[SPOILERS] Tal como muitas outras boas séries de Verão, das quais não pedimos mais do que nos entretenham nos longos e quentes dias de férias, “Entourage” nunca foi série para se levar muito a sério. Não, “Entourage” apresentou-se, desde o início, como uma série “escapista”, a história a que recorremos para ver (e sonhar) um pouco com as vidas dos (muito) ricos e famosos de Hollywood. Talvez por isso, e embora tenhamos já tido episódios mais sérios, os problemas, os dilemas e os conflitos se tenham resolvido, invariavelmente, no final do episódio/arco de história/temporada. Isto é… até agora.
Se o início da temporada foi claramente dos mais fracos que já tivemos, os últimos dois episódios conseguiram trazer a série de volta aos eixos, e apresentar-nos um desenvolvimento interessante, vindo da personagem que menos se espera: Vince (Adrian Grenier). Porque a vida dos ricos e famosos de Hollywood é mais do que festas, belos carros e belas mulheres, paisagens paradisíacas e glamour em todos os cantos, a espiral de auto-destruição que Vince tem vindo a percorrer desde o seu acidente de carro começa cada vez mais a reflectir-se na trama principal, a influenciar não só a sua vida pessoal, mas a de todos os que o rodeiam. E isso significa que, lentamente, as tramas dispersas têm vindo a confluir, e consequentemente, a melhorar a qualidade da história.
Não quer isto dizer, claro, que tenhamos agora uma história contínua: muito pelo contrário. Quem estava à espera de ver uma continuação da cena final do episódio passado pode ter saído desapontado. Mas se este “Tequila and Coke” não começou por aí, as consequências da mesma fizeram-se sentir e muito. Vince recuperou daquele “desmaio” junto da piscina, mas os seus hábitos de consumo de drogas – que, de início, se ficavam pelas mais banais e fracas – têm vindo a alterar-se, deixando marcas mais graves do que um impulsivo corte de cabelo ou um encontro pouco agradável com o ídolo de muitos fãs de banda desenhada por este mundo fora. O estilo de vida pouco saudável continua a fazer-se sentir, e a cocaína, aliada à tequila que Turtle (Jerry Ferrara) arranja facilmente e aos Vicodin que parece consumir qual doutor House, está a transparecer cada vez mais. O segundo encontro com o realizador do seu potencial novo blockbuster parece correr bem a quem não tem olho para a coisa, mas aquelas olheiras, olhar vidrado e perna irrequieta não enganam ninguém, pondo em risco todo o seu futuro… e o dos que lhe querem bem.
Com Vince a enterrar-se cada vez mais, os seus amigos mais chegados deveriam ser os mais atentos. Mas, infelizmente, é preciso um olhar de um estranho, alguém que já passou pelo mesmo, para lhes abrir os olhos. Billy Walsh (Rhys Coiro) não é alheio ao consumo desenfreado e à dependência e, por isso mesmo, identifica facilmente os factores de risco. É ele que tenta fazer ver tanto a Vince, como a Eric (Kevin Connolly) que algo está muito mal. Se estas observações são interessantes, o melhor mesmo é ver as diferenças entre Vince e Billy, que mais uma vez se encontram em pólos opostos da escala, mas desta vez com papéis invertidos. A aposta no regresso deste Billy sóbrio foi já ganha, e o seu futuro envolvimento com um possível primeiro passo de Drama (Kevin Dillon) na área da animação – mesmo se o mesmo ainda está algo relutante – só irá fazer esta série crescer.
Do outro lado da cidade, longe de todas estas loucuras, Ari (Jeremy Piven) debate-se com os seus próprios problemas. As ameaças de Amanda estão bastante presentes e deixam este normalmente impassível agente assustado. Só assim se explica a forma como vai tentar fazer as pazes com Lizzie (Autumn Reeser), e como aceita arranjar-lhe um novo emprego junto de velhos conhecidos. É bom ver que, mesmo assustado, Ari não deixa de ser Ari, como podemos constatar na cena com Danna, e que a sinceridade, quando é necessária, também dá um ar da sua graça, como vimos na conversa franca que tem com Lizzie no restaurante. Infelizmente para Ari, desta vez as coisas não lhe correm de feição, e o escândalo que este tanto queria evitar acaba por chegar aos jornais, prometendo dar cabo não só dos seus negócios, como o indica a chamada dos patrões da NFL, mas também da sua vida pessoal. A ver vamos o que irá dizer a Mrs. Ari…
[starreview]
[starrater]
[table "71" not found /]




Blogue Sangue Fresco
Cinema Notebook
Sons of Anarchy Portugal






Curioso que a série ao longo destes 7 anos nunca tinha ido por este caminho das drogas duras e do álcool, claro que já houve altos e baixos mas nunca foram tão longe na queda… será que estamos a caminhar para o final da carreira do Vince? É curioso que isto acontece exactamente quando o Ari está mais afastado deles… e este também a ir ao fundo, parece-me que esta história é o mote para o final da série no próximo ano.
A cena do Ari a falar com a Lizzie sobre a família, foi brutal. Mostra porque é que o Jeremy Piven é tantas vezes nomeado pelo papel. Grande actor.