[SPOILERS] Manipulação. Faces Obscuras. Mentiras. Eis as quatro palavras que definem o décimo primeiro episódio de “Damages”. E que episódio!
Os melhores 50 minutos desta temporada começam com a procura de Ellen pela sua suposta mãe. Tal como fora referido na crítica anterior, aquela figura feminina e tão maternal era o escape da jovem advogada para os seus sentimentos de desajuste em relação à sua família. No entanto, a verdade é bem mais crua e dolorosa do que se suponha. Ellen é mesmo uma Parsons e foi a sua mãe que a tentou dar para adopção quando era pequena devido à intempestividade do seu pai. O talento de uma actriz vê-se nos pequenos detalhes e o olhar da Rose Byrne nesta cena condensa toda a desilusão e amargura da personagem. Mas prossigamos, depois de conhecer o lado mais sombrio do seu pai (que na verdade sempre esteve presente durante a série), Ellen encontra-se com David (Noah Bean), num momento “I see dead people” que é, simultaneamente, um dos mais belos da série. Aí um saudoso David, funcionando com subconsciente, relembra Ellen que era este sentimento de justiça face aos vilões que a unia a Patty Hewes (Glenn Close). Posto isto, Ellen tem dois caminhos ou prossegue a sua vida, aniquilando qualquer convivência com a advogada, ou volta a trabalhar no escritório Hewes. Os flashforwards que temos visto indicam que a primeira opção parece a mais provável mas acredito que depois da morte de Tom as duas se voltem a aproximar e acabem a temporada e a série lado a lado.
No entanto, esta relação tão maravilhosamente bem escrita parece já ter conhecido melhores dias. Isto porque uma ligeiramente embriagada Patty Hewes acusa Ellen de ter sido sempre uma parasita com uma ambição desmedida. Esta conversa tem sido bastante controversa. Muitos críticos acusam a conversa como ridícula pois, de facto, aquilo que a Patty acusa Ellen é a sua essência. Não podia discordar mais. Patty é manipuladora e perigosa mas tem sempre o objectivo de lutar pelas vítimas. O que Patty pensa naquele momento é que a Ellen a usou para apanhar Tessa e agradar ao Gabes, conseguindo assim um impulso na carreira. É isto que Patty, não estando por dentro de todos os desenvolvimentos do caso, pensa de Ellen, dai pedir-lhe que saia da vida dela. Quanto Tom (Tate Donovan) confessa que foi ele que abordou a Tessa e que a Ellen só o estava a proteger Patty percebe a asneira que fez. Resultado: Despede Alex (Tara Summers), a pessoa que tinha contratado para substituir Ellen, num claro sinal simbólico de pedido de desculpa e remorsos. Mais uma vez sobressai-se o argumento inteligente de “Damages”, que a torna uma das séries dramáticas mais fascinantes da televisão americanas! Memorável, toda esta sequência!
Mas este episódio ainda traria mais pontos de interesse. Comecemos por Frobisher (Ted Danson). Como sabem aqueles que seguem os meus textos aqui no TVD sobre a série, sempre achei o regresso da personagem um erro dos argumentistas. A personagem é sem dúvida interessante, mas a sua inclusão parece despropositada e um claro filler. No entanto, neste episódio até os minutos dedicados ao magnata me surpreenderam e agradaram. “Damages” nunca tinha tido grandes momentos de humor. Até este episódio. Foi impossível não sorrir, ou rir, com o “bater texto” da cena do interrogatório. Com uma Patty Hewes nova e atraente e uma brilhante interpretação de Ray Fiske (não faço ideia quem seja o actor, mas uma vénia seja feita ao senhor), esta cena rendeu grandes momentos. Mas o melhor estava para vir, com Terry a pedir a Frobisher que lhe desse a conhecer o seu lado mais negro. Pedido feito, desejo concretizado e Frobisher introduzi-lo no mundo das drogas e da prostituição. Foi algures entre umas snifadelas de cocaína que pensei: porque raio um actor de blockbusters quer conhecer este lado obscuro da personagem? E foi ai que uma teoria um pouco mais irrealista tomou lugar. E se este tal Terry estivesse a mando de Patty ou Ellen para obter uma confissão do assassinato de David? Não só daria toda uma nova perspectiva a esta inclusão do Frobisher como o tornava um sério candidato ao motorista do carro que bate em Patty. A comprovar, nos próximos episódios.
Quanto à família Tobin, tivemos desenvolvimentos chocantes. Tal como já tinha sido referido anteriormente, Tessa era mesmo filha de Joe (Campbell Scott), e não do seu pai. A revelação surge quando Lenny (Martin Short) pede a Marilyn que revele esse segredo ao seu filho de forma a evitar que este mande matar a filha. Ao longo da temporada, pouco ou quase nenhum destaque foi dado a Marylnn. Pensei, por várias vezes o que teria levado uma actriz como Lily Tomlin a aceitar tão parco protagonista. Nesta recta final, percebemos o porquê. Marilyn Tobin revela um lado obscuro que não lhe conhecíamos. Não contando a verdade ao seu filho, acaba por ser a autora moral do assassinato de Tessa Marchetti (Vanessa Ray), uma das cenas mais fortes e cruas de “Damages”. Motivo? Dinheiro, dinheiro, dinheiro.
A pouco mais de duas horas do fim, “Damages” continua a surpreender num episódio memorável. Se se mantiver o nível estamos perante uma recta final semelhante, em termos de qualidade, à primeira. Esperemos, ansiosamente, pelo próximo episódio.





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A Marilyn e a sua sede de dinheiro foi sem dúvida um ponto alto deste episódio a juntar aos momentos de tensão como só esta série sabe fazer. A única coisa que continua sem me convencer é Frobisher mas espero vir a engolir estas palavras.
Pois… eu como tenho dito sempre também não gosto muito da inclusão da personagem. Mas depois daquela conversa no carro algo me diz que ainda veres Frobisher a ser julgado pela morte de David.
A confirmar
A recta final desta temporada tem sido de tirar o fôlego, não só a nível de evolução da trama mas, principalmente o desenvolvimento dos personagens.
Além da Marylin e do Joe, o que me tem surpreendido muito também é o Lenny. Nunca pensei que o Martin Short conseguisse convencer nesta vertente mais dramática mas, felizmente estava bem enganada.
É verdade Martin Short tem sido de facto a surpresa
E foi ai que uma teoria um pouco mais irrealista tomou lugar. E se este tal Terry estivesse a mando de Patty ou Ellen para obter uma confissão do assassinato de David? Não só daria toda uma nova perspectiva a esta inclusão do Frobisher como o tornava um sério candidato ao motorista do carro que bate em Patty. A comprovar, nos próximos episódios.
Boa Teoria!
E que achas que esconde o Lenny?
E que achas que esconde o Lenny?
Eu acho que o Lenny vive sobre uma identidade falsa. E, não sei, até que ponto ele é realmente advogado. Mas nos próximos dois episódios teremos respostas
Aliás o desta semana já aí está.. mas ainda não tive tempo de o ver!
Aliás o desta semana já aí está.. mas ainda não tive tempo de o ver!
Também só vou ver hoje.
Não tive tempo antes.
Bem aquele julgamento do Frobisher foi de facto uma comédia. Especialmente quando o suposto Ray Fiske começou a falar, com aquelas olheiras e o tom de voz arrastado. Foi muito, muito bom!
Depois tivemos a Ellen a mergulhar um pouco mais fundo nos seus problemas familiares. Mas o ponto alto foi mesmo a descasca que a Patty lhe deu por achar que ela tinha andado a agir nas suas costas a vender informações ao Gates. Que tensão naquela conversa. Só fiquei com pena que a Ellen não tivesse sequer argumentado, ou tentado se defender.
Ainda bem que depois o Tom esclareceu tudo e a mosca morta da Alex foi despedida. Tão engraçada a simplicidade com que a Patty o fez.
E por último toda a história dos Tobin, Meu Deus. Foi chocante ver o sangue-frio do Joe e da Marylin (finalmente a personagem começa a ganhar mais importância), mas mais chocante foi ver a pobre Tessa levar um tiro na cabeça.
Grande episódio, óptima crítica!
:4meio:
Este episodio foi dos meus favoritos (aliás como se ve pela classificação). Estás a 2 episodios do final da série. Prepara-te para emoções fortes
e obrigado