Brothers & Sisters: 5×04 – A Righteous Kiss (ABC)

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[SPOILERS] Qual tragédia shakespeareana, este episódio de “Brothers & Sisters” fez-me sofrer. E muito. Ao ponto de me virem lágrimas aos olhos. Histórias mal aproveitadas, clichés para onde quer que se olhe e péssimos diálogos… Nunca um righteous kiss saiu tão ao lado (porra, nem as minhas metáforas aguentaram)!

Comecemos pela parte que realmente poderia ter proporcionado bons momentos de drama, mas simplesmente não conseguiu: a partida de Rebecca (Emily VanCamp). Até gostei da analogia com “Romeu e Julieta”, mas, no geral, a despedida da personagem ficou aquém das expectativas. O que me pareceu é que a prioridade era despachar o assunto o mais depressa possível, para que ninguém se apercebesse ou importasse realmente, e assim a melhor desculpa que encontraram foi tornar Rebecca na causa do agravamento do estado de Holly (Patricia Wettig). Aquele que era, inexplicavelmente, um dos casais com mais destaque nas últimas temporadas, terminou sem mais nem menos; aquele amor que sempre os unira, de repente deixou de ser suficiente. Passaram um ano separados, é facto, mas no universo da série, o desfecho de Justin (Dave Annable) e Rebecca merecia cenas bem mais marcantes.

Qual será o papel de Holly daqui em diante? Parece que a personagem, mesmo sem demonstrar sinais de melhoria, vai continuar na série. Sinceramente, não me consigo relacionar com a história. É muito pouco credível, muito novelesca. “Rebecca, if I told you all of that I truly must have loved you. But why don’t I feel that now?” – nesta parte, então, só consegui revirar os olhos.

E, já que estamos numa de diálogos descabidos, o que dizer da seguinte pérola?

Charlie: So, are you sure you wanna do this?
Saul: I’m positive. (pausa) I’m HIV positive, Charlie.

A sério?! É de lamentar a forma como estão a tratar o caso de Saul (Ron Rifkin). Arranjaram-lhe um pretendente, o Charlie (Stephen Collins), que, como bom gay que é, tem meias às risquinhas, sabe coser como ninguém, e até já teve um parceiro seropositivo, que morreu. Típico. Sabem aquelas cenas que nenhum casamento ficcional dispensa, com os convidados a contemplarem as suas caras-metades enquanto os noivos dizem os votos? Pois neste episódio ocorreu algo semelhante entre os dois, só que durante uma peça de teatro de Cooper (Maxwell Perry Cotton). Sem comentários…

Por falar nisso, não havia nada mais banal com que preencher o episódio? Peça de teatro de escolinha que corre pessimamente mal, com direito a birra porque a representação envolve um beijo na boca, a cenários a cair e o fantástico Luc (Gilles Marini), sempre ele, de t-shirt justa e suada, a acalmar os ânimos. Que enjoo. O que praticamente salvou esta storyline, para mim, foi o facto de eu próprio ter representado “Romeu e Julieta” na escola (era o Thibault, OK?) e o discurso desconcertante que Sarah (Rachel Griffiths) dirigiu às duas outras mães no final do episódio.

Por último, Kitty (Calista Flockhart), o seu novo interesse amoroso e a vida de campo em Ojai. Jack (Jeremy Davidson) parece extrair de Kitty uma personalidade por nós nunca antes vista. Está a ser interessante ver o florescer deste novo romance, ainda que, naturalmente, a sombra de Robert continue a pairar sobre a cabeça dos dois. Mas, francamente, como é que é possível alguém, em pleno século XXI, não ter telemóvel??

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Never forget who you are. The rest of the world will not. Wear it like an armor and it can never be used to hurt you (Tyrion, "Game of Thrones"). Eu no Twitter.

3 Respostas para “Brothers & Sisters: 5×04 – A Righteous Kiss (ABC)” Subscribe

  1. Rita 21/10/2010 às 17:42 #

    A série está a descambar a olhos vistos.

    • Duarte Faria 21/10/2010 às 17:55 #

      Por acaso não acho nada. Acho que desde que o David Marshall Grant tomou conta da série se voltou a ver novamente uma linha condutora, um explorar de novas histórias e não apenas uma repetição do mesmo. Acho que a série se está a renovar.
      Considero que este até foi um bom episódio. Não foi excelente mas esteve à altura.
      E estão reunidos os condimentos para termos uma boa temporada. As audiências estão bastante razoáveis, adivinham-se boas participações especiais, o 100.º episódio e o regresso do filho prodigo Tommy.

      • João Barreiros 21/10/2010 às 18:17 #

        Eu acho que eles até têm boas ideias, mas infelizmente não acho que as saibam aproveitar. A morte de Robert, por exemplo, poderia ter rendido momentos muito mais interessantes. Podiam ter mostrado as consequências imediatas do acidente durante alguns episódios e só depois fazer o salto temporal (uma medida necessária e bem-sucedida, na minha opinião).

        Gosto das mudanças, sim, mas dificilmente se pode dizer que as histórias sejam novas. Um outro pretendente para Kitty não é uma história nova, Justin e Rebecca separados não são uma história nova e muito menos o são as aventuras de Sarah e Luc. Histórias realmente novas são as de Holly e Saul, e enquanto a primeira não me agrada nem um bocadinho, a segunda está a ser tratada de uma forma bastante superficial, sem grande preocupação…

        Para não falar que a série praticamente se tornou numa comédia. Numa má comédia, ainda por cima!

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