[SPOILERS] Quanto sangue pode deitar o corpo humano? Qual será o limite de perda, num corpo, do líquido que nos gorjeia nas veias? E porque é que a simples visão de uma mancha do fluido viscoso provoca sempre um inabalável pressentimento de tragédia? É assim que começa o episódio, tendo como primeiro protagonista uma mancha vermelha, num tapete. É em tons de carmesim que se pinta mais uma tragédia, em “Castle”…
A Morte, quando ergue a ceifeira, tem algo de democrático. Ataca todos por igual, independentemente do seu credo, raça ou posição social. Mesmo aqueles que possam ter um dom especial, de premonição. A vítima da semana é Vivian Marchand, uma célebre médium psíquica, encontrada sufocada, dentro de um sofá cama, pela própria filha, com um picador de gelo a adornar-lhe o pescoço, de forma grotesca.
Motivos óbvios? Alguns, como atestam as suspeitas da filha, Penny (Rachel Boston). Aparentemente, os dotes especiais de Vivian eram requisitados regularmente pelas forças policiais, com resultados concretos. Os criminosos encarcerados, pela ajuda extra de Vivian, podem ter guardado algum rancor. Na galeria de personagens que vão passando pela esquadra, algumas merecem figurar nos apontamentos:
- Paula (Bess Armstrong) e Martina Casillas (Mercedes Masohn) [merecendo uma pequena dissertação de Rick (Nathan Fillion) quanto à pluralização do apelido], fervorosas crentes nas capacidades de Vivian, que apontam um potencial suspeito. Um homem, de têmporas grisalhas e cicatriz a decorar-lhe a face.
- Albert Moreno (David Gianopoulos), gansgter empedernido, habitual cliente de Vivian, acatando conselhos imobiliários que lhe lapidaram a fortuna. Poderá o dono da tenebrosa cicatriz ter-se sentido defraudado ao ponto de cometer um homicídio?
- “Black is the new guilty”, como parece profetizar Vivian. Steve Adams (Rick Ravanello), preso no decorrer do mais emblemático caso da médium, passou uma longa temporada na cadeia. Em condicional, faz-lhe uma inesperada visita, registada na pulseira electrónica. Integralmente vestido de preto, poderá ser ele a resposta para solucionar o caso?
O caso sofre um novo desenvolvimento quando os detectives recebem uma carta, da própria Vivian, enviada antes da morte, onde a médium prevê o seu assassinato. Numa espiral de acontecimentos, o cerco vai-se apertando. Em traços genéricos, eis o que aconteceu:
Vivian, em risco de ser desmascarada, num programa televisivo, pela prisão de Steve Adams, que se proclama inocente, faz um acordo tácito com o produtor. Entregar-lhe, em directo e perante uma audiência de milhões, um verdadeiro assassino. A médium tinha descoberto que a morte do patriarca Casillas não tinha sido mero infortúnio. Emilio Casillas mantinha um romance com a esposa de um subordinado. Se, inicialmente, a suspeita recai no marido traído, rapidamente se percebe que foi a esposa de Casillas, Paula, que lhe ministrou veneno.
O Melhor: Kate (Stana Katic) mostrou ser uma céptica, desde o início, quanto à real valia dos poderes de Vivian. Mas acreditava no seu “instinto”, para justificar a inocência de um dos suspeitos. Algo que não passou despercebido a Rick, num mordaz comentário: “That’s cool, Scully”. Outra das deixas – provavelmente a melhor – veio no seguimento da natureza da profissão peculiar da vitima. Provocaria sempre opiniões extremadas, quando à verdadeira essência: genuína ou impostora? Kate, sempre dada ao lado mais racional das questões, catalogou logo Vivian com o epíteto de charlatã. Castle, por seu lado, autor de algumas histórias e teorias rocambolescas, prima pelo oposto: um respeito reverencial pelos “feitos” dos médiuns. Mas, como Castle lhe diz, “if you don’t believe in the possibility of magic, you’ll never find it”.
O Pior: A esquematização dos episódios tem destas coisas: tudo se torna secundário, à excepção das sequências em que entrem os principais intervenientes. A segunda temporada tinha terminado com a partida de Rick, num reatamento com a ex-esposa, deixando uma Kate destroçada nos seus sentimentos. Dois episódios depois, o que sabemos dessa história? Nada. Rick continua com a sua rotina familiar, partilhada pela filha e mãe. No campo sentimental, apenas a percepção, por uma alusão de Rick, que a relação continua estável. Não seria, por isso, normal vermos o desenrolar da mesma? O mesmo se pode dizer em relação a Martha (Susan Sullivan), e ao pedido de casamento que recebe. De um momento para o outro, sem que anteriormente nos tenham sido dadas pistas, a mãe de Rick aparece de anel no dedo, prestes a oficializar uma relação que aparenta durar à muito tempo.
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Não gostei como tudo foi logo reatado. Preferia que demorassem mais alguns episódios a “curar” a relação entre Castle e Beckett, Esposito e Ryan.
Eu nem coloco a tónica tanto na reacção de Esposito e Ryan, que se sentiram obviamente traídos,após uma relação de amizade que julgavam sólida. Mas a questão amorosa/sentimental entre Rick e Kate foi ultrapassada de forma demasiado artificial, parece-me. Também concordo que, actualmente, deveríamos ver as sequelas disso mesmo, com o esfriar do relacionamento entre ambos. Talvez fosse uma boa linha argumentativa, durante uns episódios…