[SPOILERS] Quem é que não passou já tardes inteiras, refastelado num sofá, lendo literatura de aventuras, com piratas com palas nos olhos, em sequências onde o estrépito de espadas povoava o imaginário geral? E depois, página a página, tecendo ruminações quanto à localização do tesouro, imaginando como o mesmo devia ser resplandecente. Jóias reluzentes, barras de ouro cintilantes, dobrões com esfinges de reis esquecidos. Havia sempre, no entanto, algo em comum a todas essas deambulações. O X marcava o lugar, no mapa.
E o que é que isto tem a ver com o episódio de “Castle”? De início, nada. Tudo começa como sempre. Um crime. Um corpo. Uma chamada para Castle [interrompendo, desta vez, o idílio de Rick (Nathan Fillion) com a filha]. E a habitual investigação. Dion Carver, agente de fianças, morto num assalto nocturno ao seu estabelecimento. Para adensar o mistério, é descoberta uma escuta, cirurgicamente implantada na máquina calculadora do escritório. E depois, escondido junto do cadáver, um misterioso mapa, cheio de aparentes rascunhos, que intriga o sempre imaginativo Rick. Poderá ser aquele pedaço de papel, menosprezado por Kate (Stana Katic), o motivo para o crime?
Enquanto isso, começa o habitual corrupio de potenciais suspeitos. São eles:
Random Pierce (Keith Robinson) [cujo nome merece uma tirada genial de Rick], mendigo, visto a discutir, pouco antes do crime, com Dion. E, para agravar, um fugitivo da lei, capturado após uma perseguição a pé, pelas ruas de Nova Iorque, com a ajuda de um antigo conhecido de Kate: Royce (Jason Beghe), o seu instrutor na Academia, agora transformado em caçador de recompensas. Dado que Random apresenta um álibi sólido, segue-se novo freguês…
Clifford Stuckey (James Handy), criminoso inveterado, cuja impressão digital é encontrada no escritório da vítima. A informação torna-se relevante, dado que o apartamento de Clifford tinha sido arrombado, dias antes, por Random. Coincidência? É algo que caberá a Kate, no interrogatório, apurar. Resta apenas acrescentar que Clifford parece saído de uma unidade de cuidados continuados. Um ancião de cabelos brancos, andando com a ajuda de um andarilho e totalmente surdo. Descartado, por parecer improvável ser ele o autor do crime.
Aaron Low (Brian Krause). Dado que, no cadáver de Dion, é descoberto o sinal da cruz católica, numa extrema-unção ministrada logo após o crime, a associação com um padre não se torna estranha. E se a vítima tem, nos seus registos financeiros, várias doações para a igreja liderada por Low, o radar policial começa a vibrar. E quando o padre usa uns sapatos que coincidem com a pegada deixada na cena do crime, parece que a solução do caso está encontrada.
No entanto, o aprofundamento das investigações e consequente descoberta de álibis, leva o grupo de detectives de regresso à estaca zero. É sempre um momento delicado, aquele em que são confrontados com a possibilidade de um fracasso. Mas com as peças todas juntas, é apenas uma questão de tempo até o puzzle ficar completo. Basta unir os pontos até chegar à verdade. E esta é:
Stuckey participou – e foi ilibado – num assalto que rendeu 10 milhões em pedras preciosas. Que nunca foram encontradas. O padre Low deu a extrema unção ao cúmplice de Stuckey que, arrependido no leito da morte, lhe faz um mapa para encontrar o tesouro escondido. Random, preso no mesmo estabelecimento prisional, rouba o mapa. Não o conseguindo interpretar, cria uma parceria que mitiga a ambição de vários. Ele, Low e Dion, que acaba por ser o protector e guardião do mapa. Faltam apenas dois pormenores: descodificar o mapa [algo que Rick faz, na companhia de Alexis (Molly C.Quinn)] e encontrar o assassino. Para desespero de Kate, o seu mentor, durante o percurso inicial com a farda da LAPD, acaba por se revelar igualmente um dos perpetradores da tentativa de recuperação das jóias. Mas o assassino revela-se uma surpresa. Brooke Carver (Sophina Brown), esposa de Dion, que tinha colocado uma escuta no escritório, por suspeitar de adultério, apercebe-se dos planos para a recuperação da fortuna e do facto de o marido não lhe ir dar nada. A mulher despeitada resolve a traição com uma bela pancada na cabeça do seu cônjuge.
O Melhor: Foi bom voltar a rever a antiga cumplicidade entre Rick e Kate. Pequenos detalhes, mas que deleitam quem sempre gostou da empatia entre os dois personagens. Isso é visível, por exemplo, na procura de conselho por parte de Rick, quando tenta lidar com o carácter e exigências materiais da filha adolescente, encontrando o interlocutor perfeito em Kate. Ela, por sua vez, dona de uma Harley, responde assim ao pedido de uma foto da mota, por parte de Rick:
“Tenho fotos, mas não te vou mostrar nenhuma. Não conseguirias lidar com uma visão minha, montada na mota, usando couro preto justo”. Auch!
Este foi, até à data, o meu episódio predilecto. Óptimos diálogos, com aquele humor corrosivo (sobretudo na cena em que Rick deixa, na secretária de Ryan (Seamus Dever) e Esposito (Jon Huertas), um pacote de fraldas para incontinentes e uma placa dentária, como “prenda” por terem sido ludibriados por um ancião como Stuckey), que nos estende o sorriso ao máximo, uma história com a dose certa de acção e mistério e um Rick Castle no seu melhor.
O Pior: A situação final, no cemitério, pareceu claramente forçada, com todos os intervenientes – excepto Random – a confluírem, na mesma altura, para a localização apontada no mapa. Forma demasiado simplista de encerrar o caso.
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Gostei bastante e digo novamente, a relação do Castle e a Alexis é super amorosa, muito saudável. A cena favorita foi a Beckett a admitir ao telefone que sempre admirou o Royce, até se apaixonou por ele e por ele a ter apoiado a procurar o assassino da mãe. Adorava que pegassem nisso e desenvolvessem mais a Beckett.
Pobre Beckett, a cada episódio que passa parece que precisa de um abracinho. Gostei bastante deste episódio, adorei como acabaram por ser todos culpados de uma coisa ou outra.