[SPOILERS] O episódio desta semana, um pouco no seguimento do que tem vindo a ser a temporada – uma versão renovada, com uma nova energia, da série -, mostrou os Walkers nas suas várias tentativas de parecerem algo que não são. Por muito que se deseje pôr tudo para trás das costas e recomeçar do zero, ignorar os amores, as preocupações, as tristezas passadas, isso simplesmente não é possível de concretizar.
Jack: It’s like they’re so busy climbing that ladder, they’re missing out on everything else… the simple things, you know? Before you know it, another beautiful day has come and gone and they haven’t even noticed.
Kitty (Calista Flockhart) é o exemplo mais expressivo. A recente morte do marido deixou-a perturbada, perdida e confusa ao ponto de se deixar absorver pela pacífica vida de campo da Ojai. Algo que até há pouco tempo atrás pareceria impossível vindo de Kitty, neste momento faz todo o sentido e proporciona cenas muito bem conseguidas. Também muito pouco provável até há pouco tempo seria Kitty algum dia vir a apaixonar-se por um homem humilde como Jack Randall (Jeremy Davidson). Apesar de achar que se estão a precipitar com a introdução de um novo interesse amoroso para a personagem, a verdade é que Jack, sendo tão diferente de Robert, pode vir a ser a pessoa ideal para o “substituir” no coração de Kitty. O começo da relação ocorreu da melhor maneira. Kitty finge ser outra pessoa (acredito que, neste momento, seja exactamente esse um dos seus maiores desejos): Leslie Culpepper, uma mulher comum, tradicional, que faz soufflés como ninguém. O passado, no entanto, como já disse no começo da crítica, volta sempre para nos atormentar e, tratando-se isto de uma série de televisão, ainda bem. A mentira e posterior revelação deram-nos cenas bem engraçadas (destaque para Kevin (Matthew Rhys) e o seu sotaque à bimbo), prenunciando o começo de uma bela relação.
Nora (Sally Field) e Sarah (Rachel Griffiths), mãe e filha mais velha, sentem-se incomodadas com a figura que o espelho lhes devolve. Nora devido a alguns problemas no trabalho e Sarah porque, descobrimos, tem vindo a mentir a Luc (Gilles Marini) sobre a sua idade desde o começo da relação. As duas decidem, então, consultar um cirurgião plástico, o que, uma vez descoberto pelo resto da família, é escrutinado e divulgado ao máximo, para constrangimento de Nora, sobretudo. É um prazer ver a rapidez com que a informação é transmitida no seio daquela família, principalmente quando se trata de um segredo, quer através do telemóvel ou de um denunciador bolo de aniversário. A química dos actores e a forma como interagem é de facto extraordinária e contribui imenso para a sensação de autenticidade que a série transmite ao retratar uma família americana. Voltando ao tópico: tudo no fim é posto em pratos limpos, concluindo-se com um discurso que não só resume perfeitamente a minha opinião sobre o assunto, como mostra uma Nora em conformidade com o seu passado, orgulhosa do que viveu (o bom e o mau): “And why is it, Zoe, because I’m 63 years old and look every blessed day of it? Well, I’m just fine with that, because every baby I ever had, every kiss I gave or got, every tear, every glass of wine, is right here on my face. I own it. It’s who I am. And I don’t want to be somebody else”.
Holly (Patricia Wettig), ainda que inconscientemente, também é outra pessoa. Rebecca (Emily VanCamp) dá o ar das suas graças e visita a mãe, convencida pelo pai de que Justin (Dave Annable) a teria feito lembrar que tem uma filha. Holly, contudo, não a reconhece e ambas saem desgostosas do encontro. Rebecca parece ter seguido com a sua vida, sem Justin em mente. A ida de Justin para a guerra cavou um fosso enorme entre os dois, tão grande que os obrigou a oficializar a separação. Quando se reencontram, apesar de tudo, são incapazes de se afastar. Foi uma cena bonita, a do beijo, mas todos sabemos que os dois não têm futuro juntos. O desaparecimento de Holly, aposto, fará com que o percebam de uma vez por todas…
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Confesso que tenho pena que a relação da Rebecca e do Justin fique por aqui. Parece que não faz sentido, depois de todos os desentendimentos a que assistimos em temporadas anteriores, agora chegam oficialmente ao fim. É estranho…
Acho que o episódio de domingo foi muito mau! Não gostei quase nada, eu estou de boca aberta pois pergunto-me “Onde está o drama que a série sempre teve ???” :wall1:
Eu quero isto mais dramático.