[SPOILERS] O maior inimigo de “Rubicon” será o ritmo da sua narrativa. Claramente que quem escreve esta série não tem intenções de o fazer com grandes pressas (já dizia o outro que a pressa é inimiga da perfeição), preferindo expor cautelosamente a história e deixar o espectador ir absorvendo-a sem grandes comoções. E, quando assim é, torna-se necessário que os restantes elementos sejam bem explorados o suficiente para que consigam de alguma forma suprimir a falta de ritmo. No caso de “Rubicon”, são dois os elementos que a história apresenta que podem ou não permitir continuar a deixar interessados aqueles que decidiram ver a série: a forma como o mistério é exposto e como se desenrola, e a exploração dos personagens. Se se conseguir gostar da forma como estes dois elementos são apresentados, então não haverá grandes dificuldades em suportar o ritmo lento da narrativa. Caso contrário, pode ser uma série que realmente se torne insuportável ou, pelo menos, dispensável. De certa forma, acredito que algo semelhante se passe com “Mad Men”. Quem consegue ver mais-valias na escrita, nas interpretações, nos personagens e no retrato de época não liga ao ritmo narrativo muito característico que a série tem. Quem não consegue ver nessas características motivos de interesse suficiente para continuar a regressar à série episódio após episódio, então é fácil de prever que se desista da mesma poucos episódios depois.
Da minha parte, não tenho problemas com o ritmo de “Rubicon” pois estou satisfeito com a forma como a série tem apresentado o seu mistério e os seus personagens. E este segundo episódio proporcionou bastante de ambos para remoermos até ao próximo.
Mistério: Will (James Badge Dale) continua suspeito da morte do seu sogro, David, e decide continuar a investigar as mensagens secretas que têm surgido nas palavras cruzadas. Descobre que as mesmas são um “go code”, um código de execução de uma determinada tarefa (descobre, por exemplo, que um desses códigos surgiu dias após um ataque terrorista protagonizado pelo Hezbollah e dias antes de quatro homens suspeitos de serem líderes dessa mesma organização palestiniana, bem como dois homens suspeitos de a financiarem, tenham desaparecido ou sido assassinados) criado pelo Ed Bancroft (Roger Robinson), nos anos 80, a pedido do próprio David e mais algumas pessoas. A sua persistência na investigação leva a que seja seguido por vários homens a mando de alguém.
Neste segundo episódio, entra também em jogo a personagem da Miranda Richardson, que interpreta a viúva do homem que se suicidou no início da série e que parece estar intrinsecamente ligado ao mistério das palavras cruzadas. Resta saber que papel concreto terá a personagem nesta história. Para já, parece ser o de ela própria conduzir uma investigação paralela à principal de modo a descobrir quem afinal era, na realidade, o seu marido. Espero que a série consiga dar material de qualidade à actriz, que se o tiver em mãos não tenho dúvidas que não o desperdiçará.
Personagens: Em termos de exploração e desenvolvimento de personagens, o espectro de incidência deste episódio alarga-se por todo o elenco. O Will tem de lidar com a pressão do seu novo cargo. A Maggie (Jessica Collins) anda a espiar a equipa de Will para reportar ao Kale (Arliss Howard). O Grant (Christopher Evan Welch) tem inveja de que o Will tenha ficado com a posição do David e mostra-se pouco produtivo e desinteressado. O Miles (Dallas Roberts) está algo conturbado com o facto de que a informação que eles recolhem muitas vezes cair em saco roto (mas dá a entender que exista por ali também um qualquer problema a nível conjugal ou familiar). A Tanya (Lauren Hodges) mostra sinais de ter um problema de abuso de álcool. E conhecemos mesmo aquele que será o chefe da organização, Truxton Spangler (Michael Cristofer). É um segundo episódio bastante recheado em termos de estabelecer storylines para cada um dos personagens e que certamente irão sendo abordadas ao longo da temporada.
“The First Day of School” não desilude e mantém o que o episódio-piloto prometia. Não é série para toda a gente, certamente, mas para quem gosta de thrillers de conspiração dos anos 70/80, não ficará desiludido com “Rubicon”. Apenas terá de esperar um bocadinho mais que o normal para ter o pay-off.
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Tal como tu também não tenho problemas com o ritmo da série, pelo menos para já em que o resto consegue cativar aqueles que se interessam neste tipo de temas.
Ainda está tudo muito verde com as histórias ainda no inicio, mas já existem coisas interessantes e personagens misteriosas capazes de nos captar a atenção. Vamos ver até onde a série poderá chegar e se terá tempo para isso.
Adoro este tipo de histórias por isso até agora tenho seguido com muito interesse esta série, o facto da narrativa ser lenta não é problema para mim.
Rubicon continua a dar-me, após 3 episódios, a sensação de que estou a ver um filme e não uma série. É estranho.
Mas palpita-me que daqui a uns episódios tudo irá ficar mais claro.
A diferença entre esta série e Mad Men a nível do ritmo é que aqui exploram mais o ambiente da cidade, o sombrio e os movimentos, coisa que por vezes em Mad Men é complicado devido ao facto de ser de época. Depois Rubicon contrasta com os ambientes claustrofóbicos das casas e dos gabinetes e os espaços amplos como aquela enorme sala de reunião fria e a própria cidade em tons de sépia.
O ritmo não me faz grande confusão, a história é envolvente e a qualidade da produção é evidente. É fácil ficar absorvido por toda aquela atmosfera e todos os pormenores presentes em cada cena e em cada movimento.
Quanto à história ela desenvolve-se passo a passo, vamos conhecendo aos poucos cada personagem e qual o seu papel, estou curioso onde se irá cruzar as duas investigações paralelas.
Para continuar a ver.
Concordo plenamente contigo.
Já vi 2 eps. e até ao momento estou a gostar.
Não tenho absolutamente problema nenhum com a lentidão da história, desde que tenha qualidade.
É para continuar a ver…