Castle: 3×01 – A Deadly Affair (ABC)

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[SPOILERS] Depois de um longo hiato, Castle está de volta. Existe algo de reconfortante neste regresso, como se o escritor já fizesse parte do nosso quotidiano. Alguém de quem se sente falta, na sua ausência, com a ansiedade a minar-nos, de quando em vez, perante a eminência da sua volta. E a exultação, após a chegada. Rick Castle  (Nathan Fillion) tornou-se um rosto familiar, nos dois últimos anos, uma espécie de parente afastado, algo excêntrico, mas que nos vai seduzindo, com o seu humor corrosivo, a sua pose de bonacheirão herói e o seu platónico amor pela musa inspirado, que ganhou forma nas páginas de um livro.

O final da segunda temporada tinha-nos deixado num anti-clímax. A partida de Rick, para um Verão nos Hamptons, com a sua ex-esposa, esfriando a intenção declarada de Kate (Stana Katic) assumir os seus sentimentos. Que parece continuar, nos primeiros minutos…

Tudo parece imutável, na esquadra. O habitual dia de trabalho, com as costumeiras tropelias de Esposito (Jon Huertas) e Ryan (Seamus Deaver) miúdos em corpos de adultos, mantidos sob rédea curta de Kate. Não falta, inclusive, o crime da praxe. Mas o ambiente está mais soturno. Uma melancolia adorna os rostos da outrora vivaça equipa de investigação. Castle, que se despediu com um lacónico “see you in the fall”, não regressou, nem deixou notícias. Algo parece ter sido extirpado do núcleo, sugando a energia positiva sustentada em amizades genuínas.

O crime: A cidade que nunca dorme já viu de tudo. Desta feita, um corpo voador, ao estilo de Greg Louganis, aterrando junto ao solo, depois de baleado. Chloe Whitman, professora, aparentando uma vida inócua, mas com alguns segredos escondidos. Guardado numa das mãos, dedos férreos protegendo um pedaço de papel, está a 1ª pista. Um endereço. Que é a porta de entrada para uma situação que roça o nonsense. Num apartamento com evidentes sinais de ter sido vasculhado, alguém é encontrado com uma arma na mão e um cadáver na cama. Senhoras e Senhores, eis a chegada de Rick Castle ao episódio. Com estrondo. E do outro lado da lei. “Richard Castle, you’re under arrest for murder” é a frase mais estranha que já foi proferida na série.

Primeiros 7 minutos do episódio e temos o mundo do avesso. Bom início. É algo recorrente dizer que Castle é uma série “light”. Um procedural que procura a distinção pela empatia que as personagens criam, pelo humor debitado. Mas tem igualmente outro mérito. Surpreende, com regularidade. E um exemplo perfeito disso é vermos Rick do outro lado da mesa, na sala de interrogatório.

You look good”, diz Castle, sorriso sincero decorando as feições.

So do you. For murder”!. Riposta Kate. Auch. O interrogatório parece mais um duelo, um acerto de contas por ressentimentos algo recalcados.

Percebe-se, claro, que existia um motivo para Castle personificar a velha máxima do estar “no sítio errado, à hora errada”. A rapariga morta – uma escultora, chamada Maya – conhecia profissionalmente Rick, um comprador das suas criações. Ao pedido de ajuda desta, arvorado em paladino, Rick depara com o cadáver, sendo surpreendido pela entrada intempestiva dos seus antigos colegas na luta contra o crime. E pronto, explicada a confusão, tudo poderia voltar ao normal. Mas a ausência de Castle, sem qualquer justificação, provocou uma aparente fractura com os antigos amigos. Rick vê-se excluído do restrito grupo, ostracizado por todos aqueles com quem anteriormente convivia.

A investigação continua, sem as teorias rebuscadas e imaginativas de Rick. Que conexão poderá existir entre os dois crimes? Duas mulheres, que não se conheciam, vivendo em locais distintos e com círculos sociais diferentes, mortas pela mesma arma. O esquema da série, já se sabe, não varia. Nem inventa. É nesta fase que são introduzidos os suspeitos. O mais promissor dá pelo nome de Tom. Já bastava ter telefonado, a ambas as vítimas, antes da morte destas, para o tornar no presumível perpetrador das mortes. Mas o longo cadastro que possui acentua ainda mais a certeza de que o caso poderá estar perto do desfecho. Há apenas um problema. Aliás, bem vistas as coisas, dois. O primeiro é que Tom está como as vítimas. Morto. O segundo é a sensação de déjà vu. Junto ao corpo do mais recente cadáver está Rick. Outra vez???

Investigação de regresso à estaca zero. Com, pelo menos, uma adição. Rick e as suas estrambólicas teorias. Não servem de grande coisa, mas sempre provocam um sorriso de indulgência ao mais sisudo espectador (existe uma que nos remete, de imediato, para o universo de Breaking Bad, com a professora de química a produzir…metanfetaminas). Finalmente, as peças começam a encaixar, depois de analisados os extractos das vítimas. Todos trabalhavam num clube nocturno, local de performances burlescas. Três desafortunados da vida que estabelecem um pacto: enriquecer ilicitamente. Aproveitando as habilidades profissionais de cada um, enveredam pela falsificação de dinheiro. Falta apenas descobrir o 4º elemento do grupo e caso encerrado. A dona do clube, Kitty Canary (Lisa 0′Hare), e o seu namorado tornam-se os primeiros criminosos da nova temporada. Rick ainda tem tempo para praticar a acção benemérita, salvando a sua donzela preferida de ser alvejada a tiro.

Ah, para finalizar, Castle volta a entrar na esquadra, com dois copos de café na mão. Pode parecer um pormenor inócuo, mas significa que continuará (e alguma vez existiu qualquer dúvida?) a auxiliar Kate nas investigações. Tinha sido esse o mote de uma aposta peculiar: quem desvendasse o sucedido teria o privilégio da escolha. Kate, vencendo, colocaria um ponto final na relação profissional entre ambos. Rick, vencendo, continuaria a parceria.

O Melhor: O paralelismo entre a situação de Rick e Kate e a de Alexis (Molly C.Quinn) com um potencial namorado de Verão. Rick recebe, em menos de um minuto, uma série de conselhos producentes sobre relacionamentos, coisa em que ele parece totalmente inábil.

O incómodo que Castle sente, ao procurar reatar os antigos laços com Ryan, Esposito e Kate, que o deixam várias vezes desconfortável, provocando algumas boas cenas.

O Pior: O atestado de maus profissionais que é passado, implicitamente, a Esposito e Ryan. Então é a eles – e a Kate – que cabe a tarefa de analisar o local do crime da 2ª vítima e deixam passar pistas – importantes – que são encontradas, na posterior investigação de Rick (mancha de sangue encontrada no apartamento de Maya). Não havia necessidade…

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5 Respostas para “Castle: 3×01 – A Deadly Affair (ABC)” Subscribe

  1. Blulrich 25/09/2010 às 17:56 #

    Nossa, ótimo episódio de estréia. Eu decidi assistir Firefly durante esse hiato e toda hora eu me lembrava de Castle, em parte desejando que Firefly pudesse voltar, e em parte contando os dias pra Castle voltar.
    O caso foi bem mediano, mas o que vale a pena nesse tipo de série são as relações entre os personagens, especialmente quando cai pra comédia (tanto que um dos meus episódios preferidos é um em que a Backett pergunta pro Ryan e pro Esposito qual dos Jonas Brothers é mais legal, e eles ainda respodem que é o Nick). Se o caso é bom, é um bônus.
    Na segunda vez que os detetives encontraram o Castle na cena do crime, eu ri tanto! Só isso e a parte final já fez o episódio valer a pena. Mas todo o resto também não deixou a desejar.

    • Paulo Pereira 25/09/2010 às 19:18 #

      Foi um bom episódio para estrear a 3ª temporada. Por acaso até achei este caso mais bem engendrado do que e maioria das vezes. O uso das especificidades de cada um dos elementos, para se tornarem falsários, foi bem conseguida. Mas, como dizes, a série nem usa os casos como arma principal. São apenas um pretexto para colocar as personagens em interacção.

      Aguardemos pelo que aí vem…

    • carolinafs 25/09/2010 às 20:10 #

      Aconteceu-me a mesma coisa, também vi Firefly agora no verão! Adorei o episódio, acho que foi uma boa maneira de voltar a juntar a equipa. A Beckett estava com ar mesmo deprimido, estava a precisar de um abraço coitada.

  2. Cláudia 04/10/2010 às 11:58 #

    Gostei muito e comecei-me a rir quando ele foi encontrado no segundo local de crime. Foi um tempo bem passado!

    • Paulo Pereira 04/10/2010 às 13:06 #

      Geralmente, os episódios de Castle têm esse mérito: apesar de despretensiosos, permitem 45 minutos de diversão e entretenimento. Muitas vezes, é o que basta, depois de um dia de trabalho.

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