos em bruxas, elas parecem existir. Ou não. Tudo foi fruto de uma série de partidas por parte dos compinchas, em algumas sequências hilariantes, como a do ataque do cão, a cena com a máquina de café ou a do elevador.
Castle: “If something were to happen to me, I’d want you to watch out for Alexis. She looks up to you. And if her boyfriends get frisky, you can shoot them.” (Beckett concorda) “…and would you also go into my closet get rid of my porn collection before she finds it?” (Esposito oferece-se).
O Pior: O pouco tempo de antena de Alexis (Molly C.Quinn) e Martha (Susan Sullivan), filha e mãe de Rick. A interacção entre este trio costuma proporcionar sempre momentos de enorme divertimento.





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É mesmo impossível ficar indiferente à personagem de Castle. O que eu me ri com a “maldição” a fazer efeito e com toda a imaginação dele que nos transportou ao universo de Indiana Jones. Não é certamente a melhor série dos últimos tempos mas é indispensável para um bom momento de descontracção.
Concordo contigo, Paulo. O nosso trio familiar é mesmo espectacular e ternurento e merece mais tempo de antena. E tal como vocês, também eu me ri quando Castle imaginou-se como Indiana Jones.