[SPOILERS] O título prometia-nos boas notícias. No entanto, como aprendemos ao longo de três temporadas em “Mad Men,” as aparências iludem. Que o digam Don, Lane e Joan os protagonistas deste episódio.
Antes de entrarmos em mais pormenores permitam-me uma adenda. Os elogios, quase ímpares actualmente, a “Mad Men” devem-se a vários factores: qualidade técnica, fortes personagens e respectivos desempenhos e o equilíbrio entre as campanhas dos clientes e a evolução das personagens. Porém, por mais que os briefings e os brainstorming’s da equipa de Don me encantem (até porque estou, de certa forma, ligado a esta área, profissionalmente) são as personagens que me fascinam e os episódios, como este, em que conseguem fundir a trama com o desenvolvimento dos protagonistas tornam-se especialmente impactantes. Aliás, esta quarta temporada tem sido fértil na exploração desse caminho – primeiro as pessoas e depois a publicidade – o que augura uma arrebatadora viagem.
“I know everything about you, and I still love you.”
Com apenas uma frase, Anna Draper (uma fantástica Melinda Page Hamilton) resume tudo aquilo que Dick Whitman desejava que Betty tivesse dito quando ele finalmente lhe revelou a verdade.
Anna sempre foi o porto seguro de Don. Ela é o “local” onde ele vai quando precisa encontrar um caminho. É aqui que as defesas caiem e que emerge o verdadeiro Dick. Não é por acaso que quando a acção muda para Los Angeles, a música fica mais harmoniosa e alegre e os tons quase sempre saturados e escuros dão a lugar a cores mais fortes e vivas. Anna é das poucas coisas verdadeiras que Dick tem e isso nota-se na sua postura descontraída e no seu sorriso aberto.
No entanto, tal como tinha referido subtilmente em cima, as noticias não são assim tão boas. Tal como a sua família, Don vai perder Anna. E, com ela, Don irá perder os últimos vestígios de Dick. Morrendo Anna, “morre” também, e definitivamente, o passado de Don enquanto Dick. E é isso exactamente que o protagonista parece entender quando se despede de Anna, em mais um momento extraordinário de Jon Hamm. E no meio de personagens tão cínicas e frias sentiremos falta da sorridente, genuína e calorosa Anne.
Regressado a Nova Iorque, Don faz uma parelha inesperada na passagem de ano: Lane (Jared Harris). No final da temporada passada, e por muito que tenha adorado o episódio, fiquei com a sensação que a ida de Lane para a nova agência era algo estranho, uma vez que o tempo que lhe foi dedicado nunca antevia tal destaque. Até este episódio. A noite de Don e Lane de bebida, comida, cinema e prostitutas (que parece, cada vez mais, ser o antídoto de Don para o seu estado depressivo) serviram para mostrar mais um pouco da personagem. Com o casamento em risco por causa da agência, Lane conquistou-me pelo seu estilo british e pelo seu desconhecido bom humor (se bem que é devemos dividir as responsabilidades com o álcool).
E o que dizer da Joan (Christina Hendricks)? De bomba sexual a uma das personagens mais carismáticas da série, o seu percurso tem sido astronómico quer em termos de importância quer ao nível do impacte (a vários níveis) e empatia que gera no espectador. E se a ausência na última temporada foi justificada pelo seu regresso triunfal no final, desta vez os argumentistas parecem ter decidido dar mais protagonismo a uma das maiores personagens na série que, tal como Don e Lane, vê os seus planos de vida algo alterados. Razão? O bronco do marido que queria ser cirurgião e agora tornou-se médico do exercito. Este não era a vida que Joan queria e, sobretudo, não está com o tipo de homem que queria estar. É notória a falta de confiança dela na competência do marido quando ele lhe tenta coser a mão assim como se sente a sua frustração quando ele começa a falar com ela como se tivesse a falar com uma criança. Não é assim que Joan merece ser tratada (como se constata na fantástica cena da troca das flores) ! Honestamente, espero que Greg (Greg Harris)vá para o Vietname e não volte tão cedo (ou não volte, de todo).
Mais um episódio de “Mad Men” e mais uma demonstração da qualidade desta série. Fiquei apenas com pena de não termos vistos Peter (Vincent Kartheiser), Peggy (Elisabeth Moss) ou Sterling (John Slattery) mas tenho a certeza que terão o seu tempo de antena nos episódios futuros.
Alright gentlemen, shall we begin 1965?
Estamos ansiosos!
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Impressionante!
Momentos emocionates com Don e Anna e momentos hilariantes com um surpreendente Lane, fizeram deste episódio um dos melhores da série!
Existe melhor forma de passar 50 minutos? Obvio… Mas que ver Mad Men é mais que entretenimento. É algo diferente e especial, disso nao há dúvida.
P.S. Boa crítica PR :cool2:
É verdade, foi realmente impressionante e percebo quando dizes que ver Mad Men é “especial”. Aliás, só quem vé é que entende!
ps – thanks
Adorei este episódio. Foi fantástico.
Primeiro tivemos muita Joan. Estou curioso para ver o que vai acontecer quando o marido dela for para o Vietname (se chegar a ir, mas eu acredito que sim). No início ela andava a volta de homens mais velhos com poder, mas depois o Cooper aconselha-a, dizendo “Don’t waste your youth on age” e ela arranja este marido que certamente não a faz feliz.
A cena da troca das flores foi também muito boa.
O Don e o Lane foi muito bom, gostei especialmente deles no cinema.
A parte do Don com a Anna, sem nunca entrar em choros ou dramas, consegue ser muito triste. Ela era sem dúvida um “porto de abrigo”, no qual ele podia ser ele mesmo. É muito interessante a forma como a série nos mete a pensar, será que ele foi justo ao não lhe contar a verdade? Será que ele ainda a vai ver antes dela morrer? Bom, realmente é uma pena perdermos esta personagem tão interessante. Mas não acredito que o “Dick” morra aqui, ainda há passado do Don que desconhecemos e ele até estabeleceu uma relação com a sobrinha da Anna (que também o conhece como Dick).
Como dizes só faltou ver um bocadinho também das outras personagens.
:4meio:
“gostei especialmente deles no cinema.”
o que eu ri com essa cena!!
Gostei muito do duo Don/ Lane e Don/Ana. A minha cena preferida (não sei porque): foi quando o bronco do marido suturou a joana.
A Christina Hendricks nessa cena está arrebatadora!
Um episódio muito bom, seguindo um pouco com a melancolia do Natal.
Gostei de ficar a conhecer o Lane Pryce, para mim ele ainda era pouco mais que um dos vilões da 1ª Temporada de Fringe. :rotf:
Quando a Anna apareceu tive de ir investigar para saber quem ela era, porque ainda tou um pouco atrasado com as temporadas 2 e 3. O Don teve ali uma decisão bem difícil para tomar, fiquei mesmo a pensar o que faria eu no lugar dele e o que preferiria, se estivesse no lugar da Anna.
Por último tive pena da Joan, realmente ela está muito mudada face à primeira temporada: agora além de ser competente no trabalho também é uma dona de casa esforçada mas muito frustrada com o marido.
Já agora, ouve ali um pequeno lapso com o Greg: no link do nome do actor meteste o nome da personagem. Só reparei porque reconheci o Sam Page de Desperate Housewives.
Excelente crítica!
Não leio nada para não apanhar com spoilers, mas fico satisfeito por ver que os episódios continuam a agradar. Acabei ontem a 1ª temporada e não podia estar mais rendido à qualidade da série. Vou começar hoje com a 2ª season.