[SPOILERS] “Do you know Roman history? Cato was a leader in the Roman senate, known to be incorruptible, a man of honor. During the war in Gaul, some of his colleagues began to fear that Caesar had grown so powerful, he might become a dictator. They ordered him to disband his army. Caesar refused, and turned his army south across the Rubicon river toward Rome. Now, for Cato, defeat was inevitable. But he himself refused to surrender. He chose to take his own life so that those he loved could make peace with Caesar and a life of their own.”
Apesar de serem termos que surgem frequentemente relacionados, “complexidade” e “inteligência” não são sinónimos. Há uma noção estabelecida de que quanto mais complexo algo for mais inteligente será a sua desconstrução. E isso é inteiramente verdade. Porém, não significa que na simplicidade não se encontrem formas inteligentes. Aliás, para mim, algo que consiga ser simples e inteligente ao mesmo tempo consegue ter mais mérito do que algo que seja complexo e inteligente exactamente porque se afasta daquilo que estávamos à espera, ou seja, que se é simples tem necessariamente de ser pouco inteligente.
“Rubicon” apresenta-se como uma história bastante simples no seu núcleo: um grupo de homens, amigos de infância, tornaram-se ricos e poderosos à custa de eventos desastrosos que se sucederam ao longo da História por todo o mundo. Eles utilizam informação constante de relatórios elaborados por analistas de uma agência de investigação para criar situações catastróficas das quais possam beneficiar, jogando nas bolsas de valores com informações que mais ninguém possui. E é isto. Algo simples, talvez até mais próximo da realidade do que se possa imaginar, onde os senhores detentores de importantes cargos na nossa sociedade puxam os cordelinhos e fazem girar o mundo a seu bel-prazer. Nada de novo, quando comparamos esta história à de tantos outros thrillers políticos que inundam livrarias e cinemas por aí a fora, é certo, sendo que a única forma de se diferenciar seria pela maneira como decidiram contá-la. E é aqui que “Rubicon”, quanto a mim, consegue ganhar pontos, pois fá-lo de forma inteligente.
Eu lembro-me de ter referido, na crítica ao segundo episódio, que a série me fazia lembrar um daqueles thrillers dos anos 70/80 e que a diferença é que em vez de esperarmos cerca de duas horas para a sua conclusão, para termos o devido pay-off, teríamos de esperar mais algum tempo (dependendo de quantos episódios fossem produzidos). Agora, caso a série acabe mesmo ao fim destes 13 episódios (e mesmo que não acabe, a conspiração, ou melhor, esta conspiração, deverá acabar), a série é exactamente aquilo que eu imaginava inicialmente: um thriller ao estilo do que fazia Hollywood nos anos 70/80 mas com tempo para aprofundar as suas personagens e com tempo para solidificar as suas linhas de argumento. Há um paradigma muito usado no guionismo, e criado por um dos nomes mais respeitados da área, Syd Field, onde um guião (sobretudo para cinema) deverá ser estruturado em três actos (setup – confrontation – resolution) e a sensação que “Rubicon” me dá é que foi pensada tendo em conta este modelo. Tivemos vários episódios de introdução ao ambiente da série, aos seus elementos e às suas personagens, passámos pela confrontação, onde os obstáculos ao objectivo do protagonista (bem como dos personagens secundários) se foram sucedendo, e agora chegámos à fase de resolução, composta por estes dois últimos episódios, mais um terceiro que ainda há-de chegar.
“Wayward Sons” é clímax de uma ponta à outra. As duas linhas de argumento principais a que a série se tem dedicado desde o início fluem agora como uma única e a falta de ritmo de que muitos se queixaram insistentemente ao longo da temporada deixou de existir completamente. Além disso, e depois de tanto tempo investidos na história de Kateb através do que nos iam contando os elementos da equipa do Will (James Badge Dale) na API, temos então o primeiro contacto com o terrorista (e vamos ainda sendo mais familiarizados com quem é realmente esta pessoa através de um conjunto de entrevistas aos seus familiares), que, através de um conjunto de rituais (que envolvem os pequenos prazeres da sua vida, como ver cartoons, comer fast-food, atingir o clímax sexual), se prepara para se despedir deste mundo. E somos ainda presenteados com um final de episódio deveras próximo da nossa realidade onde os maus da fita são sempre os vencedores e ainda têm oportunidade de ficar refastelados no sofá a sorrir da nossa miséria (tal como já li noutros lados, veremos o que nos espera para a semana, mas será difícil imaginar para a série um final mais realista do que teria sido este, pois se os quarenta minutos em falta servirem para simplesmente deitar abaixo a elaborada conspiração isso pecará certamente pelo realismo).
Outros pontos a destacar:
- Fiquei desiludido com o facto de terem optado por não nos mostrarem a reacção do Spangler (Michael Cristofer) ao Will ter saído vitorioso do confronto com o Bloom. Saltaram logo para a parte em que ele já sabia do sucedido e já estava bastante calmo acerca da situação.
- Se bem que a prestação do actor por vezes me pareça algo desconcertante (às vezes parece-me soberba, outra vezes parece-me desleixada, cheia de tiques), o Spangler foi realmente um dos destaques do episódio. Três cenas a destacar: quando ele telefona ao FBI para que o Miles (Dallas Roberts) consiga levar à avante com a sua abordagem à questão (e que me deixou uma dúvida: será que ele apenas o fez porque viu na abordagem do Miles aquela que permitiria dar o tempo que o Kateb necessitaria para concluir o atentado, ou seja, o gajo do FBI é que tinha razão?); quando ele vê a foto do Kale Ingram (Arliss Howard) junto da Katherine Rhumor (Miranda Richardson) e se apercebe que não há como escapar; e a cena final em que ele olha com um certo regozijo para a televisão.
- A Katherine saiu do apartamento. Não me parece que tenha sido lá muito boa ideia para o seu futuro.
- A Tania (Lauren Hodges) não aguentou a pressão e caiu na tentação de voltar aos comprimidos.
[starreview]
[starrater]




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Grande episódio e para completar uma grande review.
:4meio: a ambos
Nestes ultimos episodios já se previa que o Kateb estava no meio desta conspiração, mas pensei que fosse o principal.
Adorei este episodio, desde o sorriso arrogante do Spangler hás visualizações dos ultimos momentos do Kateb.
Esta serie é absolutamente fantastica.
Ainda não vi o episódio, mas só pela tua nota e dos users estou ansiosissimo para ver
Mas que grande episódio. Só espero, como dizes, que o último episódio não venha estragar o que foi feito até agora. Bem de qualquer das maneiras o resto continua ser muito bom e merecem todos os elogios por isso.
Fantástico! É disto qu’eu gosto!!
:4setentaecinco:
Grande episódio. E grande review. E nem é preciso dizer mais nada, simplesmente grande!