Castle: 3×06 – 3XK (ABC)

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[SPOILERS] Dark City Street. Podia ter sido a escolha para nome do episódio. É essa, praticamente, a primeira imagem que temos. Uma cidade, repleta de transeuntes e cor, luz e brilho, parecendo quase pacífica. Depois, resvalando mais para as entranhas, temos uma rua escura. Aconchegada por nevoeiro, fumo e sombras. E sabemos, logo, que algo irá acontecer. É quase um convite para a presença do Mal, como se tudo tivesse sido preparado para ele agir. Ali, naquele lugar…

É Rick (Nathan Fillion), mais uma vez retirado do convívio familiar, que encontra semelhanças na cena do crime. Uma rapariga loura, estrangulada até à morte com uma corda e deixada deitada, numa expressão beatífica, desperta no escritor/detective recordações de um caso similar, quatro anos antes. Cujo perpetrador nunca tinha sido encontrado. Kate (Stana Katic) mostra, de inicio, alguma relutância em aceitar estar na presença de um serial killer, com um modus operandi alterado, dado que antes ele se limitava a matar dentro dos apartamentos. Mas os indícios recolhidos mostram que, efectivamente, o Assassino Triplo (3XK) está de volta. Depois de 6 assassinatos, parece querer testar a capacidade policial em encontrá-lo.

A investigação centra-se, de imediato, num colega de trabalho da mais recente vítima. Paul (Brian Klugman), um pervertido, com algumas queixas de perturbação da ordem pública, que mantinha uma fixação na jovem assassinada. Parece encaixar com demasiada facilidade no perfil do serial killer. Não fosse por um ligeiro inconveniente. Apresenta um álibi sólido. O cronograma particular do Assassino Triplo volta a funcionar. Nova morte, parecendo querer seguir à risca os feitos anteriores, com três assassinos semanais.

E é aqui, no segundo corpo encontrado, que a sorte parece querer sorrir para a equipa de investigação, com dois indícios novos. A descoberta de que Linda, a primeira vítima, tinha reconhecido quatro anos antes o assassino. Um telefonema, na altura, tinha dado conta das suspeitas dela em relação a um técnico de TV por cabo (disfarce usual do Assassino Triplo), podendo ter sido o gatilho que levou ao desaparecimento, durante um hiato de tempo grande, do aparente compulsivo maníaco. E é essa a razão para o facto de apenas Linda ter sido morta fora de casa, num rompimento com o método usual de matar. É o aparecimento de uma impressão digital, num crachá encontrado na cena do segundo crime, que aponta para Marcus Gates (Lee Tergesen). Um sociopata brutal e altamente inteligente, preso por quatro anos, com propensão para actos de violência. Mas ter um nome e uma cara não parece ajudar muito a captura do pretenso culpado. Marcus é um solitário. Sem família ou quaisquer laços afectivos, pode permanecer anónimo, numa cidade com milhões de habitantes. Poder ficar abaixo do radar, até podia, não fosse uma dica do companheiro de cela, que leva à sua captura. A partir daí, inicia-se uma espécie de jogo de xadrez. Um combate mental, entre arguido e detective. Marcus mostra ser racional, frio e de uma argúcia extrema, duelando de forma brilhante com os interrogatórios da polícia.

É novamente o ex-colega de cela que os coloca no trilho certo. Marcus Gates usa, de forma a ludibriar vigilâncias, duplos vestidos de forma idêntica, que lhe fornecem o desejado álibi. O parceiro usado, com laços criados em lares adoptivos, é Paul, que acaba por ser a chave da confissão de Marcus. No entanto, nem tudo o que parece é. Faltava o twist final. É uma regra básica. Se o assassino é apanhado e ainda existem mais de 10 minutos de episódio, é porque existe alguma revelação final. Na surpresa do episódio, é o colega de cela de Marcus – Jerry (Michael Mosley) que, arvorado em mestre de marionetas, tem movimentado os cordelinhos, imputando culpas em Marcus, como forma de evitar a descoberta: é ele o Assassino Triplo. E, mesmo com Ryan (Seamus Dever) e Castle à mercê, deixa-os vivos, fugindo para parte incerta. Sabe-se que será apenas uma questão de tempo até ele voltar a matar.

O Melhor: Na delegacia, um briefing que actualiza os responsáveis policiais vai desvendando o perfil conhecido do assassino. Um homem branco, entre os 25/45 anos – “Could Be Me”, diz Rick – com uma relação disfuncional com a mãe – “Still Me”, sussurra Rick a Kate – e com um emprego insignificante – “Definitely You”, riposta Kate. Momento engraçado do episódio.

Gostei igualmente da ligação entre os crimes do passado e os do presente, com a ponte a ser o aparecimento do pai de uma das vítimas antigas, mostrando o quão devastador pode ser o efeito da Morte numa família. Bastou o acontecimento dramático para tudo se modificar. A separação dos cônjuges, após a morte da filha. A prisão num limbo onde nada mais interessa a não ser a obsessão pela captura do culpado. O olhar triste e vazio. Achei aquela breve conversa entre Roy (Ruben Santiago-Hudson) e o pai da vítima, Cal, como uma das mais poderosas cenas do episódio.

O Pior: Confesso que esperava mais. Depois de ver que a história giraria em redor de um novo serial killer, aguardava por um episódio mais tenso, pintado em tons de negrume, com acção a rodos [como aconteceu, num caso idêntico, na segunda temporada]. Isso não aconteceu. Demasiado rebuscado, na manutenção do segredo sobre a identidade do assassino, primou mais pela criação de falsas pistas e expectativas do que pela geração de um argumento sólido.

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2 Respostas para “Castle: 3×06 – 3XK (ABC)” Subscribe

  1. carolinafs 31/10/2010 às 16:32 #

    Gostei pelas voltas que a história foi dando e pelo perfil dos diferentes suspeitos.

  2. Cláudia 01/11/2010 às 12:03 #

    Gostei bastante e digo que aquele twist final foi bem conseguido. Nunca mas nunca pensei que fosse o Jerry.

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