[SPOILERS] Já sabemos há muito tempo que a publicidade tem um papel importantíssimo na televisão. Explicita ou implicitamente, somos bombardeados (em certas séries, pelo menos) com informação comercial que quase parece que estamos no intervalo. E se em doses pequenas a táctica tolera-se, o excesso é algo que é completamente dispensável. Principalmente quando as histórias se sujeitam ao marketing.
Este foi um episódio que usou e abusou da publicidade. O lançamento do iPad foi o pretexto para um episódio quase inteiramente dedicado a ele. Qual espaço publicitário da Apple (marca aliás que usa e abusa de product placement em variadíssimas séries), o gadget mais recente da empresa foi enfiado na história de aniversário de Phil (Ty Burrell) e por lá só faltou mesmo o Steve Jobs entrar com o produto pela sala adentro e oferecê-lo. Tivemos de tudo: o êxtase incompreensível dos early adopters, o madrugar para adquirir o produto, a visita à loja Apple mais próxima, o elencar de algumas características do produto e, finalmente, a aparição apoteótica do produto. O que dizer daqueles minutos finais do episódio (quando a família se junta em redor do produto)? Ou da expressão de Phil no sofá? Patético, ridículo ou “marketing a quanto tu obrigas”, foram algumas das expressões que me surgiram naturalmente. Ainda por cima, toda a história envolvendo o produto teve pouca piada. As linhas de diálogo engraçadas rarearam e as personagens por vezes mais pareciam vendedores da Apple. No entanto, tendo em conta os objectivos da história, esta deve ter valido mais umas quantas vendas do produto.
As restantes histórias também não ajudaram muito a esquecer a publicidade. Vejamos:
- Mitchell (Jesse Tyler Ferguson) e Cameron (Eric Stonestreet) andaram entretidos com a vida pessoal dos vizinhos, numa situação que nunca chegou a atingir um nível elevado de comédia. Até mesmo a história envolvendo Mitchell acabou por se cruzar com a publicidade ao iPad. Era mesmo necessário?
- Jay (Ed O’Neill), Gloria (Sofía Vergara) e Manny (Rico Rodriguez) acabaram por salvar o episódio de cair na “temível” escala de classificação deste site. Os três tiveram direito aos melhores diálogos e a uma história que se encaixa na perfeição no tipo das que habitualmente vemos na série (embora alguns furos abaixo do melhor que já vimos). E não teve publicidade!
Depois do exemplo da Subway num episódio de “Chuck”, este bate aos pontos a desfaçatez com que (por vezes) se mistura publicidade com argumento. O que se segue? Berbequins? Depiladoras? Telemóveis? Quem dá mais?
Jay: I’m gonna teach him real chess, not the Colombian version. We actually use the pieces to play the game–not smuggle stuff out of the country.
Gloria: Eh, I know one Colombian piece you won’t be playing with later.





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Ouch… Esta doeu… Percebo perfeitamente a tua opinião e concordo contigo em muitas coisas. É certo que tudo o que é em excesso chateia, e também não gosto de publicidade nos episódios.
Mas tendo em conta a paixão do Phil pelos gadgets que vão saindo e o lançamento de um aparelho muito desejado por todos, até penso que foi uma ideia interessante.
A qualidade do episódio esteve longe daquilo a que já nos habituou, mas não posso dizer que não gostei do episódio, ou que não me diverti com ele.
Desta vez discordo totalmente da tua opinião, eu gostei do episódio.
Não só se fez aqui um comentário à época em que vivemos (na qual o iPad, goste-se ou não, é um evento), como a mania dos gadgets do Phil já tinha sido bem estabelecida em episódios anteriores. Tirando a cena final que sim, considerei um exagero, achei que o episódio até conseguiu, de uma forma divertida, criticar os fãs de gadgets que vibram com estas coisas tal como as pitas que esperava pelo concerto dos Tokio Hotel em frente ao Pav. Atlântico vibram.
Considero a publicidade descarada e forçada que vimos em Chuck bem pior, pois aqui ao menos fazia parte da história. E, segundo o que vem na imprensa, nem foi um jogo da Apple para fazer publicidade, foi iniciativa de quem escreve a série.
http://latimesblogs.latimes.com/entertainmentnewsbuzz/2010/04/modern-family-gives-some-free-love-for-the-ipad.html
Eu estou com a Syrin. Acho que quando é “natural” não há grande problema nas referências à marca.
O lançamento de uma novidade da Apple é sempre um evento mundial. Porque não retratá-lo quando faz sentido?
Aqui fez e eu gostei bastante do episódio. :4:
Também não me chocou muito. Mas gostei mais da cena da Gloria e do xadrez.