[SPOILERS] Nova semana, novo episódio, nova demonstração de que “Rubicon” se tem conseguido estabelecer como um belo exemplo de storytelling à semelhança das suas companheiras de canal, “Breaking Bad” e “Mad Men”. Tudo bem que não é tão empolgante, não é tão bem escrita e não tem à sua disposição um elenco tão forte como as outras, além de que não conseguiu agarrar grande parte da sua audiência inicial, mas aqueles que realmente conseguiu ir mantendo quase de certeza que, pelo menos a grande maioria, se encontram bastante satisfeitos por não terem decidido abandonar a série logo ao fim de dois ou três episódios. Sim, é verdade que o ritmo dos desenvolvimentos continua a ser a conta gotas mas para quem já está envolto nesta forma da série contar a sua história esse é um pormenor que tem, cada vez mais, menos importância.
“Caught in the Suck“, à semelhança de episódios anteriores, continua a dividir-se em três storylines, se bem que duas são diferentes espectros da mesma história: o Will (James Badge Dale) e o Kale Ingram (Arliss Howard) vão imiscuindo-se cada vez mais na sua investigação da morte do David Hadas, da conspiração envolvendo o director da API, Truxton Spangler (Michael Cristofer), e a Atlas McDowell ; por sua vez, permitem-nos um novo vislumbre sobre a actividade deste grupo de homens poderosos, desta feita através do amigo da família Rhumor, James Wheeler (David Rasche); e temos ainda a continuação da exploração dos procedimentos da API bem como a exploração pessoal dos personagens secundários.
A dinâmica Will/Kale, aqui com o Ed (Roger Robinson) e a Maggie (Jessica Collins) à mistura, trouxe a storyline da conspiração a um outro nível. Primeiro, porque é muito difícil compreender as verdadeiras motivações do Kale nisto tudo e é essa ambiguidade que traz um maior apelo ao seu personagem. Depois, porque claramente ele sabe jogar este jogo, colocando as três peças (Will/Ed/Maggie) completamente ao seu dispor. E estando ele a jogar do lado que estiver, uma coisa é certa: o Will hoje sabe muito mais sobre todos os elementos que circundam a misteriosa morte do David Hadas graças a ele (neste episódio descobre que a Atlas McDowell emprega vários homens que outrora tiveram altos cargos governamentais).
A storyline que envolve o James Wheeler surge aqui como se nos estivessem a sugerir que a mesma será um guia para como a Atlas McDowell lida com os seus “problemas” internos. Vimo-lo a levantar ondas sobre situações de conflito em países do terceiro mundo, concretamente na Nigéria, onde estes homens mostram ter interesse em explorar essas situações, e a tentar proteger a Katherine Rhumor (Miranda Richardson), tentando convencê-los que ela deixou de ser um problema, e, quase de imediato, este homem começa a ser vigiado. Não me admirava que, daqui a uns episódios, ele fosse a mais recente vítima de “suicídio”.
Mas a storyline que mais me apelou neste episódio foi claramente a dedicada à Tanya (Lauren Hodges), ao Miles (Dallas Roberts) e à sua investigação, a qual tem feito parte da série desde o início e se tem desenrolado paralelamente à conspiração (se alguma vez terão ligação, não sei, mas, para já, e apesar de serem aparentemente dissociáveis, ambas as storylines têm conseguido conciliar-se bastante bem e não têm colocado em causa a coesão dos episódios). Após, há uns episódios atrás, a API, através da equipa do Will, ter dado o aval para bombardear um local de forma a eliminar um terrorista, a CIA coloca agora em causa que esse terrorista tenha morrido no ataque. Capturou alguém que pensa saber o verdadeiro paradeiro desse mesmo terrorista mas precisa de pessoas que tenham em sua posse informações suficientes para saberem se o que ele lhes diz sob tortura é realmente verdade. E, para isso, recrutam, contra vontade destes, a Tanya e o Miles. Ambos são levados para um local remoto e são sujeitos à agonia do homem que está a ser torturado e aqui acabam por confrontar os seus próprios problemas pessoais, expondo-os pela primeira vez a alguém com quem lidam diariamente. A Tanya que enfrenta o seu problema com drogas e um risco de despedimento devido ao teste de despistagem a que foi sujeita e o Miles que admite definitivamente que a sua família está quebrada. O que resulta bastante bem desta storyline é precisamente a forma como, mais uma vez, a série explora o facto de que existem estas pessoas, que são tão comuns como tantas outras, que são colocadas sob extrema pressão em tomar decisões que vão afectar vidas humanas e que isso acaba por ter um impacto bastante mais forte nas suas próprias vidas do que inicialmente eles certamente imaginariam. É este lado humano e de que os actos realmente têm consequências que muitas vezes faltam em outras séries que lidam com espionagem, onde o que interessa é que os maus da fita foram capturados ou mortos, mas as repercussões de tudo o que aconteceu durante o processo são esquecidas.
“Rubicon” continua a não ser, e certamente nunca será, uma série muito apelativa à geração fast-food, onde o que importa é a adrenalina e não o conteúdo. Da minha parte, só tenho uma coisa a dizer: ainda bem que assim é.
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Devagar se vai ao longe e a série tem mostrado isso mesmo. A cada episódio que passa vamos conhecendo melhor as personagens o seu trabalho e tudo aquilo que têm em mãos quando tem de tomar decisões que muitas pessoas nem imaginam.
Também achei que a melhor parte foi mesmo a do Miles e da Tanya e toda esta investigação está a ser conduzida de uma forma bem interessante. Toda a situação onde se encontram não ser o que parecia à partida também foi uma boa surpresa.
Eles que continuem assim, que tal como tu, estou a gostar.
Mesmo a passos lentos, Rubicon consegue fazer ótimos episódios, sem deixar de lado seu tema principal. Claro que com essa situação o caminho era se focar nos personagens, e a série faz isso muito bem.
:4meio:
Muito boa review.
A série está cada vez melhor ao seu ritmo lento mas necessário.
Uma das séries que vejo com maior ansiedade.
Excelente!
Desistiram da série?
É triste.
Não. Ninguém desistiu da série.
Oh. Ok… :what1:
A questão é que quem acompanha a série sou eu. E quem gere o site sou eu. E mesmo tendo a preciosa ajuda de muita boa gente, isto dá imenso trabalho e com tanta coisa para fazer, especialmente acompanhar quase todos os episódios-piloto das novas séries e escrever sobre eles, Rubicon atrasou-se. Mas vou tentar meter isto em dia o mais rápido que consiga. E depois vou tentar escrever sobre os episódios que faltam assim que os mesmos saírem.
Obrigado pelo interesse.
Excelente episódio e concordo com tudo o que disseste na tua review, esta série é boa e recomenda-se.
Muito bom. Mais um episódio muito bom. Tenho mesmo muita pena que a série se fique apenas por uma temporada, pois teria aqui pano para mangas. Ou, pelo menos, mais uma temporada.
Não gostava nada da Tanya, de início, e o mesmo o Myles me irritava um bocado, mas lentamente os dois foram caindo nas minhas boas graças, de tal forma que um episódio dedicado, em grande parte, a eles, manteve a grande qualidade a que a série nos tem habituado.