[SPOILERS] O Natal está a porta em “Mad Men”. Escolhem-se as árvores de Natal, organizam-se festas nas empresas, escrevem-se cartas ao Pai Natal, compram-se prendas para a família e amigos, fazem-se planos para juntar a família à mesa na consoada e revêem-se pessoas que já não há víamos há muito. Esta é a magia do Natal. Para alguns.
Comecemos pela Sterling Cooper, Draper, Pryce. As festas na agência são sempre uma animação. Quem não se lembra da anterior que marcou a despedida da Joan (Christina Hendricks) da Sterling and Cooper e o incidente com o tractor que amputou o pé ao próximo-que-nunca-chegou-a-ser gestor da empresa? Desta vez a festa tinha que ser de arromba pois Lee Garner Jr (Darren Pettie) iria estar presente. No entanto, desta vez, não houve assim tantos momentos de comédia (apesar de termos sido presenteados com uma belíssima conga liderada pela estonteante Joan). A festa apenas “serviu” para demonstrar o poder que a Lucky Strike e Lee têm, chegando mesmo a obrigar o Sterling (John Slattery) a vestir-se de Pai Natal numa cena algo humilhante para o um dos donos da empresa. Este é, igualmente, uma prova do quão Roger está mudado. Quem diria que o bon vivant, fanfarrão e mulherengo iria vestir-se de pai Natal e deixar os seus empregados sentaram-se ao seu colo?
Outra das personagens que promete roubar todas as atenções esta temporada é a pequena Sally (Kiernan Shipka). Como vimos nos episódios anteriores não tem sido fácil aceitar a ausência do pai na família. Um divórcio nunca é fácil para os mais pequenos mas, mais uma vez, Betty (January Jones) não parece estar a gerir o processo de uma adaptação da melhor forma. Se para mim foi estranho ouvir um “Francis Residence” como será para uma miúda com poucos pares de anos? Aquela era e continua a ser a casa dos Draper e isso não mudará. Querer construir uma nova vida e uma nova família num lugar que, a todos, relembra o passado só torna o processo mais doloroso. E quer me parecer que a amizade de Sally com o Glen também não trará nada de bom. (uma curiosidade o miúdo que faz de Glen, Marten Holden Weiner, é filho do criador da série, Matthew Weiner).
Peggy é uma das minhas personagens preferidas. Pela sua complexidade e, sobretudo pela sua evolução. Passadas três temporadas temos agora uma mulher muito mais decidida profissionalmente, mais confiante e assertiva. Mas no lado mais pessoal as coisas já não vão tão bem. Para quem conhece a personagem e os seus envolvimentos com Pete (Vincent Kartheiser) e Duck, torna-se claro que a recusa em entrar intimidades com o seu namorado é sinal evidente que ela não gosta do (insípido) Mark. Porque namorará com ele então? Porque não quer estar sozinha e porque ele nunca a deixará, tal como ela confidencia a um regressado Fred Rumsen (Joel Murray). A confiança transbordante a nível profissional camufla assim uma auto-estima parca que se reflecte na sua insegurança e no medo da solidão. Grande, grande personagem!
E o que dizer de Don? (Jon Hamm) No início do episódio quando vemos a interacção com a secretária pensei mesmo que estaria ali uma relação estável, agradável e de confiança. Afinal a rapariga tinha-se esforçado e até Don achava que ele merecia um bónus, nem que fosse ele a pagar. No entanto, o protagonista continua com o seu comportamento intempestivo, bebendo cada vez mais, disfarçando cada vez pior o seu mau-estar em algumas circunstâncias e usando o sexo como forma de ultrapassar a dor com todas as mulheres que lhe dão alguma atenção. Até ao momento, todas têm recusado os seus avanços mas a pobre secretária, talvez por ter uma certa crush pelo patrão, acaba por retribuir. E é aí que Don volta a bater no fundo, dando–lhe o bónus no dia seguinte e mudando totalmente a perspectiva do motivo daquele dinheiro. Donald Draper nunca foi uma personagem fácil mas neste episódio conseguiu ultrapassar a sua imoralidade. Veremos até onde irá.
O Natal é, de facto, uma época doce e de partilha. Mas é também um dia triste para uma filha que queria ver o pai no dia de Natal e não pode, ou para um pai que não pode receber das mãos das filhas a carta do Pai Natal. É um época onde reina o amor e amizade mas também onde se sente a frustração de viver uma relação apenas por comodismo. É uma época de altruísmo e de abnegação mas também onde percebemos o quão pouco dignos podemos ser. O Natal é também uma época de histórias com um final feliz mas “Mad Men” oferece-nos um dos mais secos, tristes e amargos retratos de Natal de sempre.
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Não foi um dos meus episódios preferidos mas é sempre engraçado ver as festas de mad men ( pelo menos aqui podem oferecer maços de cigarros sem sofrerem com o politicamente correcto).
O melhor:sterling vestido de pai natal
O pior:a vida pessoal da peggy
P.s: o glen dá-me arrepios
finalmente posts sobre mad men!
continuem as boas criticas!
À excepção das engraçadas danças na festa da Agência foi sem dúvida um Natal bastante triste.
Gostei especial do rumo que estão a dar ao Glen, de rapazito problemático.
Grande episódio e uma óptima crítica.
Btw, a maneira como escreveste o último parágrafo fez-me lembrar os monólogos da Mary Alice no final dos episódios de Desperate Housewives. Está muito bom!
Grande Ramos,
Sempre foi das coisas que mais gostei em DH!
Essa comparação com os monologos da Mary Alice deixa-me bastante orgulhoso!
Obrigado!