[SPOILERS] “I do not need Encyclopedia Brown on my staff”. O equilíbrio entre o “caso da semana” e o desenvolvimento dos personagens foi algo que sempre me agradou em “The Good Wife”. No entanto, em “Double Jeopardy” esse equilíbrio não foi conseguido. Assim, se por um lado tivemos direito a um caso legal bastante interessante e bem explorado, por outro, o desenvolvimento das tramas que nos foram apresentadas no episódio anterior não foi tão bem conseguido e em alguns momentos chegou quase a ser anedótico.
Na temporada passada, já tínhamos tido a oportunidade de ver Will (Josh Charles) a brilhar em território desconhecido, tendo como palco de actuação um tribunal federal. Desta vez, depois de vencerem o caso no tribunal estatal, Will e Alicia (Julianna Margulies) vêm-se obrigados a defender novamente o seu cliente mas num tribunal militar, tudo devido à influência de Cary (Matt Czuchry) que não se conforma com o facto de ter perdido mais um caso para Alicia (e também por realmente acreditar na culpa do arguido). O problema é que tal como em “Fleas”, as regras neste tribunal são completamente diferentes, o que dificulta bastante a tarefa da equipa da “Lockhart & Gardner”, mas é precisamente na forma como ambos conseguem contornar essas regras que reside a mais-valia deste episódio. Primeiro com Will a demonstrar mais uma vez o seu carisma e inteligência ao lidar com uma juíza difícil e depois com Alicia a chamar Cary como testemunha garantindo assim a vitória do caso. Gostei de ver mais uma vez o confronto entre Cary e Alicia mas, apesar da química entre ambos ser muito boa espero que não seja algo recorrente nos episódios futuros sob pena de se tornar cansativo.
A campanha de Peter (Chris Noth) também continua em destaque, sendo que, desta vez, a acção é despoletada pelo aparecimento de mais vídeo comprometedor para a mesma, que é divulgado quando este se encontra durante uma entrevista online. Temendo que o seu cliente possa estar a ser alvo de mais uma armadilha, Eli (Alan Cumming) tenta interromper a mesma mas, depara-se com uma série de obstáculos inesperados que foram demasiado forçados, desde o facto da porta estar fechada até à queda nas escadas rolantes. Infelizmente, quem parece estar de volta também é Becca (Drama Walker), a ex-namorada de Zach (Graham Phillips) que conhecemos na primeira temporada e ao que tudo indica poderá vir a ser mais um obstáculo à campanha de Peter. É uma pena que Zach não seja tão inteligente como a irmã e não consiga detectar as segundas intenções de Becca. Todos estes jogos de bastidores podem vir a ser bastante interessantes, no entanto, por mais que seja agradável ver a ironia e sarcasmo de Alan Cumming em cena, isto apenas não é suficiente. É necessário igualmente desenvolver melhor as situações apresentadas e explorar de forma mais convincente as motivações das personagens envolvidas. Por outro lado, estou bastante curiosa para ver se Peter vai ceder “ao lado negro da força” e começar a jogar nos mesmos termos que Childs, mesmo que isso implique expor novamente a sua família.
Na crítica anterior tinha comentado que algo que seria interessante seguir era o novo relacionamento entre os sócios da “Lockhart & Gardner” depois da fusão e esta semana já pudemos sentir o antagonismo crescente entre Will e Dianne (Christine Baranski), depois deste dar o seu voto ao novo sócio na escolha de um cliente, quando se tinha comprometido inicialmente a garantir o seu voto favorável a Dianne. Como seria de esperar, esta não reage nada bem e acaba por colocar Kalinda (Archie Panjabi) a investigar o passado de Will e Derrick (Michael Ealy). O episódio termina com a investigadora a revelar que descobriu algo, pelo que, parece que Will e Derrick andam a esconder algo importante. Gostei muito de ver Christine Baranski em cena, como sempre aliás mas, por outro lado, parece-me que a série começa a apresentar demasiadas tramas o que me leva a recear se todas elas conseguirão ser bem desenvolvidas.
Para terminar, vale a pena referir ainda que pela primeira vez vemos Alicia e Blake (Scott Porter) a trabalharem em conjunto mas, infelizmente essa situação não foi aproveitada para nos dar a conhecer melhor a nova personagem e no final ainda é Kalinda que consegue garantir a vitória a Alicia.
Concluindo, não foi um mau episódio, bem pelo contrário mas, ainda assim ficou a uma distância considerável do seu antecessor e no final ainda me deixou com a sensação de que a série começa a ter demasiadas personagens o que pode vir a afectar a sua fórmula de sucesso: simplicidade e equilíbrio das tramas apresentadas. Vamos esperar pelos próximos desenvolvimentos.
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Concordo com tudo o que disseste. Muito embora adore o Alan Cumming e o seu sarcasmo, as cenas dele esta semana não foram muito interessantes.
Gostei de ver a Dianne a ter destaque, mas achei que houve Kalinda a menos no episódio.
“ achei que houve Kalinda a menos no episódio.”
Também senti isso. É sem dúvida alguma uma das melhores personagens da série.
Argh, Becca a fazer das suas e a outra criança sem perceber o que se passa… Gostei imenso da parte do caso, um ambiente novo é sempre interessante de explorar mas depois faltou ali qualquer coisa.
Eu por acaso gostei muito do episódio, mas sem dúvida que o ponto forte foi Will e Alicia no tribunal militar, o resto passou um bocado ao lado. Mas mais uma vez o ritmo dos episódios de The Good Wife é tão refrescante que me mantém sempre agarrada durante todo o episódio.