Desperate Housewives: 6×20 – Epiphany (ABC)

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[SPOILERS] O vigésimo episódio desta temporada de “Donas de Casa Desesperadas” fez-me lembrar muito uma outra série, uma série extraordinária da qual já tenho muitas saudades: “Dexter”.E porquê?

Porque, depois de no episódio anterior termos descoberto a verdadeira identidade do Estrangulador de Fairview, é chegada a altura de compreender quem é Eddie Orlofsky (Josh Zuckerman) e de como nasceu este “monstro”. E se há uma série recente que tem mostrado de forma exímia o que é um assassino e de como ele vive e se movimenta… essa série é “Dexter”.

O episódio é todo construído à volta de Eddie, relatando momentos marcantes para a construção da sua pessoa e para a criação do seu lado mais obscuro.

Segunda: O abandono do pai.

Mary Alice (Brenda Strong) regressa como a primeira das donas de casa que conheceu Eddie, numa Segunda-feira. O menino de 4 anos brincava no jardim de sua casa quando o pai saiu de casa depois de mais uma discussão com a mulher, Barbara (Diane Farr). Mary Alice presencia a cena e regressa mais tarde, para dar apoio a Barbara. Desde logo é notória a frieza dela face ao filho, por este se parecer muito com o pai, bem como a sua atitude derrotista face ao futuro, sem esperança em encontrar um novo amor e servindo-se repetidamente de vinho. Mary Alice regressa uma vez mais a casa dos Orlofsky apenas para descobrir que Barbara fora ter um encontro com um homem e deixara o filho sozinho em casa, sem ninguém a olhar por ele. Depois de a ir buscar a um bar, Mary Alice chama-a à atenção, afinal ser mãe significa colocar as necessidades de Eddie à frente das suas. Ela parece compreender mas depois abraça o filho e diz:

Barbara: Oh Eddie, it’s not your fault you’ve ruined my life.

Terça: A amizade não correspondida.

Acabada de chegar a Westeria Lane, Gabrielle (Eva Longoria Parker) ainda não tem amigas e nem parece muito interessada em estar com as vizinhas. Eddie torna-se o seu primeiro amigo/escravo. O triste e solitário rapazinho parece não se importar de trabalhar para ela, ajudando nas mudanças, a desempacotar caixas, a arrumar coisas, a pintar-lhe as unhas dos pés! Ele gosta da companhia de Gabrielle… até ao dia em que a surpreende com Carlos (Ricardo Antonio Chavira), na banheira. Depois de saber que o melhor amigo da mulher é um menino de 9 anos, Carlos avisa-a que ela tem de parar de se relacionar com ele e começar a socializar com as outras mulheres do bairro. Ela percebe que o marido tem razão e diz ao menino que eles não vão poder passar tanto tempo juntos. Ele fica furioso. Ao chegar a casa, depois de ver a mãe no sofá a fazer sexo com outro homem, Eddie pega numa espingarda e dispara contra um pássaro.

Quarta: O amor não correspondido.

Enquanto faz algumas pinturas no quintal de Bree (Marcia Cross), Eddie recebe alguns conselhos dela sobre como conquistar a rapariga por quem está apaixonado. O que Bree não suspeitava é que a rapariga em questão é a sua filha, Danielle. Depois da saber que ele seguiu os conselhos dela e ofereceu rosas e depois uma pulseira a Danielle, Bree decide ir falar com Barbara na esperança de que ela, gentilmente, pudesse explicar ao filho que Danielle não estava interessada nele e apoiá-lo. Infelizmente os planos de Bree saem gorados: Barbara goza e humilha completamente o filho por ele querer namorar com a popular rapariga. Dias depois, Bree tenta reconfortar Eddie garantindo-lhe que ele acabará por encontrar o amor, e que há raparigas por aí que lhe dirão “sim”. Ele percebe mal a mensagem e, uma noite, acaba por ir procurar o amor junto de uma prostituta. Ingénuo, ele oferece-lhe um ramo de flores. Ela ri-se na sua cara. E ele, pela primeira vez, cede aos seus instinto e mata-a, deixando o seu cadáver num beco. Este foi, sem dúvida, um momento marcante e gostei da simplicidade com que a primeira morte foi demonstrada, de uma maneira muito cruel mas plausível.

Quinta: Desenhos e Enganos.

Susan (Teri Hatcher) apercebeu-se que Eddie, que trabalha na altura trabalhava na The Coffee Cup, tinha talento para o desenho e ofereceu-se para lhe dar umas aulas, e ajudá-lo a melhorar a sua técnica. Depois de Susan lhe dizer que estava separada de Mike (James Denton) e que ele estava a namorar com outra mulher de Westeria Lane – Katherine (Dana Delany) – , Eddie vê nela a possibilidade de um futuro amor. Semanas depois, após Eddie ter feito grandes progressos no desenho, Susan inscreve-o e paga-lhe um seminário de duas semanas no Instituto de Artes: o rapaz fica emocionado com a gentileza de Susan e ainda mais apaixonado… até ao dia em que chega a casa dela, regressado do seminário, e a encontra vestida de noiva, pronta para se casar mais uma vez com Mike. Esta cena situa-se, portanto, após o final da 5ª temporada. O coração de Eddie fica despedaçado e ele não compreende como é que ela pode continuar a amar Mike. Ela, nervosa e agitada, diz que já reservou a igreja e que tem o vestido… e que portanto vai ter de se casar com alguém! E o pobre Eddie sugere que ela se case consigo… Susan, claro, acha que ele está só a gozar, a dizer uma piada para tentar acalmá-la… mal ela faz ideia do quão a sério ele estava a falar. Eddie fica furioso e rasga um desenho que tinha feito, retratando Susan.

Na igreja, Eddie observa cabisbaixo enquanto todos batem palmas aos noivos. Ele regressa a Westeria Lane nessa noite decidido a vingar-se de Susan, por esta o ter rejeitado… Porém confunde-se e acaba por atacar Julie (Andrea Bohen).
Com um enorme peso na consciência ele vai ao hospital, ver como está Julie… Então assistimos a esta espectacular conversa:

Susan: I still can’t believe it happened. I keep asking myself how can there be this kind of evil in the world. What kind of monster would do this to her?…
Eddie: It wasn’t a monster. No… monsters are big and strong. This was done by some weak, insignificant piece of garbage who doesn’t even deserve to be on this Earth. Anyone who could do this to someone as sweet as Julie and you… He should just do everyone a favor and kill himself.
Susan: Anyone who can do this is too cowardly for that…
Eddie: You’re right…

Sexta: Alguém matou a charada.

O agradável serão de Eddie em casa dos Scavo acaba no momento em que Barbara, chega a casa de Lynette (Felicity Huffman) furiosa por o filho lhe ter escondido a bebida… Com um ar exausto e abatido, ela trata mal o rapaz e ainda é desagradável para com Lynette… a dona de casa sente que tem de fazer algo para melhorar a vida do pobre rapaz. Quando Eddie regressa ao lar dos Scavo para arranjar um carro, a mãe, desesperada por mais whisky, resolve revistar-lhe o quarto… e é lá que encontra um livro de recortes que lhe revela que o seu filho é, afinal, o Estrangulador de Fairview.

Ela percebe que criou um monstro, e tenta ligar à polícia… e os dois envolvem-se numa luta. O urso de pelúcia que Mary Alice uma vez oferecera a Eddie observa enquanto o rapaz estrangula a mãe até à morte.

E, no auge da tensão, Lynette chega a casa dos Orlofsky para convidar Eddie a mudar-se para casa dela e a deixar por uns tempos a mãe alcoólica. Lynette vê Barbara deitada no chão, mas não desconfia que ela está morta e pergunta a Eddie se ela tinha desmaiado de tanto beber! Aliviado, o rapaz diz que sim.

O episódio termina com um monólogo de Mary Alice, enquanto observamos Eddie a envolver o corpo da mãe numa cortina de chuveiro.

Mary Alice: There is a house in the town of Fairview. Inside this house lives a monster, the kind who kills women. You may wonder how a monster like that came to be. The answer is simple: monsters are created by other monsters.

Este episódio representa sem dúvida um dos pontos altos desta temporada. Uma epifania acerca da criação do mal. Somos incapazes de ficar indiferentes à triste existência de Eddie Orlofsky. Não poderemos nunca aceitar a natureza de tais actos, é certo, mas podemos compreende-la de uma maneira assustadoramente clara.

O Melhor: Foi tudo muito bom, mas dou principal destaque aos desempenhos de Josh Zuckerman, como Eddie, e de Diane Farr, como sua mãe, Barbara. E também gostei de ver – e não apenas ouvir – Mary Alice.
O Pior: Nada.

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"Trust No One" - Deep Throat, The X Files / Patty Hewes, Damages

4 Respostas para “Desperate Housewives: 6×20 – Epiphany (ABC)” Subscribe

  1. lfilipe 17/05/2010 às 22:40 #

    Impressionante é a palavra correcta!

    Também fiz a analogia com o Dexter, com aquele episódio do dia de acção de graças em que descobrimos toda a verdade sobre o ambiente violento da casa do assassino. Para mim, esse episódio atingiu a perfeição, e este esteve também muito perto.

    Seguiu uma fórmula já usada anteriormente, mas conseguiu inovar, e sinceramente as interpretações dos dois actores conseguiram colocar as donas de casa em segundo plano (o que até soubem bem). A interpretação do Josh Zuckerman conseguiu reflectir de uma forma cruelmente real não só toda a raiva, tristeza e desadaptação que a personagem sentia, mas também a grande ambivalência de sentimentos em relação à sua mãe. Foi comovente….

    Enfim, muito havia a falar sobre este brilhante episódio! Parabéns a Desperate Housewives por nos conseguir surpreender!

  2. Tuba 18/05/2010 às 11:31 #

    Muito Bom :yuupii:

  3. Noir 06/06/2010 às 18:46 #

    Melhor episódio da temporada (ainda não assisti o season finale, mas, do que vi até agora, este é sem dúvida o meu favorito).
    Optimamente escrito e um conceito interessante são as grandes marcas de “Epiphany”.

    :5:

    • Ramos 06/06/2010 às 23:03 #

      Então vai ser mesmo o teu favorito.

      O final de temporada foi um bocado decepcionante. :whathever:

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