[SPOILERS] Com este “Hearts and Minds”, “V” ganha uma camada que até aqui ainda não tinha conseguido explorar convenientemente, que é o sentimento de realismo que qualquer obra de ficção tem de transparecer para se tornar credível. No mundo de “V” existem extraterrestres que chegam à Terra, com promessas de inovação e progresso em troca de mantimentos, e pessoas que duvidam das suas intenções. Esta é a premissa da série. É a base do mundo criado pela mesma. Esse mundo é fictício e é ou não aceite por cada pessoa de maneiras diferentes, mas desde que ele vá sendo moldado de forma mais aproximada à nossa realidade, a série torna-se mais real, mais credível, e, por isso mesmo, mais apelativa. E este episódio marca a primeira vez que algo do género me é sugerido.
E porquê? Porque os quatro elementos da resistência que conhecemos, e ao que parece agora já são identificados por toda a gente como sendo Fifth Column, decidem abater uma nave que supostamente traria a bordo um grupo de Vs usados para os perseguir mas que, afinal, está repleta de humanos. Esta acção traz consequências. Aos heróis desta história passa-lhes nos lábios o gosto amargo da vilania que, à medida que o tempo passa, se começa a tornar insuportável e a deteriorar o pequeno grupo de resistentes. O Padre Jack (Joel Gretsch), como seria de esperar, é aquele que mais fortemente é abatido pelo sentimento e as suas acções começam a seguir um caminho que pode deitar tudo a perder para a chamada resistência. Não fosse a Erica (Elizabeth Mitchell) descobrir que os passageiros a bordo da nave destruída eram na realidade corpos sem vida (*) e tudo aquilo que eles conseguiram alcançar até ao momento seria deitado a perder.
(*) Se bem que esta decisão é algo estranha. A Anna já mostrou por diversas vezes não ter pudor em fazer o que é necessário para atingir os seus objectivos, logo até seria mais de esperar que ela colocasse pessoas vivas a bordo da nave ao invés de apenas corpos, e isto deixa-me a pensar se a questão dos corpos não terá sido apenas porque quem escreveu o episódio não conseguiu imaginar outra forma de não destruir a resistência sem ser esta. Caso a nave estivesse repleta de pessoas vivas, seria mais difícil convencer o Padre Jack que realmente eles não tinham assassinado ninguém.
O episódio deu-nos ainda uma oportunidade para detestar mais o Chad (Scott Wolf). Ele é o responsável da quase queda da resistência e da sua agora real conotação terrorista no que diz respeito aos olhos do público geral. Mas continua ainda a jogar nos dois lados do campo, optando por não revelar a identidade da sua fonte, o Padre Jack, à Anna. Pelo menos, agora a resistência sabe que não podem confiar nele. Por sua vez, enquanto o Chad se parece inclinar mais para o lado dos maus, a Lisa (Laura Vandervoort) parece inclinar-se mais para o lado dos bons, aqui acabando o namoro com o Tyler (Logan Huffman) de forma a que ele não vá viver para a nave V. Mas isso está-lhe a custar caro, pois a Anna (Morena Baccarin) nem pensou duas vezes em mandar partir-lhe as pernas (e esta personagem e os seus requintes de malvadez continuam a ver o melhor que a série tem para oferecer).
Para terminar, falta-me mencionar ainda a revelação de mais um V infiltrado no FBI. O episódio esforçou-se bastante para nos fazer acreditar que o infiltrado era o chefe da Erica logo, como costuma ser habitual, era quase certo que ele não o era. E não é. Na realidade o infiltrado até é alguém que já me tinha ocorrido por ter visto outra série onde a actriz entrou (eu não vou revelar qual série para evitar spoilers, mas acho que quem viu a mesma sabe do que falo e de certeza que já lhe teria ocorrido que ela seria a infiltrada). E agora vai ser engraçado ver a Erica a liderar uma equipa criada com o único propósito de encontrar os membros da Fifth Column. Acho que não poderia haver ironia maior…





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:4:
A série continua boa, tem uma história legal e bons personagens, mas não sei porque sempre que termino de ver um episódio me dá uma sensação de “Foi quase… faltou pouco!”.
No seu décimo episódio a série já começa a cansar. Toda semana parece usar da mesma fórmula. V precisa inovar e arriscar um pouco mais, a trama já começou a ficar desgastada e monótona. Se continuar nesse ritmo, sinto que a série não vai durar muito, no máximo uma segunda temporada.
Óptimo episódio. Também fiquei na duvida porque e que a Anna usou cadáveres em vez de pessoas, talvez tenha sido realmente um artificio dos escritores para o grupo não se desfazer.
E a cena final, com a Anna a atacar a filha e a ordenar para que lhe partissem as pernas… brutal.
:4:
Acho que o que a Anna fez foi despejar o lixo, ou melhor, livrou-se dos cadáveres humanos que estavam na sua nave. Presumo que os cadáveres sejam de humanos que não sobreviveram aquelas experiências que os V têm feito, portanto nada melhor do que livrarem-se disso e assim têm a garantia que nenhum bisbilhoteiro (tipo o Chad) os encontre e vá a correr divulgar isso ao mundo.
:3meio: