Castle: 2×23 – Overkill (ABC)

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[SPOILERS] Não sendo um objecto estranho, Castle continua a surpreender, com alguma regularidade. Sim, continua a ostentar o merecido rótulo de série “light”, produção actualmente em piloto automático, vivendo das interpretações [excelentes] dos actores que interpretam o par Rick (Nathan Fillion) e Kate (Stana Katic). Mas quem, por mero acaso, se sentasse em frente a uma TV, vendo o episódio desta semana, sem qualquer contacto prévio com o histórico do seriado, pensaria duas vezes antes de a catalogar como policial. Não me interpretem mal. O cadáver da praxe está lá. Ensanguentado, de forma bem visível. E, para que não restassem dúvidas, com um “murderer” escrito a sangue, num espelho. E sim, por arrasto também temos a sempre infindável lista de suspeitos, de falsas pistas, de becos sem saída e os interrogatórios policiais do costume.

Mas houve algo mais. Um triângulo amoroso. Começado a construir, laboriosamente, alguns episódios atrás, com Rick, Kate e o detective Tom Demming (Michael Trucco), torna-se a cada momento numa competição acesa entre os dois homens. E é disso que se trata, praticamente. Uma mera (mas acérrima) disputa, tendo como troféu, em caso de vitória, as atenções e favores de Kate. Até esse desenlace, o azedume, sobretudo em Rick, leva a melhor sobre o seu espírito habitualmente bem-humorado.

O morto, Damian Wilder, era o produtor de uma linha de cosméticos para homens (motivo mais do que perfeito para umas tiradas hilariantes de Rick). A investigação apura que o fundamento do crime possa ter sido o roubo de valiosos e raros livros da colecção privada de Wilder. Ou não. A mensagem, inacabada, escrita tragicamente a sangue, abre uma nova linha de investigação. Quem poderia apontar o dedo, dessa forma denunciante, a Wilder?

Fácil. Juntem-se uns animais enjaulados, em laboratórios, manipulados friamente na procura do melhor odor ou do bálsamo milagroso e um grupo de manifestantes, activamente dispostos a defenderem os direitos dos animais, e teremos a resposta à pergunta formulada. Entre tantos, destaca-se Lance Newman (Kasey Mahaffy). Activista empenhado na defesa dos direitos dos animais, ameaçava por escrito Wilder, por este subcontratar uma empresa que efectuava testes em animais. Para pesar de Castle (numa competição paralela com Demming, sobre a prevalência do melhor rumo para a investigação), o álibi sólido isenta quase de imediato o activista. Riscado um nome, outros aparecem, com facilidade…

Jake Cabrese – Trabalhador que remodelou a cozinha em casa da vítima, com um histórico de suspeitas em roubos efectuados em condições similares. A devoção familiar, levando-o a ver uma peça em que os filhos eram intervenientes, salva-o de um interrogatório policial.

Natasha Piper (Ella Thomas) – Namorada do falecido, com quem se envolvia em discussões aceradas. Modelo caprichosa e fútil, sentia-se traída por uma aparente relação que o namorado mantinha com uma misteriosa mulher. O álibi descarta-a igualmente de ser ela a instigadora do castigo aplicado a Wilder.

Lukas Canby (Paul Carafotes) – Negociante pouco escrupuloso de livros raros, merece igualmente a atenção pormenorizada da equipa de detectives, quando algumas das obras roubadas aparecem num leilão. A sua compra a um delinquente ajuda-o a safar-se das consequências.

Lisa Jenkins (Julie Claire) – Chefe de produção na empresa de Wilder, fica no centro das atenções quando a sua voz é reconhecida como sendo uma das intervenientes numa discussão em casa do morto. Aparentemente, a altercação não se devia a motivos sentimentais, mas sim a questiúnculas profissionais.

Blake Wilder (William R.Moses) – Primo da vítima, antigo fiador e crente nas capacidades criativas do parente, não tinha nenhum motivo que o ligasse ao assassinato. Mas é visto a despejar, sorrateiramente, o molho de livros roubdos do primo, adensando o mistério em redor dos seus intentos.

E, apesar da rivalidade demonstrada entre Demming e Castle nenhuma das ideias contrárias estava certa. Parafraseando um adágio popular, “no meio é que estava a virtude”. A 3ª via de investigação resulta acertada. Wilder andava a ser chantageado, sendo o dinheiro roubado pelo recepcionista do motel onde deveria ser deixado. E é neste enquadramento, envolvendo uma funcionária chantagista que Wilder revela uma faceta altruísta, preferindo enfrentar um provável processo, pelos danos causados por um dos seus produtos, do que ceder às intenções malévolas da empregada. No meio deste dilema, as potenciais perdas financeiras da empresa falam mais alto. E, numa reviravolta extraordinária, descobrem-se os assassinos. No plural. Lisa e Blake, agindo separadamente, sem conhecimento um do outro, cometem o crime, visando impedir o desmoronamento económico da empresa, onde detinham interesses. Ponto final na investigação. Se o round 1, nesse titânico combate entre Rick e Tom, termina empatado, profissionalmente, o escritor fica à beira do KO técnico, no campo amoroso, ao presenciar o beijo entre o rival e Kate. A dor estampada no rosto vale mais do que mil palavras. Aguardemos pelo round 2.

O Melhor: A forma como Rick lida com a concorrência pelo coração de Kate. Derramando o seu fel nas páginas do seu novo livro, de forma bem esclarecedora. Existe o alter-ego de Kate, a bela detective Nikki Heat, desta feita acompanhada por um fleumático Rook e, claro, por um detective meio idiota, Schlemming. É necessário colocar o verdadeiro nome neste último?

O descaramento de Rick, solicitando umas amostras grátis na empresa de Wilder, em pleno processo de investigação. Impagável!

A versão masculina e cheia de hormonas do “Sex and the City”, protagonizada por Rick, Ryan e Esposito, verdadeiros metrosexuais, apelidados de Carrie, Charlotte e Miranda.

O Pior: O rocambolesco, implausível e caricato final, numa série de coincidências que soa a improvável. Dois assassinos, acometidos de súbitos impulsos homicidas, agindo quase em simultâneo, sem conhecimento prévio das acções do outro, não resulta em acaso. É forçado. Demais. E, quando assim é, o desfecho torna-se algo burlesco. Não me convenceu.

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Ari Gold, talking with Vinnie Chase: I swear by God you comeback stonger than ever Like Lance Armstrong. Only with two balls.

2 Respostas para “Castle: 2×23 – Overkill (ABC)” Subscribe

  1. Cláudia 21/05/2010 às 16:03 #

    Também adorei essa do Schlemming e o que mais me alegrou Castle foi que a filha detestou a personagem. Ele ficou delirante com isso.
    Para mim, Castle é sempre sinónimo de boa disposição.

  2. carolinafs 23/05/2010 às 23:56 #

    A Beckett a gozar com o Castle por causa de Sex and the City foi genial!

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