[SPOILERS] Tudo começa num funeral. Não um qualquer. Uma cerimónia judaica. Geralmente, os funerais apresentados em filmes e séries são ritos de calma dignidade. Este não foge ao normal. Um caixão de madeira, sem ostentação, um ar apiedado na plateia. Uma saída rápida de cena, rumo ao último destino. E onde encaixa aqui Rick Castle (Nathan Fillion) e uma investigação policial, perguntará para os seus botões o leitor…
Entram em acção a partir dum pequenino incidente. A queda do caixão, no transporte para o cemitério, revela um outro corpo, para além do defunto inicial. “Não temos sempre a vítima antes do funeral?”, pergunta Rick a Kate (Stana Katic), no início do caso. O outro corpo é de Valerie Monroe, médica, assassinada por uma picada de uma agulha que, de forma letal, lhe provoca uma embolia. Face à precisão cirúrgica do acto, as suspeitas ganham um novo alento. Os colegas de trabalho da médica. Como, por exemplo, o enfermeiro McClintock (Michael Cassidy). Desde logo, o facto de ser “o” enfermeiro arrasa por completo a habitual teoria de Rick, que envolvia um triângulo amoroso e sexo fogoso, nas pausas das cirurgias (alusão acertada às séries de “médicos”, que grassam pelas TV’s, nomeadamente Anatomia de Grey – uma médica chamada Rhonda Chime, por oposição a Shonda Rhimes). Envolvido numa discussão com a médica, pouco antes do acontecimento fatal, parece ter um álibi sólido, apesar da semelhança (lá está) com McSteamy e o seu indisfarçável íman para atrair inúmeras mulheres que gravitam na sua órbita. O aprofundamento da investigação torna o caso mais complexo. Somas avultadas de dinheiro disponíveis para Valerie. O hábito rotineiro de frequentar uma cafetaria, longe da sua casa e sem conexão com o emprego. E dormidas regulares numa suite pertencente a um paciente, conhecido nas ruas por El Diablo (Adolph Martinez). Apenas um dos maiores traficantes de droga da cidade. Demasiadas interrogações que maculam a respeitabilidade construída por Valerie. O encontro e interrogatório com El Diablo é uma massagem no ego de Rick, dado que o traficante é um fã da sua literatura e da sua mais nova personagem. Nikki Fuego (confessadamente, a tradução dá-lhe um tom mais pitoresco ao banal Nikki Heat). Os encontros furtivos têm, afinal, uma explicação simples. Um coração fraco, por parte de El Diablo (ironia suprema) e os préstimos médicos pagos principescamente, com Valerie a velar pela saúde do traficante, durante 5 dias por semana. Em novo beco sem saída, face ao álibi apresentado, a dupla Rick/Kate descobre o fio à meada. Primeiro, desvendando o real segredo de Valerie. Ela trabalhava em parceria com o Procurador-Geral, procurando deslindar um caso de fraude médica, que incluía prescrições ilegais e desvios de fundos, no hospital onde trabalhava. Facilmente chegam a Amy Porter (Erin Fleming), presidiária e antiga namorada do enfermeiro McClintock, que a visitava com enorme regularidade na prisão. Tudo se precipita para um final intenso. Amy tem um derrame, antes de ser interrogada. A morte revela ser uma esquema astuciosamente forjado por McClintock que, valendo-se do seu charme junto do corpo médico feminino, consegue munir-se dos elementos indispensáveis para realizar uma ousada fuga da prisão. Mas, no habitual twist, o assassinato prova ser um acto de Manuel Calderon, (Carlos Sanz) irmão de El Diablo, que descobre que Valerie é uma informante, julgando erradamente o objectivo da investigação. Num acto protector para com o irmão, comete o crime.
O Melhor: A correlação entre o Amor e as canções que nos fazem lembrar/recordar esse sentimento intenso são um pormenor dissecado neste episódio. Desde a música de Taylor Swift, que une e celebra o namoro de Alexis com a sua nova paixão, passando pelos mais histriónicos AC/DC e o seu hit “You Shook Me All Night Long”, que traz recordações a Rick do enlace com Gina, sua ex-mulher, o episódio conseguiu suprir algo que me incomodava: deu profundidade de sentimentos a Gina, caracterizando melhor uma personagem que, até agora, era meramente caricatural. Gostei particularmente da cena entre ela e Rick, com o pedido de desculpas deste a ser excêntrico, como esperado (quem é que pede desculpas acompanhado por um punhado de balões?), mas revelando igualmente o enorme medo de Rick em ir perdendo gradualmente o afecto da filha adolescente.
O Pior: Novamente, o facilitismo com que se terminam os episódios. Com o happy ending a ter que figurar antes dos créditos finais, lá veio a habitual forma de todos terminarem felizes. McClintock sai em liberdade, com a amada a ter a hipótese de redenção, em novo julgamento, devido aos erros primários do primeiro. E isto tudo descoberto num ápice, pela dupla Rick e Kate, desbaratando as provas existentes dum caso que se previa devidamente sedimentado.
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Gostei imenso do episodio… mas por algum motivo a meio do mesmo já tinha a noção de como ia acabar… embora a Dinamica Beckett/Castle continue óptima, acho que deviam investir mais nos personagens secundários… I mean, chega a uma altura em que irrita só 4 pessoas deterem a maior parte das falas de um episodio (Beckett Catle Alexis e Martha).
Este happy ending foi muito happy para mim. E ainda por cima, trouxeram-lhe comida para retratar o primeiro encontro deles!
Fora isso, gostei bastante do episódio!